quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Línguas

O termo língua é utilizado no português para definir várias coisas, como uma parte do corpo humano. Também assume uma significação de conjunto de caracteres, idéias, vocábulos e até mesmo a interpretação destes, comuns a um povo, permitindo que as pessoas se comuniquem, se façam entendidas mutuamente.

O termo mútuo pressupõe reciprocidade, ou seja, envolve mais de uma pessoa ou, usando uma expressão popular, uma via de duas mãos. Para que uma língua se faça compreendida, é preciso então que as duas ou mais pessoas envolvidas tenham o necessário conhecimento dela, para que as idéias possam ser transmitidas sem ou com um mínimo de interferência, de forma a evitar o entendimento errôneo da mensagem passada.

Parece meio teórico, mas o problema é que esses ruídos de comunicação acontecem o tempo inteiro, quando falamos a mesma língua, como a portuguesa. Não se trata de diferentes dialetos, como variações regionais, mas de incompreensão por fatores alheios à estrutura formal da língua portuguesa em si.

Já reparou como não conseguimos nos entender em vários momentos de nosso convívio social? Reuniões em empresas, discussões de namorados, amigos e por aí vai. Curiosamente os animais nos entendem, como um cão ou um gato. E olha que nem precisamos usar palavras com eles. Interessante! Analisemos este ponto.

Nos comunicamos com os animais por gestos, olhares e, principalmente, sentimentos. Quando isto acontece, quase sempre não estamos tentando convencê-los de nada, não temos a intenção de impor nosso ponto de vista. E aqui mora o detalhe básico: imposição. Em nossos diálogos corriqueiros, transformados em monólogos egoístas, queremos sempre impor o que pensamos, sem nos preocuparmos com o que a outra parte pensa ou tem a dizer.

Contrariando vários provérbios populares, como aquele que diz que temos dois ouvidos para ouvir mais do que falar, preocupamo-nos apenas em falar, desesperadamente, desligando a parte no nosso cérebro responsável por nos dar a certeza de que não estamos sempre certos e que é meio loucura simplesmente pensar isto.

O problema não é a formalidade da língua, mas sim o nosso lápis e o nosso papel, que escrevem tudo borrado. Pior ainda, precisamos de óculos e de aparelhos auditivos, para corrigir nosso problema de cegueira e surdez frente aos problemas dos outros. Quem foi que disse que precisamos estar sempre certos?

Sentimento. Sentir algo ou alguém dispensa letras. Olhares, gestos, os mesmos que nos fazem comunicar com perfeição com os animais, transformam nossa Babel cotidiana em um paraíso de pessoas de várias nacionalidades, credos e certezas, comunicando-se perfeitamente. A língua? Esta ainda é importante, até que consigamos nos moldar para dispensar as letras.

Mas ainda vai um tempo, porque até que consigamos nos comunicar a contento sem símbolos, precisaremos melhorar muitas coisas, algumas das quais não temos nem o início da compreensão sobre elas. Façamos pois, enquanto isto, uma boa utilização de nossa língua, deixando de lado nossas certezas em estarmos certos, para ouvir, refletir e nos comunicar com perfeição, porque este ato simples nos economiza diversos problemas.

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