quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Comportamento

Chegamos a um estágio em que o homem não mais pode se dar o luxo de ficar parado, o que com certeza não se restringe ao trabalho. Marketing já não é algo restrito ao mercado corporativo, tendo, entre suas variações, um pessoal, um profissional e um de rede, além de tantos outros. Somos obrigados a nos movimentar, a estabelecer relações, agir pelo nosso sustento, manutenção e, inclusive, para garantir que não deixemos trabalho para os outros quando daqui partirmos.

E nisto resta um resultado claro: problemas, dos mais diversos, geralmente sob a etiqueta de depressão e suas extensões. Irritabilidade, cansaço, indisposição, impaciência e por aí vai; coisas que nos atrapalham nos mais diversos setores de nossa vida, porque em todos eles somos convidados de forma não muito opinativa a lidar com outros seres humanos que, não poucas vezes, estão na mesma situação.

Lembre de algum momento em que reclamava de algo. Agora volte a este momento e procure analisar em volta e verá que muitos faziam o mesmo. Infelizmente o progresso nos tirou o sono e a tranquilidade, pelo simples fato de que não nos preparamos para ele; não da forma adequada. Não aprendemos que ferramentas são meios, não o fim, e que não precisamos nos sentir um lixo quando perdemos algo ou alguém, porque faz parte.

Este ambiente de constante competição tem nos dado a falsa idéia de que somente alguns podem vencer e que seremos perdedores se não estivermos sempre no topo. De forma lógica, como pensar em vencedores sem perdedores, e vice-versa? É tudo parte de uma coisa só, uns colaborando com os outros. Não existem vencedores, mas sim os que se sobressaíram mais, porque, afinal de contas, ninguém consegue colocar uma empresa no topo sem seu corpo de funcionários operacionais.

É preciso mudar o foco, entender que as coisas são seqüênciais, que acontecem a seu tempo e que vitórias vêm e vão. Precisamos entender que o dinheiro é parte do todo e não ele em si. E que amigos, parentes, desconhecidos, são seres humanos com os quais precisamos conviver, sempre em harmonia. É isto que nos livra da depressão, não remédios. Porque antes de buscarmos o bem precisamos estar bem, mas é preciso que também para isto, trabalhemos.

Desacelere, respire, olhe à volta. Leia um livro, brinque com seus filhos, coma algo gostoso e pare para sentir o frio, o calor, uma brisa. Tudo à sua volta está lá para ser aproveitado, da melhor forma possível e não como parte do caminho para o trabalho ou para casa. Muitos fazem planos para o futuro, mas não se perguntam até quando estarão aqui. Como se diz, viva todo dia como se fosse o último e quem sabe um dia você acerta.

Não é um modo fatalista de pensar, mas sim uma compreensão de que por mais correria e competição que haja, ninguém ficará para semente, como diriam os mais velhos. Então, porque juntar milhões somente para si? Você não dará conta de gastar tudo sozinho, é fato! Junte sorrisos, junte amigos, familiares felizes por ter sua companhia e faça coisas agradáveis, porque assim o estresse e a depressão vão embora e você aumenta sua qualidade de vida. Mas lembre-se, assim como no trabalho, o sucesso nesta empreitada rumo a você mesmo, só depende de você!

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Nós

Olho à minha volta e vejo tudo; vejo nada! Tudo parece mudar o tempo todo, sem que eu consiga acompanhar. As coisas acontecem, continuam se alternando; coisas boas, coisas estranhas que não consigo entender. Parece que estou só, busco ajuda aqui, ali, todos se foram. Penso assim, penso diferente, penso do meu jeito, e não parece o bastante, parece que ninguém me acompanha.

Sensação estranha esta! Parece que somos todos diferentes, e somos! Olho as coisas, as pessoas e não me identifico nelas, como se eu não fosse daqui, como se não fossemos do mesmo lugar. Mas e aí? O que fazer se sou tão diferente ou se ninguém se assemelha a mim? É como se eu estivesse solitário na multidão, sem apoio ao redor das pessoas que mais me importam e que mais deveriam se importar comigo.

Orgulho que me consome, me coloca no topo, no centro das atenções como eu acho que deveriam ser. Orgulho inexplicável que não consigo controlar e me consome, que me faz ver que só eu tenho meus problemas e o resto, bom, o resto é resto e não pareço me importar tanto. Assim eu continuo, e vejo todos estranhos, todos pensando diferente, não agindo como eu acharia o certo.

Mas espere; olho à volta. Estranho também, mas parece que começo a ver nas pessoas falhas minhas, ou espelho minhas falhas nelas. Não sou tão forte, não sou tão fraco, começo a me ver mais igual. Problemas? Tenho muitos, mas eles têm também, mas posso me manter distante, achando que são só meus, ou ajudá-los como alguém quer me ajudar. Não estou mais tão só, porque percebo que somos iguais nos obstáculos; barreiras semalhantes mas completamente diferentes.

O orgulho já foi dominado, aparecem amigos, surgem pedidos de ajuda. A solidão se esvai junto com o trabalho, não aquele financeiro, mas o da alma, que ajuda os que precisam sem pedir nada em troca, mas que tras consigo um sorriso às vezes. Sorriso, sorrisos, e meu peito infla, mas não sei explicar. É uma sensação boa que toma conta de mim e me faz esquecer que um dia me achei esquecido e me faz integrar, me tornar parte do todo que sempre fiz parte, mas que não me dei conta.

Somos todos, somos um, cada um cada um, do jeito que consegue ser. Ninguém sozinho, apenas nos fazemos assim, como forma de auto-punição e de auto-orgulho, em uma atitude semelhante à de uma criança que quer atenção. Caminhamos sempre, exercendo nosso papel, sempre à espera, espera às vezes inconsciente, de alguém para ajudar. E podemos, temos como, temos as ferramentas que sempre nos ajudam.

A força? A força está conosco, e somos mais fortes do que imaginamos, mas não podemos nos mostrar fortes, não muito. Somos frágeis também, somos pouco também, porém muito, e assim nos mostramos, ajudando àqueles que precisam como meros ajudantes, sem nos colocarmos no topo. O topo? Aquele altar que o nosso orgulho criou? Abandonamo-lo e crescemos, e nos tornamos grandes e a solidão se foi.

sábado, 27 de outubro de 2007

O poder das palavras

Através delas ergueram-se impérios que figuravam apenas nas idéias dos maiores conquistadores. A força, por maior que seja, nunca consegue atingir a sutileza de alguns bem trabalhados dizeres, estes sim capazes de convencer e conquistar, como quem simplesmente convida para uma caminhada amistosa, sem imposição.

As palavras são a arma mais eficaz jamais inventada, capazes de mostrar a verdade, assim como simular o bem e o mal. Dominá-las, em todas as épocas, significou sempre ter o real poder, aquele que não pode ser outorgado por meios legais, mas que se espalha na velocidade da luz, dando ao seu detentor a capacidade de liderar os que anseiam por uma orientação.

Bem e mal, para os que não se dão o trabalho de pensar, são apenas colocações; termos floreados que levam muitos a seguir o caminho que os leva a uma falsa realização, que em grande parte das vezes não é sequer percebida, porque as palavras, essas armas brancas do homem sábio, elas são corretamente utilizadas e compreendidas por poucos.

Saber falar, saber escrever, expressar-se pelo meio da fala ou da escrita; até os analfabetos fazem isto! Sim, mesmo os analfabetos escrevem, compiladores dos pensamentos alheios. Ter o dom da fala e da escrita vai além, porque é preciso uma base racional, que a muitos inexiste e a outros é de exercício penoso.

O poder dar palavras não vem só, mas para ser alcançado precisa de preparo e de exercício constante. Dominá-lo significa abrir as portas para o inimaginável, criando possibilidades ilimitadas para a realização de sonhos. O pensar, aliado ao refletir, possibilita transformar o simples pincel em ferramenta do belo, fazendo da simples junção de algumas letras o único meio para a ascenção do ignorante ao posto de sábio.

Reflitamos, pois, como temos tratado as palavras, pois podemos ser analfabetos sem o saber. Transformemo-nos em manipuladores e não em manipulados como a massa, porque só assim teremos a chave para empreender grandes feitos. O bem e o mal estarão, assim, ao nosso alcance, cabendo a nós, em nossa então sapiência, entender que o mal é mal não apenas para os outros, mas para todos; para nós mesmos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Momentos

Existe uma "teoria" que preconiza a inexistência do presente. De forma lógica, existem as coisas que já fizemos e as coisas que estão por vir; entre elas um momento quase instantâneo, se considerarmos que à medida que as coisas são realizadas, passam a se incluir no instante passado. Desta forma, o tempo tido presente não passaria de uma ilusão, ou algo tão efêmero que não pode ser tomado como foco principal.

Pensando assim, fica uma conclusão simples: ou vivemos presos ao passado ou presos ao futuro. Levando-se em consideração a lei de causa e efeito, tem-se que o que vemos hoje é resultado das escolhas e atos passados. Desta forma, focando no que se vê, naquilo que nos parece real e imediato, estamos ancorados a tudo quanto fizemos em nossas atitudes que já se foram.

Olhar à frente implica em acreditar no que ainda não chegou, nas coisas que não foram realizadas e que, somente por isto, são incertas demais. Além disto, pensar no futuro nos leva a necessitar de estímulos contínuos, para que consigamos manter os objetivos em coisas que talvez nem tenham sido criadas.

Parece algo meio fora do comum mas, de forma resumida, resta-nos duas possibilidades: aceitar o que já foi ou criar o nosso próprio destino. Simples, não? Nem tanto! A maioria de nós recebeu uma educação que diz que as coisas sempre foram de um determinado jeito e precisam continuar assim. Alguns poucos foram doutrinados quanto à quebra de barreiras, de forma que o futuro, para eles, se torna um universo de possibilidades ilimitadas.

Preconceito, desigualdade, guerras, desemprego, desilusão amorosa e tantas outras coisas negativas são detalhes que já se passaram. Coisas boas também, porque já se foram e novas precisam ser recriadas. Pense o quanto esta "teoria" é positiva, porque torna o futuro responsabilidade apenas nossa, resultado de nossos próprios esforços e das atitudes que venhamos a tomar.

Assim, acaba-se a predestinação, o carma ou qualquer outra denominação que alguém venha a inventar. Passamos a decidir vivermos focados nas construções que podemos empreender no futuro, ou nas coisas, certas ou erradas, que fizemos antes. Podemos seguir em frente ou lamentar o que se foi, mas uma coisa fica certa nesse caminho, que o presente é apenas um conjunto de momentos, tão rápidos e instantâneos que, quando nos damos conta, eles já passaram, e aí fica a dúvida: olhar para trás ou dar o próximo passo?

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Siga o coração

Algumas vezes parece que o mundo gira ao contrário; ou simplesmente não conseguimos acompanhá-lo. As coisas acontecem à nossa volta e não conseguimos fazer algo que nos coloque na roda novamente, no círculo contínuo que nos aproxima dos outros. Nessas horas grande parte de nós se fecha, como uma ostra. Criamos barreiras intransponíveis até para nós mesmos, tornando impossível uma reação.

Nessas ocasiões, por pior que estejam todos ao nosso redor, parece tudo dar certo para eles, o contrário do que acontece conosco. Todos reclamando de suas vidas medíocres e sem sentido, mas para nós parece que eles têm a chave do paraíso. Inexplicavelmente, conseguimos ver soluções claras para todo mundo, menos para nós mesmos! Trabalharíamos, nessas horas, como o melhor dos orientadores profissionais e pessoais.

E aí alguém chega e nos fala que só depende de nós. Mas como? Como acreditar que apenas uma atitude isolada pode movimentar todo um sistema, se ele é formado de partes completamente interdependentes? Difícil assimilar algo tão inusitado. Mas aí começamos a perceber que um "oi" amigável nosso se propaga muito além de seu alvo inicial e que essa interdependência sempre precisa começar em algum lugar, e que este passo pode ser o nosso.

Analisando o sistema como um todo, vemos que exercemos nossa parte nos processos à nossa volta, e acabar com a nossa introspecção pode ser a parte que falta para que alguém deixe de reclamar, conseguindo alcançar tudo o que jamais sonhou. Deixamos, pelo orgulho e egoísmo, de fazer o nosso papel e assim algo deixa de ser realizado, causando problemas, porque tudo se relaciona.

Mas qual passo tomar? Para qual direção recomeçar a caminhada? Um antigo conselho popular, nos diz para que sigamos nosso coração. Nada romântico, se pensarmos que ele é o responsável pelas nossas sensações, por nos dizer se nos sentimos bem ou mal fazendo algo. Há poucos dias vi um músico ex-bancário dizer que mesmo não ganhando o mesmo, se sentia realizado. Dinheiro não é tudo quando se faz o que se gosta.

É preciso saber fazer o que se gosta, e fazer. O tempo vai passar de qualquer jeito um dia, assim como as oportunidades. E aí pensaremos no beijo que tivemos vontade mas não demos, nos chocolates que engordavam, então deixamos de lado, no vento que desarrumava o cabelo no carro, então subimos o vidro, e na decisão que deixamos de tomar, e o tempo passou! Nessa hora entenderemos o que significa "seguir o coração", mas o tempo restante não será suficiente para recuperar o tempo. Então, quando se sentir só, sem saber o que fazer, qual decisão ou direção tomar, simplesmente siga o coração, e faça aquilo que lhe faz sentir bem. Dinheiro, fama, reconhecimento, talvez a pessoa amada? Tudo virá naturalmente, porque seu brilho será visto à distância.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Lágrimas

Existem momentos em que o corpo não consegue assimilar uma determinada emoção, um sentimento, quando o tempo parece congelar e um mero instante se transforma em um conjunto de passado, presente e futuro de aparência infinita, forçando nossa estrutura a um imenso esforço de auto-controle, impotente tentativa de evitar que transbordemos em meio a tamanha intensidade de sensações, causando as lágrimas, expressão máxima da sensibilidade humana.

Lágrimas demonstram fortaleza; expressam nossa capacidade de entender o que nos circunda, captando as impressões do meio, das pessoas e das várias experiências que nos ensinam a ser. Talvez não consigamos compreender, mas o corpo sente e se manisfesta. Por mais que tentemos demonstrar ao mundo que somos imunes às suas belezas e mazelas, acabamos por nos desnudar, frente a uma realidade inevitável de que tudo tem um começo, um meio e um fim, e diante disto tudo continuamos a existir, melhorando-nos a cada novo passo.

Sensações boas, ruins, indiferentes. Existem momentos em que nos desligamos, não entendendo o que deu errado, ou como pode ter dado tão certo. Sentimentos nessas horas são mistos de encantamento, admiração por como as coisas podem ser tão distintas e tão iguais, nos trazendo à tona um passado distante, que insiste em nos mostrar como tudo volta, se não fizermos o que nos cabe.

Fomos, somos e precisamos ser, sob a pena de encontrar encruzilhadas, que inevitavelmente aparecerão, mas nas quais nos colocaremos em posição passiva, de observador, sem condições de dar o próximo passo, até que consigamos nos retirar do transe. Nessas ocasiões as lágrimas nos banharão, continuamente, procurando nos livrar do peso de ser algo que nos incomoda, como ponto de esperança a nos dizer que podemos ser grandes, desde que o sejamos.

Não basta querer, não basta pensar e planejar, porque as coisas vão acontecendo sempre à nossa volta em uma velocidade incalculável, nos causando espanto quando nos permitimos olhar, ver o estágio de tudo, imaginar se poderemos um dia voltar a acompanhar o resto. Mas não precisamos seguir o todo, apenas ser parte importante dele; certeza que vem com o tempo.

Aprendamos com as lágrimas, pois homens humanos choram, demontrando para si e para o mundo que o peso é grande demais, mas que nunca será impossível de ser superado. Choremos nossas tristezas e alegrias, como a criança que aprende e se desenvolve, monstrando agora não ao mundo, mas a nós mesmos, que a maturidade nos virá com certeza e, neste momento, juntos choraremos, banhando o mundo com nossas lágrimas, de emoção pelas vitórias alcançadas, inconsoláveis, admirados diante de tamanha beleza, porque teremos entendido o nosso papel e agora não mais o quanto somos pequenos, mas o quando fomos, e o quanto estaremos, então, incalculavelmente grandes.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Família

Uma família é como uma empresa. Juntam-se dois sócios, resolvem construir algo juntos, surgindo disto algum produto, bom ou ruim. Parece um jeito meio frio de se fazer referência a algo tão importante mas, afinal de contas, tem gente que a chama por instituição. A verdade é que falta a muitos a esperança necessária neste grupo, que ajudaria tanto a corrigir vários dos nossos problemas.

Engana-se quem acha que a educação começa na escola. A criança vai para os bancos letivos quando já tem uns três ou quatro anos, assimilando muita coisa antes disto. Seus conceitos primeiros sobre relacionamento, sociedade, carinho, amizade e tantos outros surgem das impressões que têm daqueles que são seus contatos logo após seu nascimento.

Os pais, assim como os irmãos e outros parentes, têm assim uma responsabilidade fundamental em formar não apenas a base de conhecimento de uma pessoa, mas o seu caráter. Por mais informações que alguém tenha, elas não serão capazes de tornar uma pessoa íntegra, correta, se isto não vier do início. Em alguns casos acontece uma auto-reflexão que gera uma mudança mas, geralmente, o modo de ser é algo transmitido desde o berço.

A família não é algo falido, porque senão já teria deixado de existir. Ainda vemos muitas bem estruturadas, e outras nem tanto, e como nas empresas, o produto fica melhor ou pior fruto desta organização, deste planejamento e do clima melhor ou pior que se instala em função das várias decisões que precisam ser tomadas. Como nas organizações, quando falta dinheiro a coisa pode ficar ruim, desde que haja o despreparo necessário para isto.

Realmente dinheiro não é a causa de tudo. Assim como sexo em um relacionamento, é apenas um termômetro, capaz de testar o preparo dos envolvidos em se manter tão maduros quanto se dizem, mostrando aos que os assistem como lidar com estas situações difíceis. Neste caso, os espectadores são filhos em constante aprendizado, levando para a sociedade as várias lições que tiveram, boas ou não.

Portanto a família é uma escola, sem os bancos e os livros, mas que estimula a ler, a ser e a querer melhorar as coisas. Não só foi, como continua sendo a instituição mais importante da sociedade, cuja base não tem que ser religiosa, como se acreditou muito tempo, mas moral e ética, algo que transcende as crenças dirigidas pelos homens. Assim, quando constituir uma família, tenha a consciência de que vários dependerão de você e de seus exemplos, e tenha a certeza de que eles serão propagados; bons ou ruins.

domingo, 21 de outubro de 2007

Inspiração

Deixe aflorar do coração. Parece um conceito simples, uma instrução meio básica, mas que não conseguimos entender e muito menos seguir, na maioria das vezes. Os sentimentos são ainda muito incompreendidos, daí o fato de muitos não se entenderem, não conseguindo externar em palavras e gestos o que vai por dentro.

Passamos a vida buscando motivação externa, em belezas recomendadas, tristezas comentadas, sem entender porque nos emocionamos nos momentos em que estamos mais desligados. A razão é simples: nestes momentos somos nós. Existem determinadas coisas que não podemos buscar no ambiente que nos circunda, pela simples razão de que dependem do interior.

Nossa educação não nos estimulou a isto. Encontre alguém com uma educação voltada para o desenvolvimento e compreensão de si e certamente se surpreenderá com a capacidade desta pessoa de criar, de construir determinadas coisas que você julgaria impossíveis. Olhe para dentro, pois lá estão armazenadas as melhores inspirações.

Nos foi dado o péssimo hábito de invejar os poetas, os atores e os artistas em geral. Admiramo-nos com sua sensibilidade, com sua facilidade para externar emoções, quase sempre nos auto-impondo a idéia de que nós nunca poderemos fazer algo semelhante. Ledo engano! Somos únicos dentro do todo, mas todos com um potencial ilimitado de criação.

Não busque o sentimento, sinta. Não busque a inspiração, inspire-se. Não ache, por conta do que lhe falam os pessimistas, que somente os momentos ruins nos dão a introspecção necessária para criar coisas profundas, porque poucas coisas são tão intensas quanto o amor, cuja significação positiva não tem tamanho.

Inspiração não é algo que pode ser estimulado de forma externa, por mais que lhe digam que sim. Sentir o meio, deixar que as impressões externas lhe alcancem a plenitude, só é possível quando o interior se desliga de tal forma das convenções que se permite inovar, se deixa entender que algo a mais pode ser inserido em nossa pequenes.

Sente em um banco de uma praça, feche os olhos e sinta o vento, os sons, perceba as cores, as pessoas e a quantidade de beleza à sua volta. Supreenda-se porque nada mudou no ambiente desde que você chegou; você mudou! Agora faça o mesmo com o resto do tempo, em seus relacionamentos, no trabalho, com crianças, animais e tudo. Verá como as coisas ficam mais simples, mais verdadeiras e muito melhores.

Inspiração é algo simples, algo que vem de dentro, que reage com o meio e nos mostra que algo pode ser bom. E quando estamos tristes, permitindo esta mesma abertura, inconscientemente nos deixamos algo bom, uma lição de que essa tristeza é um meio, um caminho para o nosso amadurecimento, que nos deixará mais fortes e mais abertos, para que possamos, sem medo, abrir nosso coração ao meio e, como as crianças e os apaixonados, inspirar-nos.

sábado, 20 de outubro de 2007

Individualidade

Muito se fala sobre o social, pouca atenção ainda se destina ao indivíduo. Apesar de algumas iniciativas, sobretudo comerciais, a preocupação com as diferenças de cada um não é tão grande, o que dá a base para que a cultura de massa permaneça, levando as pessoas a um danoso comportamento padrão, distante de uma reforma pessoal necessária que nos garanta as melhorias necessárias no ambiente e nas pessoas.

O ser humano não pode ser tratado somente como grupo; não o tempo inteiro. Ele é grupo quando reunido para atividades que demandam participação de várias pessoas ou quando analisado regionalmente mas, em todos esses casos, é preciso entender que a participação de cada um não acontece da mesma forma e com a mesma intensidade.

Individualidade é algo que garante a diversidade de nossa raça, seja na aparência, ideais ou nível evolutivo. O fato de não sermos iguais nos garante que nossas idéias sejam distintas, assim como nossos anseios, minimizando o impacto da utilização de recursos, tornando-os, sob vários aspectos, ilimitados.

Se todos pensassem da mesma forma, fossem da mesma forma e, inclusive, fossem tratados da mesma forma, como sugerem algumas teorias sobre completo igualitarismo, não precisaríamos nos preocupar com melhoria de condições, desenvolvimento de novas matérias primas, meio de transporte e toda uma gama de coisas novas inventadas todos os dias. Estando bom para um, estaria da mesma forma para o restante, o que não reflete a realidade.

Assim sendo, é preciso entender que o ser humano não é um conjunto de mentes pensando para a mesma direção, levando-nos à preocupação não apenas com a individualidade, mas com a nossa individualidade. Desta forma, conseguiremos entender as diferenças de raças, credos e formas de convívio, por mais estranhas que nos pareçam e, sobretudo, respeitá-las.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Pedras

Hoje utilizamos um termo que nos remete ao início da civilização: Idade das Pedras. Significa dizer que estamos vivendo no passado, meio atrasados, arcaicos ou algo do gênero. Mas na época foi uma evolução e tanto! Armas, utensílios domésticos e tantas outras coisas já foram feitas de pedras. Mas podem ser pedras no sapato apenas; coisas inúteis.

Como tudo nessa vida, as pedras assumem diversos significados, positivos e negativos. Além disto, participam de vários ditados, como aquele sobre a água, que acaba furando a pedra pela persistência. Pode implicar dureza, mas também uma resistência aparente, porque são feitas de diversos materiais. Interessante notar que em tudo dito até agora, somos semelhantes a elas.

Alguns de nós insistem em não evoluir, em seres frios, duros; resistentes desnecessariamente. Outros se permitem mudar e transformam sua dureza em sustentáculo para si e para os outros, transformando-se em pedras de fundação, formando uma base sólida, tal qual uma rocha sobre a qual se constrói uma casa resistente.

As pedras não são nada sozinhas, tal qual o ser humano. Precisam ser empregadas em algo, conjuntamente com outras pedras e, também, outros materiais. Um diamante sem alguém para avaliá-lo não passa de uma pedrinha; alias, precisa ser alguém que entenda sobre ele. Quantos de nós somos sub-avaliados, porque faltam olhares críticos com conhecimento para nos entender a essência?

Pedras, seres humanos, construções, inatividade. Somos bem parecidos, desconsiderando a parte em que as pedrinhas não pensam na vida enquanto estão paradas. Bom, se analisarmos bem, acho que nós também não. Vemos a água passando, a vida passando, e ficamos lá, parados, esperando que o tempo nos mude em algo útil, ou que alguém nos ache e consiga nos moldar. Ingênuo engano.

As pedras têm esta vantagem, pois não precisam se preocupar com transformações, sendo apenas transformadas. Nós não! Precisamos aprender com o tempo e aprender coisas boas, úteis, que nos façam melhores e mais duros, mas uma dureza de segurança, de confiança e outras coisas que nos dêem base para transformar, para criar, para desenvolver verdadeiras maravilhas com uma simples pedra, como uma casa, um prédio, uma ponte e por aí vai.

A pedra será sempre pedra mas, e nós? Sim, é verdade! Seremos sempre seres humanos em transformação, rumo à perfeição. Isto é fato e não há como fugir disto! Seres dinâmicos que não param à beira da estrada como uma pedrinha que ali observa a paisagem. Seres transformadores que, por isto, precisam exercer seu papel, porque senão algo deixa de ser feito.

Sejamos pedras sim, mas como as dos degraus de uma escada, por exemplo, já transformada e que sustentam a subida de alguém. Sejamos pedras, mas como as de uma barragem, que evitam catástrofes. Sejamos pedras, mas o façamos de tal forma que, quando lembrarem de nós, o farão delimitando o tempo, como uma Idade das Pedras, porque assim, mesmo que nosso tempo passe, teremos deixado nossa contribuição para que o futuro seja possível, porque as coisas acontecem, mas sempre é preciso o primeiro passo antes do segundo, e isto também não muda e não mudará.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Línguas

O termo língua é utilizado no português para definir várias coisas, como uma parte do corpo humano. Também assume uma significação de conjunto de caracteres, idéias, vocábulos e até mesmo a interpretação destes, comuns a um povo, permitindo que as pessoas se comuniquem, se façam entendidas mutuamente.

O termo mútuo pressupõe reciprocidade, ou seja, envolve mais de uma pessoa ou, usando uma expressão popular, uma via de duas mãos. Para que uma língua se faça compreendida, é preciso então que as duas ou mais pessoas envolvidas tenham o necessário conhecimento dela, para que as idéias possam ser transmitidas sem ou com um mínimo de interferência, de forma a evitar o entendimento errôneo da mensagem passada.

Parece meio teórico, mas o problema é que esses ruídos de comunicação acontecem o tempo inteiro, quando falamos a mesma língua, como a portuguesa. Não se trata de diferentes dialetos, como variações regionais, mas de incompreensão por fatores alheios à estrutura formal da língua portuguesa em si.

Já reparou como não conseguimos nos entender em vários momentos de nosso convívio social? Reuniões em empresas, discussões de namorados, amigos e por aí vai. Curiosamente os animais nos entendem, como um cão ou um gato. E olha que nem precisamos usar palavras com eles. Interessante! Analisemos este ponto.

Nos comunicamos com os animais por gestos, olhares e, principalmente, sentimentos. Quando isto acontece, quase sempre não estamos tentando convencê-los de nada, não temos a intenção de impor nosso ponto de vista. E aqui mora o detalhe básico: imposição. Em nossos diálogos corriqueiros, transformados em monólogos egoístas, queremos sempre impor o que pensamos, sem nos preocuparmos com o que a outra parte pensa ou tem a dizer.

Contrariando vários provérbios populares, como aquele que diz que temos dois ouvidos para ouvir mais do que falar, preocupamo-nos apenas em falar, desesperadamente, desligando a parte no nosso cérebro responsável por nos dar a certeza de que não estamos sempre certos e que é meio loucura simplesmente pensar isto.

O problema não é a formalidade da língua, mas sim o nosso lápis e o nosso papel, que escrevem tudo borrado. Pior ainda, precisamos de óculos e de aparelhos auditivos, para corrigir nosso problema de cegueira e surdez frente aos problemas dos outros. Quem foi que disse que precisamos estar sempre certos?

Sentimento. Sentir algo ou alguém dispensa letras. Olhares, gestos, os mesmos que nos fazem comunicar com perfeição com os animais, transformam nossa Babel cotidiana em um paraíso de pessoas de várias nacionalidades, credos e certezas, comunicando-se perfeitamente. A língua? Esta ainda é importante, até que consigamos nos moldar para dispensar as letras.

Mas ainda vai um tempo, porque até que consigamos nos comunicar a contento sem símbolos, precisaremos melhorar muitas coisas, algumas das quais não temos nem o início da compreensão sobre elas. Façamos pois, enquanto isto, uma boa utilização de nossa língua, deixando de lado nossas certezas em estarmos certos, para ouvir, refletir e nos comunicar com perfeição, porque este ato simples nos economiza diversos problemas.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Jardim

Existe uma teoria de que devemos cuidar do nosso jardim, ao invés de sair correndo atrás de borboletas, porque, desta forma, elas virão naturalmente, junto com sabiás, abelhas e todo o resto de criaturas que em conjunto são responsáveis por uma significação de vida dinâmica à nossa volta.

Geralmente, quando se pensa nessa conotação poética das coisas, naturalmente convertemô-la para o lado físico, preocupando-nos em fazer uma dietazinha, malhar um pouco, escolher uma roupa e um perfume adequados. Desta forma, saímos ao mundo com uma superprodução, e uma cara amarrada em função dos outros problemas que carregamos, estragando todo o preparo prévio.

Um belo jardim não começa a ser preparado pelos botões de rosa, porque eles são o fruto de um bom cuidado. É preciso preparar a terra, fornecer água e nutrientes necessários, retirar as ervas daninhas, entre outras coisas, tudo isto antes mesmo de se proceder à semeadura. Tudo floresce no terreno adequado, sob as condições certas. A mais bela rosa murchará, se colocada apenas em um copo com água e deixada lá.

Se voltarmos nossa análise para nós mesmos, veremos que o sorriso é a mais clara expressão da nossa felicidade sendo, portanto, apenas uma conseqüência. É preciso desenvolver determinadas coisas que o tornem possível, de forma espontânea, fazendo-nos belos mesmo com uma gordurinha a mais. Problemas pessoais, profissionais, familiares e tantos outros nos impedem de sorrir ou, na melhor das hipóteses, nos dão um sorriso incompleto.

Mas não é só. Diz-se também que ter inveja, ciúmes, desejar qualquer mal aos outros é comparável a tomar um veneno desejando a morte alheia. Assim, para garantir as flores do nosso jardim interior, precisamos cuidar dos sentimentos que nos fazem mal; eliminá-los aos poucos, de forma gradativa e duradoura, tal qual alguém que faz regime não apenas perdendo peso, mas transformando hábitos, de forma a garantir a permanência das alterações.

Assim, seguindo tais recomendações, conseguiremos preparar nossa terra. A paz interior virá naturalmente, acompanhada inevitavelmente de uma sensação de bem estar que nos trará uma aparência externa suave, fornecendo-nos, com tudo isto, a base necessária para que consigamos não apenas sorrir de forma completa, mas sentir o sorriso e fazer com que os outros sintam.

As borboletas, os passarinhos, as abelhas em busca do nosso mel? Virão todos naturalmente. Os homens e as mulheres? Encontrarão em nós a paz. As crianças e os velhos? Sorrirão conjuntamente conosco, encontrando em nós o porto seguro para uma renovação energética que só encontra a fonte em sentimentos de partilha social, cuja pureza dispensa descrições, pois precisa ser sentida.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Humildade

Dentre todas as coisas que precisamos desenvolver, com certeza a humildade é algo que foge ao nosso controle e a cuja benéfice não estamos acostumados a nos entregar. Não me refiro aqui ao rebaixamento interesseiro, fruto de nossa ganância e de interesses puramente materiais, mas sim de um sentimento de entendimento sobre nossas reais limitações.

Ser humilde, muito erroneamente interpretado, não implica em se fazer pequeno, desprezando, assim, as próprias qualidades em prol do elevamento de outrém. Esta característica está mais relacionada ao fato de percebermos que, por mais preparo que tenhamos, ainda estamos longe da perfeição e isto, somente, já seria o suficiente para entendermos que não temos motivo algum para a própria exaltação.

A humildade não vem sozinha, mas acompanhada de empatia, sinceridade, amor e tantas outras coisas que nos fazem agir com desprendimento, livres de uma constante busca por conflitos sociais, profissionais e de tantos outros tipos, nos quais nos colocamos em situações de constantes combates desnecessários, por conquistas perenes, que só serão lembradas por nós mesmos.

Não somos melhores e nem piores que os que nos rodeiam. Tão pouco podemos ostentar uma melhor capacidade para esta ou aquela tarefa, porque o tempo nos ensina que as coisas são assimiladas por todos a seu tempo, tornando a detenção de determinada habilidade uma mera conseqüência de um esforço individual, ao alcance de todos.

Assim sendo, todos um dia poderão possuir os dons que maravilham os olhos, as mentes e os corações, bastando para isto que se coloquem na posição de aprendizes constantes, tendo a clareza de que mesmo os mestres são constantes alunos.

Humildade é algo que precisa ser exercitado e tem nos feito falta. Tenhamos a certeza de que ainda somos crianças sob quase todos os aspectos, para que consigamos compreender a necessidade de nos apoiarmos, com simplicidade e desinteresse, tal qual fazíamos em nossa tenra idade, quando alguém caia ao nosso lado.

Sejamos simples, façamos o melhor, mas cientes de que não precisamos gritar ao mundo nossas façanhas, meros rabiscos indecifráveis frente às obras de arte à nossa volta. Um dia teremos o conhecimento, a experiência, a compreensão e o sentimento necessários para compreendermos o quão pequenos somos e o quão grande podemos ser, se em conjunto. Aí então, sob o teto de nossa mais perfeita angelitude, seremos singelamente e verdadeiramente humildes, entendendo seu significado, tal qual vários venerados de nossa história nos têm recomendado ser.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Medo

Quando se faz referência à palavra medo vêm à cabeça coisas ruins, como escuro, lugares fechados, solidão e outras coisas, dependendo de cada um. Não se procura, entretanto, compreender suas origens, para poder cuidar da fonte que o causa, ao invés de se evitar suas conseqüências.

A grande maioria dos casos que geram medo, para não dizer a totalidade, pode ser atribuída à falta de conhecimento sobre o objeto em questão. Sente-se medo do escuro, por não se saber o que pode ter lá ou de uma mudança de emprego ou cidade, porque não se tem a noção exata das experiências que serão vividas e suas conseqüências; apenas para citar alguns exemplos.

Diz-se também que o medo nos mantém alerta, servindo de proteção contra os possíveis perigos envolvidos em uma nova jornada. Pode-se, então, associando as duas coisas, chegar-se à conclusão de que um medo calculado acaba por ajudar a se conseguir chegar ao final proposto.

A ignorância sobre um assunto faz com que tenhamos a idéia errada sobre ele ou, pior, pode fazer com que tenhamos uma idéia sobre ele simplesmente porque outros também a têm. Neste caso nos transformamos em simples peças do jogo, conduzidas pelos que já adquiriram um conhecimento crítico.

O medo pode ser corrigido, minimizado, controlado. Leitura, reflexão, ver o mundo e as pessoas com olhos críticos, tendo base real para crítica fundamentada, é o primeiro passo para se conseguir isto. Assim como uma mudança interior, que começa com uma visão de como somos e depois sobre o que nos circunda, uma mudança de como vemos o medo precisa começar com uma avaliação sobre nós mesmos.

Sabendo o que somos, como somos e o que precisamos melhorar nos dá a base necessária para esta correção, transformando o medo em estímulo para seguir em frente, com a certeza de que os obstáculos não são intransponíveis, a não ser que coloquemos em nossa mente e coração que somos incapazes de crescer por nós mesmos.

domingo, 14 de outubro de 2007

Paciência

Calma, tranquilidade, educação e tantas outras coisas que denotam a presença de um estado de auto-controle são coisas fáceis de serem mantidas, desde que não haja estímulo externo. Uma pessoa que não tenha contato com o mundo e, principalmente, com as pessoas, não terá dificuldade de ter e manter estas características. Mas e quando somos obrigados a nos colocar a prova? Isto acontece o tempo inteiro.

São realmente muito poucas as situações em que ficamos completamente a sós, livres de qualquer provação de temperamento. Daí a necessidade de se desenvolver algo muito falado, mas pouco compreendido ou aplicado: a paciência. Dela depende nosso emprego, nossos relacionamentos e nossos projetos, sejam eles pessoais, profissionais ou de qualquer outro tipo.

A paciência nada mais significa do que se manter calmo, com total ou parcial auto-controle, mesmo diante de situações que nos causem desconforto ou, às vezes, indignação. Uma fila, um congestionamento, alguém que simplesmente parece não nos entender, como se falássemos em outra língua. Várias são as hipóteses de situações em que talvez pensemos em como alguém pode pensar tão diferente de nós.

Diferença. Somos únicos, o que nos dá a possibilidade de vários estágios de idéias, atitudes e comportamentos. A maioria de nós passará a vida toda sem encontrar alguém que lhe dê a sensação de "somos iguais". Nosso orgulho, acima de tudo, é responsável por achar que os outros precisam ceder aos nossos caprichos, à nossa forma de pensar e agir, ou simplesmente a ser como gostaríamos que fossem.

Paciência é algo que precisa de prática, que se desenvolve com o tempo. Implica em desenvolvermos determinadas características como humildade, auto-controle, empatia e tantas outras, que nos ensinam que não precisamos estar sempre certos e, principalmente, que cada um possui seu tempo para completar as mesmas tarefas.

É preciso que entendamos que não é necessário apenas esperar, como quem permanece em uma fila reclamando de tudo e de todos. Precisamos compreender que o tempo é muito mais do que uma seqüência de movimentos nos ponteiros do relógio, transformando nossa noção de tempo perdido em tempo hábil para que possamos desenvolver novas coisas, mesmo que simplesmente uma admiração pelo ambiente à nossa volta.

O caminho para nossa melhora passa por várias coisas mas, sobretudo, pela nossa habilidade de entender que as coisas acontecem no seu tempo, com sua intensidade, ao seu modo. Apressar as situações e pessoas só nos dá um resultado mais rápido e incompleto. Por isto, saibamos amadurecer ao tempo certo, exercitando esta característica que nos mostrará que tudo pode acontecer correto, mas precisa da maturação adequada.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Dia das kianças!

Não costumo escrever sobre datas comemorativas porque, na sua maioria, fogem ao propósito deste blog. Mas este dia tem algo de mágico, de especial, porque significa não apenas a lembrança de uma boa fase, mas muitas coisas que estão em falta e que precisam ser lembradas.

Comecemos pela hipótese de que não estamos aqui pela primeira vez e não será a última. Neste caso a criança simboliza uma nova oportunidade; para fazer melhor! Se considerarmos que estamos aqui apenas uma vez, também simboliza o início de uma longa caminhada rumo a algo que pode ser bom.

A criança representa, também, uma possibilidade; alias, muitas! Geralmente é referência sobre o futuro, sobre como ele pode ser bom ou ruim e como pode ser modificado positivamente. Aqui aparece como esperança, como algo que pode ser ou não a solução para os problemas, causados pelos erros do homem ao longo dos séculos.

Criança também significa pureza, simplicidade, e tantas outras coisas que nos ensinam como deveríamos nos tratar e nos relacionar. Quando se diz que uma criança não mente, significa afirmar que ela é um ser puro demais para já ter sido contaminada pelos erros adultos, sendo por isto uma fonte inesgotável de observações para um aprendizado sobre as relações humanas, tão discutidas em livros administrativos.

Mas a criança, hoje, também nos lembra insensibilidade, irracionalidade, crueldade, e tantas outras coisas ruins. Não lembramos sobre ela, mas sobre nós, adultos ignorantes que continuamos a cuidar de forma cruel de nossos bens mais preciosos. Ao nosso redor muitos são os casos de mortes, mals tratos e tantas outras coisas que nos dão a certeza de que precisamos amadurecer e não apenas crescer ou envelhecer.

Mas, no geral, as crianças lembram coisas boas e justamente por isto vale a pena escrever sobre elas. Precisamos entender a importância de todas as fases, mesmo que elas já tenham passado. Não somos o todo sem as partes, sendo incompletos se na tentativa de selecionar apenas as partes aparentemente mais agradáveis.

Somos o todo, mas precisamos lembrar que só o somos se nos permitirmos olhar para trás e entender que tudo tem sua função, e que as experiências que vivemos, boas ou ruins, nos fazem melhores, desde que procuremos entendê-las e assimilá-las. Ao nosso redor, vários adultos congelados, frutos não de uma infância ruim, mas de uma transição que não os permitiu manter velhos hábitos, como o sorriso e a alegria infantil.

Sejamos, pois, como as crianças, porque delas será o reino dos céus! Não, não confunda! Os céus não pertencem aos pequenos, mas aos que, assim como o exemplo da tenra idade, se fazem humildes, sinceros, puros e realmente preocupados quando alguém cai ao seu lado, não para construir redes de relacionamento, mas para se colocar à disposição como uma mão verdadeiramente amiga, disposta a tudo para reerguer o caído, sem pedir nada em troca.

Assim são as crianças: anjos disfarçados tentando nos ensinar a sermos bons, a nos mostrar que podemos ser bons e a nos deixar claro que, por mais que tentemos endurecer o mundo e a vida, eles sempre nos darão provas de que a simplicidade infantil é o melhor remédio para os males que criamos todos os dias, pelo simples fato de acharmos que algumas coisas são "coisas de criança".

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Espelho

É algo realmente curioso como o mundo é simples para uns e complicado para outros. Não, a relação direta entre existência de dinheiro e felicidade não é válida, porque muitos sem problemas financeiros simplesmente não conseguem ser felizes, enquanto outros, que teriam tudo, segundo nossa ótima materialista, para reclamar da vida e parar no tempo, parecem viver em um verdadeiro e constante paraíso.

Acorde e sorria para o espelho. Qual será a reação dele? Experimente agora uma cara feia. O espelho nos reflete, tanto nas coisas boas quanto nas ruins. Olhe para ele e se perceba gordo, magro, com algo errado e assim será. Visualize um deus ou uma deusa, cuja beleza e felicidade transcendem nossa imaginação, e o espelho lhe dará.

Neste ponto, ele chega bem próximo à lenda da lâmpada mágica. Curioso, inclusive, que se o espelho estiver embassado, a imagem será distorcida, precisando de um lustre, tal qual a lâmpada. Mas a imagem depende do gênio que mora no espelho, cujas atitudes acontecem à nossa imagem e semelhança. Daí, então, que para arrumar a imagem do gênio, arrumamo-nos primeiro, obrigatoriamente.

Mas à primeira vista parece algo meio abstrato, porque temos o costume de olhar para o espelho sem ser para filosofar. Apenas arrumamos o cabelo, talvez um batom, vez ou outra ficamos contentes com o que vemos, e vamos embora. Agora, de forma bem clara e perceptiva, analise o que você tem feito no mundo, com o mundo e para o mundo.

Chegamos, olhamos para ele, talvez façamos algo para embelezá-lo, mas somente superficialmente, como um batom, e podemos até nos admirar com alguma coisa bonita que vemos, mas simplesmente nos vamos, sem mudar nada de verdade, sem conseguir olhar para ele e ver que ele nos reflete.

Somos descuidados, porque tal qual a imagem no espelho, nossa vida é boa ou ruim por nossa conta. Tudo tem dois lados, e quem precisa lustrar o espelho e escolher ver-se lindo não é o mundo à nossa volta, porque mesmo ele tem dois lados. Escolhamos nós, e o mundo nos acompanhará tal qual uma imagem refletida, mesmo que apenas para nós.

Um dia todos conseguiremos entender essas coisas simples e os sorrisos em frente ao espelho não precisarão ser forçados. Até lá, não espere que os outros lhe compreendam quando você sorrir sozinho porque entendeu a beleza oculta de algo. Lembre-se: quem ri por último não ri melhor, perde tempo precioso para movimentar os músculos do rosto e rejuvenescer, porque a beleza, a infância, a juventude, é uma imagem que escolhemos refletir em um espelho nosso, que talvez tenhamos que desembassar para ser límpido; e teremos. Sorria!

domingo, 7 de outubro de 2007

Beleza

Corpos esculturais, rostos angelicais, anjos perfeitos monumentos à perfeição. Telas perfeitas, pintadas sob uma inspiração indescritível, dignas da mais pura lágrima de admiração. A natureza, dos animais, das plantas e dos homens, mesmo não compreendida em sua aparência às vezes retorcida. Tudo belo, tudo inspiração; mas que contraste!

Somos doutrinados, ensinados que o vermelho é o vermelho e o belo não é o feio. Então crescemos e mudamos nossos conceitos por perceber que não são nossos e, admirados, por serem incompletos. E começamos a notar que o vermelho, dependendo de seu tom e luminosidade, pode ser laranja, e que o belo depende muito mais de um estado de espírito do que de uma simples constituição física.

Beleza é algo que se busca desesperadamente há séculos, mas pelas facilidades de se reconstruir e se moldar seguindo exemplos deturpados, hoje é motivo de alteração em massa. Desesperado pelo tempo que não falha, o ser humano sai em busca de padrões com os quais foi doutrinado e continua ainda sendo, almejando algo em cuja essência falta o belo, objetivo primeiro de tanto sacrifício.

Beleza é algo tão relativo quanto a sua definição; ou não. As puras lágrimas de encanto ao quadro perfeito não falham e não dependem de revistas, estátuas e passarelas. A pureza que trazemos em nós mesmos identifica o belo naturalmente, o que não o restringe à casca. Temos em nós a percepção de visualizar o todo, o núcleo, transcedendo a capa do livro e chegando ao centro da história.

Larguemos nossa ânsia por mudanças desnecessárias e admiremos o natural, para que continuemos nos surpreendendo com o quão belas as pessoas podem ser, à medida em que conhecemos o quão boas elas se mostram. E isto, o caráter, a alegria interior, a essência positiva do ser, não aparece nas fotos, mas gera as lágrimas, em transes de pura incompreensão sobre como alguém pode ser tão simples e tão encantador ao mesmo tempo!

Plásticas, cirurgias, preocupação desmedida com padrões de beleza inalcançáveis; sejamos sensatos! A maioria de nós vai morrer como seres de encantadora beleza, dependendo apenas de nós. Entretanto, a grande maioria de nós nunca vai ser capa de revista de moda, porque magreza de passarela não é algo natural. Somos belos como somos, razão pela qual sempre achamos nosso par do sapato.

Mudanças, alterações visando o belo, são fundamentais, mas as façamos da forma correta. Estimulemos nossos sentidos com ações, com atitudes corretas e sinceras, gerando beleza de sentimentos, que possa ser facilmente copiada. A reestruturação do ser humano precisa ser interior, porque assim como a educação, é o que levaremos. Não nos prendamos ao físico, porque nada mais é do que uma capa, uma máscara imperfeita que, na hora certa, será retirada. E aí, dependendo da transformação que empreendemos no núcleo, teremos a verdadeira beleza; ou não.

sábado, 6 de outubro de 2007

Idéias

Idéias são coisas soltas, são pensamentos desconexos que se juntam para formar algo. Informações que aos poucos vão se aglutinando ou são conectadas em função de atitudes, eventos ocasionais ou ocasionados, que estimulam a mente a produzir, a criar. Mas idéias não passam disto, a não ser que se transformem em produção.

Idéias, ideais, pensamentos precisam de prática, cuja incoerência pode invalidar um livro inteiro, um belo discurso, vazio em sua essência de se mostrar verdade, porque seu autor se esqueceu de suas próprias idéias.

Idéias são convencimento, amostras de que algo pode ser melhor, pode ser feito melhor, pode gerar resultados mais produtivos ou, simplesmente, pode não ser nada daquilo em que todos acreditam. Porque as idéias são essência de transformação; poderosas alavancas para que o mundo levante ou caia no esquecimento e na inércia.

Sim, não são nada se não forem antes, durante e depois, porque para existirem precisam não apenas do criador, mas que este acredite nelas e as viva, como alguém que se entrega ao desconhecido sem a certeza de quando encontrará o final do caminho, mas com uma falta absoluta de dúvidas de que lá ele se encontra.

Tenha idéias, mas não se deixe ter dúvidas quanto a elas se resolver colocá-las em prática. Não cometa o absurdo de discursar sobre o que pensa, para virar as costas e fazer o contrário depois dos aplausos. Abrace seus ideais, porque sua existência depende deles. Tenha sua forma única de pensar, porque isto o deixa vivo. Mas não pense apenas, só por pensar, porque, assim, suas idéias serão apenas idéias.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Sociedade

O ser humano, atendendo à sua necessidade de convívio com outros de sua espécie, organiza-se em grupos, cujos interesses e objetivos são comuns. Delimitados pelo espaço geográfico, acabam por desenvolver um modo de convívio, com características específicas que incorporam os ensinamentos deixados pelos mais antigos, acrescendo-os de novos aprendizados, o que acaba sendo chamado por cultura.

Estes conglomerados de homens e mulheres, seriam apenas um grupo de pessoas que chegam, atendem às suas necessidades e se vão, sem nenhuma responsabilidade pela manutenção de sua existência. Entretanto, desta forma teríamos um espaço de passagem, onde o desenvolvimento de novas estruturas, teorias e projetos estaria seriamente comprometido.

Desta forma, são desenvolvidos padrões aceitáveis de comportamento, dentro aos quais os integrantes precisam se submeter, sob a pena de se tornarem uma ameaça ao grupo e serem coagidos a deixá-lo. A este agrupamento organizado, que visa não apenas a existência mas sua contínua manutenção, dá-se o nome de sociedade.

De forma direcionada, encontramos várias sociedades isoladas, desenvolvendo suas atividades, em graus de maior ou menor evolução, avaliação esta que se manteria, não fosse a interação entre os grupos formados. Assim como se admitem regras para que indivíduos existam em um grupo, é importante definir regras para que os grupos coexistam de forma harmônica, evitando assim atitudes predatórias.

Neste cenário, agregado ao constante crescimento populacional que obriga uma expansão geográfica, encontramos o surgimento de vilas, cidades, países, continentes e, numa consideração ampla, uma grande e única sociedade, admitida como sociedade global, pertinente a todo o planeta Terra, submetida à lei natural.

Esta definição parece simplista, o que não deixa de ter o seu fundo de verdade mas, para a forma, este cenário é realmente simples. A exemplo de outras espécies na natureza, existem as comunidades de indivíduos comuns e as demais, cujos integrantes aparecem como predadores ou presas, mas que têm sua função no todo, mantendo o equilíbrio do ecossistema.

O ser humano difere em um ponto, entretanto: nosso convívio, nossa sociabilidade, não prevê apenas intenções de sobrevivência, como alimentação e abrigo. Temos, em nossa constante necessidade por ambientes melhores, desejos e vontades que se fazem presentes em múltiplos âmbitos, como relacionamento, trabalho, desenvolvimento de personalidade e mesmo aspectos super estimados, como aparência e estética.

O equilíbrio na natureza se estabelece por uma razão de quantidade de seres de cada espécie, executando suas atividades. O homem, no entanto, não possui uma relação direta de consumo por indivíduo de sua espécie. Como possuímos características bem diversas, assim como potencialidades variadas, um só ser pode ser responsável pelo consumo equivalente ao de toda uma tribo, comparativamente.

Assim sendo, a sociedade humana passa a ter que se preocupar não apenas com comportamentos predatórios ligados à alimentação, mas também com a forma como as escolhas individuais interferem em si e no todo, porque são muitas, várias e completamente imprevisíveis.

As regras estruturais de manutenção do grupo, portanto, viram leis de convívio responsáveis por garantir que a evolução adquirida seja mantida e, além disto, ampliada, de forma a oferecer aos seus integrantes a certeza de melhorias ao longo do tempo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O novo

Quantas vezes nos deparamos com algo que foge completamente das crenças que temos, ou melhor, que nos ensinaram? Em quantas situações somos obrigados a colocar em questionamento a veracidade e, mais do que isto, o caráter inquestionável de conhecimentos que foram embasados por anos de comprovação prática e que, de repente, mostram-se incompletos para explicar as coisas mais simples?

Nestas situações estamos diante de algo novo, mas não necessariamente que tenha surgido no exato instante em que o percebemos. Cada um possui um estágio de compreensão das coisas, também chamado por estágio evolutivo, dando-nos, no tempo certo de cada um, a base necessária para que nos lancemos em mundos e desafios ainda não explorados pela nossa mente e pelos nossos sentidos.

Não se trata de estar certo ou errado, mas sim de se permitir um maior número de caminhos possíveis para se demonstrar como as coisas funcionam. Mais do que isto, significa aumentar a gama de conceitos aceitáveis ou não, mas com conhecimento de causa, para que não se cometa o erro imperdoável de criticar por criticar, movido apenas pela imposição da crença de terceiros.

O ser humano se molda com o tempo de acordo com sua capacidade de raciocínio; de pensar sobre o que aprende, para apreender o que lhe convém e mais lhe parece adequado. Todavia, se não houver sobre o que refletir, não será possivel tirar conclusões completas ou com um mínimo de lógica e senso crítico.

Conhecer o mundo não significa aceitá-lo de forma cega, tampouco abandonar o que em nosso íntimo parece o mais correto, no atual. Entretanto, para que nos permitamos dar o próximo passo, é necessário abandonar a letargia do conforto, que nos deixa tão certos de que o que temos é bom, que nos impede de sermos melhores.

Novos conhecimentos não são necessariamente bons ou úteis, assim como novas experiências nem sempre trazem bons resultados, como as drogas. Mas saber que as drogas nos fazem mal ajuda a formular um conceito sobre o tema, podendo entender de forma mais dinâmica e coerente o porquê das campanhas contra elas. Levantar-se contra um problema sem condições de debatê-lo com argumentos lógicos é a mesma coisa que se deixar conduzir pelas culturas de massa, sejam elas políticas, religiosas ou comportamentais.

É preciso, pois, aceitar o novo, mesmo que com cautela ou restrições, mas isto apenas se você não quer ficar para sempre no conforto de sua comodidade. Se o pouco que possui lhe agrada, então deixe que os outros conquistem o mundo. No seu tempo certo você perceberá que os conquistadores cresceram e você ficou. Neste momento você estará pronto para abandonar o preconceito e se permitir ser verdadeiramente grande.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Desafios

Alguém já lhe disse que dificuldade, assim como o calor, é algo psicológico!? Bom, deixando de lado as brincadeiras que acompanham esse tipo de comentário, é fato que geralmente nos subestimamos e aumentamos o grau de dificuldade das coisas, quando nos aparece um novo desafio; pelo menos a maioria de nós. A outra pequena parcela provavelmente está com a conta do banco cheia neste momento.

Temos as ferramentas, isto é fato! Por mais incompletos que pareçamos ser, seja isto significando algo físico, mental ou psicológico, já possuímos o necessário para os próximos passos, sejam eles quais forem. Como se diz, uma longa caminhada precisa sempre começar com o primeiro passo, não importando quantos sejam.

Lembro-me de um filme da Xuxa, apesar do exemplo não ser dos mais culturais, quando ela se depara com um muro enorme, impossível de ser transpassado. Com os conselhos de uma sábia lagarta (xixa), que era até engraçadinha, ela percebe que o muro era bem menor, sendo apenas uma questão de como analisar sua importância enquanto desafio a ser vencido.

Está certo, eu poderia ter usado algo mais elaborado, mas afinal de contas, o objetivo principal de um ensinamento é que ele seja aprendido, não importando tanto se o conteúdo diz respeito à bolsa de valores, aos ensinamentos filosóficos de um estilo de vida ou de uma simples lagartinha sorridente de um filme direcionado às crianças.

Temos o péssimo costume de exigir coisas elaboradas para ensinamentos complexos. Perde-se, assim, a essência simples das coisas, que residem em praticamente tudo. As crianças passam por ensinamentos de convívio social em um parquinho de diversões tão importantes e significativos quanto um relacionamento matrimonial na idade adulta.

E todo este preparo, anterior aos obstáculos que surgem, nos dá a certeza de que podemos dar o próximo passo. Machado de Assis foi autodidata, e apesar de isto significar uma ausência de educação formal, é ainda hoje lido com admiração por muitas mentes cultas e privilegiadas, estimulando discussões infindáveis sobre a essência de seus escritos.

Somos muito mais do que percebemos, pelo simples fato de que somos muito complexos para sermos compreendidos pelos menos de 5% que utilizamos do nosso cérebro. Assim sendo, não é preciso ter a certeza da tarefa completa, mas a confiança nos passos que serão iniciados.

Desafios aparecem o tempo inteiro e nos cabe decidir entre ficar olhando e dar o primeiro passo. Não se admire de forma invejosa dos que deram este passo e se deram bem. Nem tenha pena dos que o deram e não conseguiram ainda chegar ao fim, porque eles aprenderam muito e este amadurecimento tem um grande valor. Apenas faça o seu. Siga seu coração e ande, assim será motivo de orgulho e de crescimento, para si e exemplo para os outros.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Razão

"Razão é a faculdade de raciocinar, de apreender, de compreender, de ponderar, de julgar.(Wikipédia)"

Façamos uso da ponderação, pois não adianta ser somente sábio; é necessário saber o que fazer com o conhecimento adquirido. Utilizemos o julgamento, porque nem tudo o que vem aos lábios precisa necessariamente ser dito, notadamente se não contiver nada de útil aos demais sentidos. Compreendamos que, mais do que transmitir conhecimentos, sempre transmitimos idéias associadas a eles.

Sempre nos perguntamos como nos devemos portar nas várias situações que a vida nos oferece. Em um tipo delas, temos a oportunidade de falar ou calar, como possibilidade de fazer o bem ou não. Falar não significa apenas emitir sons, neste caso, sendo sim um meio para emitir pareceres, opiniões e idéias que podem ser seguidas, sejam elas boas ou não.

Junto ao poder de fazermos algo, vem a responsabilidade pela forma como as coisas são feitas. Neste ponto não é só bom ser racional, e não é bom ser apenas racional. Algumas coisas, por mais racionais que pareçam, nunca serão perfeitamente analisadas sem o sentimento. Razão não é algo para ser colocado de forma isolada, simplesmente pelo fato racional de que não somos apenas animais racionais, mas sim sentimentais, que se sentem e sentem o mundo.

Palavras e atitudes nos geram a certeza de que estamos fazendo algo certo ou errado. Quando proferí-las? Quando agir? A sapiência nos ensina que o mais ignorante de todos os seres pode se fazer sábio, calando-se. É muitas vezes preciso ouvir, ouvir-se, calar-se e emudecer o impulso puro e simples de se pronunciar. Como diria alguém muito importante para mim "muito ajuda quem não atrapalha". Ajudará a alguém? É preciso ser dito? Sejamos racionais, com sentimento.

Historicamente a razão não caminha de forma tão clara com os sentimentos, mas gera o encantamento destes em sua plenitude. Por mais racionais que sejam os cientistas, em algum momento surpreendem-se com a magnificência de determinadas criações, cujo conteúdo e idéia original supera todas as barreiras imagináveis.

O nascer do sol, para uma criança, é maravilhoso, assim como a sensação do vento batendo no rosto em uma manhã de brincadeiras. Esta criança, ao crescer, passa a entender como o sol se levanta e como o vento se move, possuindo, assim, a razão da existência de ambos. É preciso, então, que não morram as sensações, persistindo apenas a razão. Despertando-se para os sentimentos novamente, agora com o conhecimento das coisas, a antes criança maravilha-se com o levantar do sol e com o vento, ciente de como acontecem, encantando-se, mas em sua plenitude.

O crescimento, o desenvolvimento, a maturidade e tantos outros nomes que denominam a evolução do ser, remetem à aquisição de conhecimento e discernimento, com o preparo necessário para utilizá-los. Em todos os momentos, é preciso que façamos uso de nossa razão adquirida, procurando proferir palavras que realmente edificarão algo ou alguém. Às outras, cuja roupagem é denominada por fofoca, disse me disse, boatos, maledicências e tantas outras denominações, presenteemo-nas com o nosso sábio silêncio.

No exercício do transmitir racional, transformemo-nos em sábios, espalhando as boas informações e os bons sentimentos. Preparemo-nos para o dia em que, tal qual a criança que cresceu em sua plenitude, poderemos olhar as coisas simples à nossa volta e não apenas sentí-las, mas sentir o qual magníficas são, sabendo do motivo que as leva a ser grandes, fazendo-se tão humildes, na certeza de que assim também poderemos nós, quando formos perfeitos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Velocidade

A gente acelera e começa uma viagem. Novas paisagens vão surgindo, novas pessoas e, à medida que se anda para frente, coisas novas vão acontecendo. Subidas, descidas, curvas e uma infinidade de outras paisagens vão surgindo à nossa frente, nos fazendo direcionar para o caminho final. E em determinado momento viramos a cabeça e percebemos que também há as paisagens aos lados.

A gente corre, pensando sempre em alcançar o fim da viagem, terminá-la logo e poder descansar, rever as pessoas queridas que deixamos para trás. A nossa pressa, entretanto, faz com que as paisagens que moram ao lado deixem de ser vistas. Olhamos à frente, às vezes caminhos já conhecidos, e ficam as coisas que passaram no retrovisor.

E lá está: montanhas, cerrado, lagos, natureza e, sim, novos caminhos; tudo ao lado! Mas e a velocidade? Em excesso nos faz perder tudo isto! Deixamos para trás como se não nos importasse, pois estamos focados demais. Perdemos oportunidades, pessoas queridas, possibilidades de conhecer coisas e pessoas novas, mas a pressa não nos deixa nem perceber tudo isto!

E um dia, movidos pela curiosidade, acabamos pegando um caminho novo, em um desses momentos em que reduzimos o ritmo. Quantas maravilhas nos surgem, quantas belezas que estavam lá o tempo todo e não tentávamos nem virar a cabeça para vê-las! Antigas novas situações, que sempre existiram e que apenas esperavam que nós reduzíssemos a velocidade, para poder pegar a próxima entrada, que passaria despercebida em mais uma das muitas descidas da vida.

O fim é importante, não há duvidas, e é preciso alcançá-lo, mas e o durante? Às vezes nos preocupamos tanto em chegar que aceleramos demais, passando por paisagens, situações e pessoas que nos acrescentariam muito, sem aproveitarmos disto tudo. Em nossa desesperada vontade de chegar ao fim, não nos damos conta de que muito pode ser compartilhado no meio do trajeto.

Novas experiências, muitas situações e a certeza de que o que ficou para trás não se perdeu, mas contribuiu para que cheguemos ao nosso destino não apenas cientes de que chegamos bem, mas certos de que valeu a pena. E aí um dia, quando alguém nos perguntar sobre o que passamos durante a viagem, não responderemos apenas que chegamos, mas poderemos contar sobre tudo, com detalhes que somente exploradores conseguiriam, saudosos pelas telas e sentimentos que se transcorrerão nesse momento em nossa mente e em nossos corações.