terça-feira, 25 de setembro de 2007

Luz

Claridade, direção, conhecimento; são várias as interpretações do termo, notadamente em nosso rico catálogo de sinônimos denominado lingua portuguesa! Aqui tentarei direcioná-lo para algo próximo de esclarecimento, principalmente ligando-o à nossa temporária jornada na Terra. Neste aspecto, assume um direcionamento por vezes religioso, mas, neste caso, tentarei me manter distante de ideologias, visto ser assunto de longos diálogos e exposições filosóficas altamente parciais, tão desnecessárias para a sincera e producente reflexão sobre as coisas do mundo.

Antes que me crucifiquem pela última opinião, acho prudente esclarecer que, agora sob o meu ponto de vista, para mim uma reflexão realmente construtiva e produtiva deve ser feita livre de preconceitos, distante de doutrinas massificantes, que têm por intenção convencer o maior número de pessoas, sem que para isto elas precisem pensar. Acho o direcionamento de massa algo prejudicial não somente ao indivíduo, mas a toda a sociedade.

Dito isto, vou utilizar-me de algo ainda no estado natural, para seguir com o tema proposto. A natureza, em sua simplicidade e complexidade simultâneas, nos fornece material de análise para todos os casos do cotidiano, cuja análise comparativa nos permite uma menor revolta quanto aos obstáculos que nos aparecem ao longo do tempo.

Assim como na vida, na natureza existem seres altamente especializados para viverem o tempo todo sem qualquer ponto de iluminação. É curioso analisarmos, entretanto, que nos dois casos estes seres são mais simples, não demonstrando grandes parcelas de construtividade para si ou para o meio. Vivem, sobrevivem, mas apenas passam por aqui e por ali, cumprindo seu papel de apenas fazer parte do cenário.

Aos demais, que fazem uso da luz em algum período, parece existir uma tendência, mesmo que mecânica, de modificar o meio, exercendo significativo papel na manutenção do que os circunda. No caso do homem, basta imaginá-lo com um livro nas mãos, cuja leitura só será possível na claridade; fora dela será tido apenas como um objeto de forma mais ou menos definida.

Disse-me uma amiga que uma análise comparativa do homem com a natureza é algo relativamente frio mas, o que é o homem senão um ser da natureza? À parte da nossa inteligência, que de forma orgulhosa insistimos em constantemente ostentar, somos parte do meio, utilizando-se dele e exercendo papel transformador. Para nos compreendermos é imperativo que o compreendamos, aprendendo a entender porque as coisas acontecem.

Nascimento, crescimento e morte, são atividades tão naturais quanto o nosso pensar e, neste ponto, a luz para a humanidade é a percepção real de como as coisas acontecem. Entender que bem e mal, luz e escuridão, vida e morte, são opostos que andam juntos, nos dá a certeza de que somos mais frágeis do que pensamos, ao mesmo tempo que podemos ser mais fortes do que jamais conseguimos imaginar. Além disto, nos dá a certeza de que podemos escolher, sempre.

A luz, o esclarecimento necessário para que consigamos nos direcionar para o caminho correto da vida, ainda está oculta a muitos, que se especializaram nas trevas e que, por mais alterações que façam ao meio, permanecem sem criações significativas. Temos o costume de esquecer das interpéries com o tempo, sorrindo pelos momentos bons que passamos. Assim também ocorre e continuará acontecendo com os da escuridão, que com o tempo entenderão que a luz os guia melhor.

A luz, no fim do túnel, na próxima porta, no próximo. Ela se faz presente à nossa volta, nos livros, nas religiões, na natureza. E ao me perguntar onde buscá-la, respondo-te que em tudo isto, mas, principalmente, passando tudo isto pela peneira do eu e da razão, para que o conhecimento e o esclarecimento venham de dentro para fora, deixando de ser assuntos impostos como cultura de massa e manipulação, fazendo-nos luzes, para que possamos, um dia, orientar os que estão ainda, mas não para sempre, na escuridão.

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