domingo, 7 de outubro de 2007

Beleza

Corpos esculturais, rostos angelicais, anjos perfeitos monumentos à perfeição. Telas perfeitas, pintadas sob uma inspiração indescritível, dignas da mais pura lágrima de admiração. A natureza, dos animais, das plantas e dos homens, mesmo não compreendida em sua aparência às vezes retorcida. Tudo belo, tudo inspiração; mas que contraste!

Somos doutrinados, ensinados que o vermelho é o vermelho e o belo não é o feio. Então crescemos e mudamos nossos conceitos por perceber que não são nossos e, admirados, por serem incompletos. E começamos a notar que o vermelho, dependendo de seu tom e luminosidade, pode ser laranja, e que o belo depende muito mais de um estado de espírito do que de uma simples constituição física.

Beleza é algo que se busca desesperadamente há séculos, mas pelas facilidades de se reconstruir e se moldar seguindo exemplos deturpados, hoje é motivo de alteração em massa. Desesperado pelo tempo que não falha, o ser humano sai em busca de padrões com os quais foi doutrinado e continua ainda sendo, almejando algo em cuja essência falta o belo, objetivo primeiro de tanto sacrifício.

Beleza é algo tão relativo quanto a sua definição; ou não. As puras lágrimas de encanto ao quadro perfeito não falham e não dependem de revistas, estátuas e passarelas. A pureza que trazemos em nós mesmos identifica o belo naturalmente, o que não o restringe à casca. Temos em nós a percepção de visualizar o todo, o núcleo, transcedendo a capa do livro e chegando ao centro da história.

Larguemos nossa ânsia por mudanças desnecessárias e admiremos o natural, para que continuemos nos surpreendendo com o quão belas as pessoas podem ser, à medida em que conhecemos o quão boas elas se mostram. E isto, o caráter, a alegria interior, a essência positiva do ser, não aparece nas fotos, mas gera as lágrimas, em transes de pura incompreensão sobre como alguém pode ser tão simples e tão encantador ao mesmo tempo!

Plásticas, cirurgias, preocupação desmedida com padrões de beleza inalcançáveis; sejamos sensatos! A maioria de nós vai morrer como seres de encantadora beleza, dependendo apenas de nós. Entretanto, a grande maioria de nós nunca vai ser capa de revista de moda, porque magreza de passarela não é algo natural. Somos belos como somos, razão pela qual sempre achamos nosso par do sapato.

Mudanças, alterações visando o belo, são fundamentais, mas as façamos da forma correta. Estimulemos nossos sentidos com ações, com atitudes corretas e sinceras, gerando beleza de sentimentos, que possa ser facilmente copiada. A reestruturação do ser humano precisa ser interior, porque assim como a educação, é o que levaremos. Não nos prendamos ao físico, porque nada mais é do que uma capa, uma máscara imperfeita que, na hora certa, será retirada. E aí, dependendo da transformação que empreendemos no núcleo, teremos a verdadeira beleza; ou não.

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