terça-feira, 9 de outubro de 2007

Espelho

É algo realmente curioso como o mundo é simples para uns e complicado para outros. Não, a relação direta entre existência de dinheiro e felicidade não é válida, porque muitos sem problemas financeiros simplesmente não conseguem ser felizes, enquanto outros, que teriam tudo, segundo nossa ótima materialista, para reclamar da vida e parar no tempo, parecem viver em um verdadeiro e constante paraíso.

Acorde e sorria para o espelho. Qual será a reação dele? Experimente agora uma cara feia. O espelho nos reflete, tanto nas coisas boas quanto nas ruins. Olhe para ele e se perceba gordo, magro, com algo errado e assim será. Visualize um deus ou uma deusa, cuja beleza e felicidade transcendem nossa imaginação, e o espelho lhe dará.

Neste ponto, ele chega bem próximo à lenda da lâmpada mágica. Curioso, inclusive, que se o espelho estiver embassado, a imagem será distorcida, precisando de um lustre, tal qual a lâmpada. Mas a imagem depende do gênio que mora no espelho, cujas atitudes acontecem à nossa imagem e semelhança. Daí, então, que para arrumar a imagem do gênio, arrumamo-nos primeiro, obrigatoriamente.

Mas à primeira vista parece algo meio abstrato, porque temos o costume de olhar para o espelho sem ser para filosofar. Apenas arrumamos o cabelo, talvez um batom, vez ou outra ficamos contentes com o que vemos, e vamos embora. Agora, de forma bem clara e perceptiva, analise o que você tem feito no mundo, com o mundo e para o mundo.

Chegamos, olhamos para ele, talvez façamos algo para embelezá-lo, mas somente superficialmente, como um batom, e podemos até nos admirar com alguma coisa bonita que vemos, mas simplesmente nos vamos, sem mudar nada de verdade, sem conseguir olhar para ele e ver que ele nos reflete.

Somos descuidados, porque tal qual a imagem no espelho, nossa vida é boa ou ruim por nossa conta. Tudo tem dois lados, e quem precisa lustrar o espelho e escolher ver-se lindo não é o mundo à nossa volta, porque mesmo ele tem dois lados. Escolhamos nós, e o mundo nos acompanhará tal qual uma imagem refletida, mesmo que apenas para nós.

Um dia todos conseguiremos entender essas coisas simples e os sorrisos em frente ao espelho não precisarão ser forçados. Até lá, não espere que os outros lhe compreendam quando você sorrir sozinho porque entendeu a beleza oculta de algo. Lembre-se: quem ri por último não ri melhor, perde tempo precioso para movimentar os músculos do rosto e rejuvenescer, porque a beleza, a infância, a juventude, é uma imagem que escolhemos refletir em um espelho nosso, que talvez tenhamos que desembassar para ser límpido; e teremos. Sorria!

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