sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Dia das kianças!

Não costumo escrever sobre datas comemorativas porque, na sua maioria, fogem ao propósito deste blog. Mas este dia tem algo de mágico, de especial, porque significa não apenas a lembrança de uma boa fase, mas muitas coisas que estão em falta e que precisam ser lembradas.

Comecemos pela hipótese de que não estamos aqui pela primeira vez e não será a última. Neste caso a criança simboliza uma nova oportunidade; para fazer melhor! Se considerarmos que estamos aqui apenas uma vez, também simboliza o início de uma longa caminhada rumo a algo que pode ser bom.

A criança representa, também, uma possibilidade; alias, muitas! Geralmente é referência sobre o futuro, sobre como ele pode ser bom ou ruim e como pode ser modificado positivamente. Aqui aparece como esperança, como algo que pode ser ou não a solução para os problemas, causados pelos erros do homem ao longo dos séculos.

Criança também significa pureza, simplicidade, e tantas outras coisas que nos ensinam como deveríamos nos tratar e nos relacionar. Quando se diz que uma criança não mente, significa afirmar que ela é um ser puro demais para já ter sido contaminada pelos erros adultos, sendo por isto uma fonte inesgotável de observações para um aprendizado sobre as relações humanas, tão discutidas em livros administrativos.

Mas a criança, hoje, também nos lembra insensibilidade, irracionalidade, crueldade, e tantas outras coisas ruins. Não lembramos sobre ela, mas sobre nós, adultos ignorantes que continuamos a cuidar de forma cruel de nossos bens mais preciosos. Ao nosso redor muitos são os casos de mortes, mals tratos e tantas outras coisas que nos dão a certeza de que precisamos amadurecer e não apenas crescer ou envelhecer.

Mas, no geral, as crianças lembram coisas boas e justamente por isto vale a pena escrever sobre elas. Precisamos entender a importância de todas as fases, mesmo que elas já tenham passado. Não somos o todo sem as partes, sendo incompletos se na tentativa de selecionar apenas as partes aparentemente mais agradáveis.

Somos o todo, mas precisamos lembrar que só o somos se nos permitirmos olhar para trás e entender que tudo tem sua função, e que as experiências que vivemos, boas ou ruins, nos fazem melhores, desde que procuremos entendê-las e assimilá-las. Ao nosso redor, vários adultos congelados, frutos não de uma infância ruim, mas de uma transição que não os permitiu manter velhos hábitos, como o sorriso e a alegria infantil.

Sejamos, pois, como as crianças, porque delas será o reino dos céus! Não, não confunda! Os céus não pertencem aos pequenos, mas aos que, assim como o exemplo da tenra idade, se fazem humildes, sinceros, puros e realmente preocupados quando alguém cai ao seu lado, não para construir redes de relacionamento, mas para se colocar à disposição como uma mão verdadeiramente amiga, disposta a tudo para reerguer o caído, sem pedir nada em troca.

Assim são as crianças: anjos disfarçados tentando nos ensinar a sermos bons, a nos mostrar que podemos ser bons e a nos deixar claro que, por mais que tentemos endurecer o mundo e a vida, eles sempre nos darão provas de que a simplicidade infantil é o melhor remédio para os males que criamos todos os dias, pelo simples fato de acharmos que algumas coisas são "coisas de criança".

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