sábado, 1 de setembro de 2007

Assistência Social

Em um mundo cheio de desigualdades, é imperativo que se tenha a preocupação das classes mais privilegiadas com as que ainda não dispõem de recursos suficientes para a garantia do básico necessário para a sobrevivência e para a vivência adequada em uma sociedade em plena e constante evolução. Diante disto, cabe a reflexão sobre a atitude correta frente aos problemas existentes, tanto pelas classes mais abastadas quanto pelo próprio governo.

Em um país que sobrevive às custas da politicagem, programas como o polêmico Bolsa Família deturpam a idéia de ajuda social, inserindo-se na velha ótica popular de entregar o peixe sem ensinar ninguém a pescar. Ações como a esmola social e econômica, com o simples intuito de "fazer a minha parte", não trazem benefícios diretos e nem tão pouco indiretos, para uma economia em expansão, necessitada de estímulos dos capitais público e privado.

Estamos inseridos hoje em uma sociedade desprovida de senso crítico em sua quase totalidade, moldada por uma minoria que detém o capital intelectual, que vai além da assinatura de um nome para se considerar alfabetizado. Meios de comunicações cada vez mais abrangentes, como TV e rádio, ao invés de cumprir seu papel de instrutores da massa, se capitalizam às custas do dinheiro público, e do público, utilizando as mazelas sociais como pano de fundo para seus circos, na falta do pão intelectual.

Sejamos coerentes; vejamos o erro nas chamadas políticas sociais, cujo impacto emergencial se transforma em chaga de médio e longo prazos. Entregar recursos sem esforços transforma a preguiça que já é chamada de cultura em padrão nacional, levando à estática de pensamento que faz encobrir a falta de investimentos reais na melhor política social: a educação.

Transformemos os recursos entregues aos que não os merecem por mérito de trabalho, em recursos destinados à criação de empreendimentos reais, gerando trabalho, dignidade e a certeza de edificação de lares. Façamos como poucos, que ensinam as soluções simples para a seca, a fome e a miséria, utilizando-se dos vastos conhecimentos que nossa humanidade já possui. Não é preciso dar de graça a quem consegue produzir; façamos, pois, com que todos consigam prover o próprio sustento.

Preocupar-se com a falta de ética, roubos, discursos floreados de palavras desconexas na boca daqueles que lapidam o patrimônio público é necessário, mas não tão imperativo e necessário quanto fornecer ao povo o real bem público que lhe é de direito: o conhecimento. Assistência social não é nada, enquanto se propaga sua continuação como razão de sua existência. Ela precisa, e deve ser encarada como um meio, pelo qual a sociedade será cada vez melhor, tornando-se com o tempo, para as graças desta mesma sociedade, agora madura de suas responsabilidades, atividade cotidiana.

2 comentários:

Erica disse...

Parabens pela postagem clara e objetiva,sou estudante do Curso de Serviço Social e ainda tem muitas pessoas que não sabem que, para se tornar um profissional nesta area é preciso uma formação de 8semestres(4anos),e ainda não somos bem vistas como profissionais,ainda comparam como Madre Tereza de Calcuta(a moça boazinha que distribui cesta basica). Abraço

André Luís Chemet Kanso disse...

Escrevi um comentário e o sistema travou; nem tudo são flores! :)
Em três anos pouca coisa mudou, e a tendência não ajuda à motivação em ser crédulo por mudanças.
Mas ainda temos algumas pessoas que acham importante transformar conhecimento em produção.
Espero que você, como parcela restrita dessa sociedade, possa utilizar os conhecimentos acadêmicos nos ideais dos discursos de formatura; mas na prática!
É dificil? Claro, mas nunca impossível!