terça-feira, 23 de outubro de 2007

Lágrimas

Existem momentos em que o corpo não consegue assimilar uma determinada emoção, um sentimento, quando o tempo parece congelar e um mero instante se transforma em um conjunto de passado, presente e futuro de aparência infinita, forçando nossa estrutura a um imenso esforço de auto-controle, impotente tentativa de evitar que transbordemos em meio a tamanha intensidade de sensações, causando as lágrimas, expressão máxima da sensibilidade humana.

Lágrimas demonstram fortaleza; expressam nossa capacidade de entender o que nos circunda, captando as impressões do meio, das pessoas e das várias experiências que nos ensinam a ser. Talvez não consigamos compreender, mas o corpo sente e se manisfesta. Por mais que tentemos demonstrar ao mundo que somos imunes às suas belezas e mazelas, acabamos por nos desnudar, frente a uma realidade inevitável de que tudo tem um começo, um meio e um fim, e diante disto tudo continuamos a existir, melhorando-nos a cada novo passo.

Sensações boas, ruins, indiferentes. Existem momentos em que nos desligamos, não entendendo o que deu errado, ou como pode ter dado tão certo. Sentimentos nessas horas são mistos de encantamento, admiração por como as coisas podem ser tão distintas e tão iguais, nos trazendo à tona um passado distante, que insiste em nos mostrar como tudo volta, se não fizermos o que nos cabe.

Fomos, somos e precisamos ser, sob a pena de encontrar encruzilhadas, que inevitavelmente aparecerão, mas nas quais nos colocaremos em posição passiva, de observador, sem condições de dar o próximo passo, até que consigamos nos retirar do transe. Nessas ocasiões as lágrimas nos banharão, continuamente, procurando nos livrar do peso de ser algo que nos incomoda, como ponto de esperança a nos dizer que podemos ser grandes, desde que o sejamos.

Não basta querer, não basta pensar e planejar, porque as coisas vão acontecendo sempre à nossa volta em uma velocidade incalculável, nos causando espanto quando nos permitimos olhar, ver o estágio de tudo, imaginar se poderemos um dia voltar a acompanhar o resto. Mas não precisamos seguir o todo, apenas ser parte importante dele; certeza que vem com o tempo.

Aprendamos com as lágrimas, pois homens humanos choram, demontrando para si e para o mundo que o peso é grande demais, mas que nunca será impossível de ser superado. Choremos nossas tristezas e alegrias, como a criança que aprende e se desenvolve, monstrando agora não ao mundo, mas a nós mesmos, que a maturidade nos virá com certeza e, neste momento, juntos choraremos, banhando o mundo com nossas lágrimas, de emoção pelas vitórias alcançadas, inconsoláveis, admirados diante de tamanha beleza, porque teremos entendido o nosso papel e agora não mais o quanto somos pequenos, mas o quando fomos, e o quanto estaremos, então, incalculavelmente grandes.

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