sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Potencial

Dizem que temos capacidade para sermos perfeitos, apesar de ainda estarmos bem longe disto. Interessante é analisar, entretanto, que se temos o potencial, podemos empreender, desde que removamos os entraves que nos impedem de exercer nossa força máxima. Quantos grandes da humanidade começaram pequenos e desconhecidos mesmo enquanto estavam vivos.

Imagine o melhor carro de corrida, o melhor instrumento para desenho, as melhores ferramentas. O que será tudo isto sem um ótimo piloto, artista ou o melhor em sua área para utilizá-las? Potencial implica em uma possibilidade de se exercer algo, de se desempenhar uma função da melhor forma possível, mas requer preparo.

Nunca ouvi falar de algum ótimo atleta que nunca tenha treinado. Muito pelo contrário, passam horas todos os dias aperfeiçoando seus movimentos, sua respiração, otimizando o conjunto para que ele possa atingir o máximo do seu potencial, posso alcançar o melhor de si mesmo.

Assim somos nós; todos! Somos ótimos artistas, ótimos oradores, ótimas pessoas e ótimos ouvintes. A questão é que a maioria de nós ainda não treinou o bastante ou apenas não adquiriu os conhecimentos necessários para utilizar bem as ferramentas que recebeu. Aprimore-se, porque assim pode tirar das ferramentas que tem algo que nunca imaginou ser possível.

Todos já passamos por situações em que literalmente damos um show. Retiramos coragem, auto-estima, desenvoltura e outras coisas para desempenhar atividades e atitudes que, depois nos fazem refletir como aquilo foi possível. Mas, se conseguimos uma vez, porque não sempre? O que nos impede? Sim, nós mesmos!

Exerçamos pois o nosso potencial em sua plenitude. Façamo-nos profissionais perfeitos para nossas ferramentas, coloquemo-nos como o mais perfeito dos seres e perceberemos que podemos ser, que temos potencial para isto. E um dia, quando formos perfeitos, não precisamos nos preocupar em ser, porque junto com a perfeição virá o entendimento de que não somos perfeitos apenas para nós mesmos e que o perfeito é para ser distribuído, assim como todas as coisas boas.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Detalhes

Quando olhamos um passarinho empalhado, parece-nos faltar alguma coisa, como se o normal não fosse ele ser daquele jeito; realmente não é. Falta-lhe o canto, o movimento, a delicadeza que só surge quando demonstra vida. Curiosamente nunca faríamos esta análise se o víssemos em seu habitat natural, voando e cantando todo contente.

Algumas coisas nos passam despercebidas, porque nos acostumamos a olhar o quadro inteiro, a obra completa, sem nos atermos às características individuais que lhe compõem. Aos que já tiveram a curiosidade de parar na rua e observar alguém pintando um quadro, um azulejo, possivelmente ficou a admiração de que um amontoado seqüêncial e aleatório de traços possa ter formado uma paisagem tão bela!

Os detalhes são pontos isolados que formam o conjunto. Sozinhos talvez não tenham tanta importância mas, assim como o passarinho sem canto, experimente fazer o homem sem sentimento. Cria-se, assim, seres incompletos, que passam o tempo destinado a criar fazendo coisas aleatórias e sem sentido, como se tentassem desesperadamente encontrar uma razão para si. O único jeito de os consertar é devolver-lhes o detalhe que lhes falta.

Interessante que em quase tudo conseguimos arrumar pontos incompletos: desenhos, quadros, uma casa, e mesmo coisas complexas, como um prédio inteiro ou um automóvel. Alguns detalhes, entretanto, fogem ao nosso controle, mas ao mesmo tempo dependem apenas de nós. A vida do nosso amigo pássaro ainda teria a beleza dos seus sons, caso alguém não o tivesse imobilizado como um adorno sem expressão. Os homens sem sentimentos podem ser consertados, mas o carpinteiro responsável por estas modificações mora no interior.

Não, não está lá naquela cidadezinha pequenina com poucos habitantes; não é este interior. Detalhes que nos faltam são completados por nós mesmos. O sorriso, a lágrima, o brilho nos olhos e a alegria de viver; tudo isto nos pertence, mesmo que não tenhamos à mão. Abrindo-nos ao que nos cerca, preocupados não apenas em ver o todo, mas as partes, conseguimos nos lapidar e gerar as características que alguns acham impossível termos.

Sensibilidade é algo que muitos reservam aos artistas. Mas o que é então a emoção que sentimos quando nos bate o vento no rosto, sentados olhando o que nos circunda, quando nos permitimos sentir? Somos tão complexos que os traços que nos compõem, para serem individualizados e consertados, requerem tempo. Não se pode esperar, assim, que consigamos nos permitir determinadas melhorias de uma hora para a outra, à exemplo de um pianista que não nasce com o dom para tocar e precisa de tempo para se refinar.

Detalhes, sim, porque a beleza oculta das coisas que nos parecem mais simples, mora neles. Sorrisos, lágrimas, pedaços de uma obra de arte em constante construção e elaboração, cujos artistas são seres isolados que não produzem sozinhos, cuja inspiração depende de uma aplicação constante das maravilhas que egoisticamente guardamos para nós mesmos. Detalhes, porque pássaros que nasceram para cantar, precisam colorir o mundo com suas melodias, ou perdem sua função natural.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Passageiros

Diz-se que um jovem uma vez subiu uma montanha para tirar suas dúvidas com um velho sábio que vivia em um casebre em seu topo. Ao entrar na casinha o jovem se admirou com a simplicidade do lugar, que possuía apenas uma cama cujo colchão era de palha, uma mesa, alguns livros e uma estante. Tiradas todas as suas dúvidas, o jovem questionou ao velho sobre o lugar, não entendendo como alguém com tanto conhecimento poderia ter tão poucas coisas.

O velho, em sua tranquilidade, respondeu ao jovem apontando à sua mochila, dizendo-o que ele também possuia somente ela; somente poucas coisas. O jovem então lhe disse que estava somente de passagem, por isto tinha apenas a mochila. E o velho lhe disse: "pois é, eu também".

Assim somos nós: passageiros. O tempo que ficamos aqui pode ser utilizado para várias coisas, sejam elas tirar curiosidades sobre assuntos sem importância, acumular pertences temporários ou realmente compreender as coisas. Entretanto, a exemplo do que dizem os pais sobre os estudos, o conhecimento é algo que ninguém consegue nos tirar, ao contrário das coisas materiais.

Faça então uma experiência, tentando acumular entendimento, compreensão e conhecimento sobre as coisas, ao invés de dinheiro, posses e outras coisas similares. Além disto, acumule amigos, afetos, gratidão sua pela vida e pelas pessoas, além de estimular gratidão delas por você; mas não espere nada em troca, porque pode não vir de imediato. Pode ser que as pessoas a quem você ajuda estejam muito ocupadas acumulando coisas materiais.

Mas um dia todos perceberemos quais sao as coisas realmente importantes, e as coisas que julgávamos passageiras, como o amor, passarão a ser eternas. Quando este dia chegar, espero poder estar entre os sábios no topo da montanha, vivendo na simplicidade e alegria características dos realmente sábios.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Luz

Claridade, direção, conhecimento; são várias as interpretações do termo, notadamente em nosso rico catálogo de sinônimos denominado lingua portuguesa! Aqui tentarei direcioná-lo para algo próximo de esclarecimento, principalmente ligando-o à nossa temporária jornada na Terra. Neste aspecto, assume um direcionamento por vezes religioso, mas, neste caso, tentarei me manter distante de ideologias, visto ser assunto de longos diálogos e exposições filosóficas altamente parciais, tão desnecessárias para a sincera e producente reflexão sobre as coisas do mundo.

Antes que me crucifiquem pela última opinião, acho prudente esclarecer que, agora sob o meu ponto de vista, para mim uma reflexão realmente construtiva e produtiva deve ser feita livre de preconceitos, distante de doutrinas massificantes, que têm por intenção convencer o maior número de pessoas, sem que para isto elas precisem pensar. Acho o direcionamento de massa algo prejudicial não somente ao indivíduo, mas a toda a sociedade.

Dito isto, vou utilizar-me de algo ainda no estado natural, para seguir com o tema proposto. A natureza, em sua simplicidade e complexidade simultâneas, nos fornece material de análise para todos os casos do cotidiano, cuja análise comparativa nos permite uma menor revolta quanto aos obstáculos que nos aparecem ao longo do tempo.

Assim como na vida, na natureza existem seres altamente especializados para viverem o tempo todo sem qualquer ponto de iluminação. É curioso analisarmos, entretanto, que nos dois casos estes seres são mais simples, não demonstrando grandes parcelas de construtividade para si ou para o meio. Vivem, sobrevivem, mas apenas passam por aqui e por ali, cumprindo seu papel de apenas fazer parte do cenário.

Aos demais, que fazem uso da luz em algum período, parece existir uma tendência, mesmo que mecânica, de modificar o meio, exercendo significativo papel na manutenção do que os circunda. No caso do homem, basta imaginá-lo com um livro nas mãos, cuja leitura só será possível na claridade; fora dela será tido apenas como um objeto de forma mais ou menos definida.

Disse-me uma amiga que uma análise comparativa do homem com a natureza é algo relativamente frio mas, o que é o homem senão um ser da natureza? À parte da nossa inteligência, que de forma orgulhosa insistimos em constantemente ostentar, somos parte do meio, utilizando-se dele e exercendo papel transformador. Para nos compreendermos é imperativo que o compreendamos, aprendendo a entender porque as coisas acontecem.

Nascimento, crescimento e morte, são atividades tão naturais quanto o nosso pensar e, neste ponto, a luz para a humanidade é a percepção real de como as coisas acontecem. Entender que bem e mal, luz e escuridão, vida e morte, são opostos que andam juntos, nos dá a certeza de que somos mais frágeis do que pensamos, ao mesmo tempo que podemos ser mais fortes do que jamais conseguimos imaginar. Além disto, nos dá a certeza de que podemos escolher, sempre.

A luz, o esclarecimento necessário para que consigamos nos direcionar para o caminho correto da vida, ainda está oculta a muitos, que se especializaram nas trevas e que, por mais alterações que façam ao meio, permanecem sem criações significativas. Temos o costume de esquecer das interpéries com o tempo, sorrindo pelos momentos bons que passamos. Assim também ocorre e continuará acontecendo com os da escuridão, que com o tempo entenderão que a luz os guia melhor.

A luz, no fim do túnel, na próxima porta, no próximo. Ela se faz presente à nossa volta, nos livros, nas religiões, na natureza. E ao me perguntar onde buscá-la, respondo-te que em tudo isto, mas, principalmente, passando tudo isto pela peneira do eu e da razão, para que o conhecimento e o esclarecimento venham de dentro para fora, deixando de ser assuntos impostos como cultura de massa e manipulação, fazendo-nos luzes, para que possamos, um dia, orientar os que estão ainda, mas não para sempre, na escuridão.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Caminhada

O primeiro passo e a jornada começa. Tal qual uma criança, ignorante sobre os detalhes da vida, seguimos deslumbrados, sem consciência de para onde vamos, porque vamos e quem nos acompanha, certos apenas de que o fim do caminho reserva uma recompensa boa.

A cada passo uma história, e vamos nos tornando mais sábios, entendendo melhor nós mesmos. Passamos a compreender que não apenas vamos pelo caminho, mas nos tornamos parte dele, compondo o sistema de influências que dá o ambiente necessário para que as flores cresçam, os animais sobrevivam e para que nossos companheiros de caminhada não se percam e não fiquem para trás. Eles também chegarão, mas os queremos perto.

Continuamos a conhecer o ambiente, mas vez ou outra aprendemos pela dor; espinhos desconhecidos, buracos imprevistos e animais, tão belos, verdadeiras feras que podem nos atrasar muito. Escolhemos pela curiosidade ou observação, pela experimentação indevida, inclusive do que já conhecemos, e assim vamos crescendo, sofrendo as conseqüências de nós mesmos.

Os que nos acompanham já viraram mestres e discípulos; aprendizes do caminho, de si mesmos e do resto, e assim seguimos juntos. A ignorância inicial aos poucos dá lugar à beleza de se compreender o porque o caminho é ao mesmo tempo belo e perigoso, pois isto nos fornece a força necessária para chegarmos ao fim. Entendemos que, como se diz, o que não nos mata realmente nos fortalece, e nesta força por muitas vezes carregamos os amigos de caminhada, agora irmãos, por longo período; e isto nos trás a paz.

O fim ainda requer longos passos, longos dias e noites, longas e proveitosas experiencias. Alguns que começaram juntos de nós e mesmo antes já chegaram, e agora cumprem seu papel de auxílio aos que estão indo. Continuamos, cada vez mais maduros e com uma bagagem cada vez maior, agora cientes de que realmente algo bom nos espera, mas que o caminho não apenas nos ensina, mas nos permite ensinar; e ajudar.

E a caminhada, que às vezes parece infinita, e às vezes, pela ignorância do começo, a alguns nem parece nada, vai se tornando tão nítida quanto um quadro real, pintado pela natureza e que nos deixa perplexos, extasiados pelo quão pequenos somos e pelo quão pouco sabemos, entendemos e compreendemos de tudo isto, de tudo o que compõe nossa edificante caminhada, cuja única e interior certeza, é de um bom final, onde nos encontraremos com os companheiros do caminho.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Maturidade

Maturidade ou, modificando um pouco o termo, idade madura, pode ser definido como o estágio em que atingimos a consciência de como as coisas realmente são, com o entendimento necessário para que possamos usufruir de forma plena das coisas que o ambiente nos oferece. Parece-me, contudo, meio restrito, se verificado de forma simples que a maioria das pessoas restringe este saber às coisas fisicamente mensuráveis.

Uma pessoa muito querida me disse que a inocência das crianças é algo que inevitavelmente se perde, devido ao amadurecimento. Analisemos, entretanto, que muitas características das crianças são utilizadas como exemplos por profissionais de diversas áreas. Se quiser andar corretamente, observe uma criança caminhando; se pretender se tornar um pesquisador, "copie" a percepção e curiosidade das crianças.

O que define o tempo de uma idade madura, portanto, senão um conjunto relativo de melhorias, presentes no corpo, mente e espírito? À medida que nos desenvolvemos em toda a nossa plenitude, começamos a entender não apenas as coisas à nossa volta, mas as sensações em nosso interior. Abre-nos o horizonte quanto às relações humanas e quanto aos vícios e qualidades presentes tanto em nós, quanto nos que estão à nossa volta.

Como tudo, entretanto, é preciso estar aberto às opiniões alheias, assim como às coisas que nos parecem mais absurdas mas que, em sua simplicidade complexa, guardam ensinamentos muito importantes. A inocência perdida das crianças, sua falta de malícia e a sua incompreensão pela forma como os adultos brigam entre si, precisa ser resgatada quando voltamos a ter a consciência sobre o mundo.

Crescer não é apenas deixar o corpo aumentar e depois se decompor lentamente. É imperativo cultivar o conhecimento e, principalmente, a sensibilidade. Maturidade é algo que não pode nunca ser atrelado à data de nascimento, pelo simples motivo de que a intensidade com que se vive e as experiências pelas quais passamos nos oferecem um material muito mais rico de análise, reflexão e modificação interior do que os anos que passam; porque eles passarão de qualquer forma.

Ao contrário das frutas, o homem não amadurece como um processo natural. A ele são oferecidas oportunidades para que repense seus conceitos, suas atitudes e seus sentimentos. A esperança, contida no interior de cada um de nós, dá a certeza de que tudo pode ser melhor, mas não podemos nunca deixar de lado nossa responsabilidade no processo. Com o passar dos anos, se nos limitamos a observar e nada fazer, nem externo e tão pouco interno, mantemos a inocência das crianças, mas nos damos como presente o peso da ignorância, tão presente nos adultos cuja maturidade ainda não chegou.

Maturidade é uma planta que precisa de cuidados, de trabalho, de tempo e de um cultivo especial para que cresça e floresça. Cuidemos do nosso jardim interior, fazendo-o aproveitar o máximo dos estímulos do ambiente, resgatando, quando atingirmos a real maturidade, características que achávamos perdidas na infância, como inocência, ética, sensibilidade e a esperança de que tudo à nossa volta pode ser perfeito; porque, em verdade, realmente é.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Motivos

Oportunidades surgem todos os dias, para que possamos escolher entre desenvolver projetos, sonhos novos e antigos, ou não. As mais variadas situações, que vão desde o primeiro passo e a primeira palavra de uma criança, até a decisão por coisas mais complexas e que exigem maturidade, responsabilidade e uma posição firme diante das conseqüências, como um matrimônio, a abertura de uma empresa ou a decisão de ser pai ou mãe.

Em grande parte destas ocasiões, nos deixamos levar pelas emoções, sem realmente refletirmos sobre os reais motivos que nos levam a tomar atitudes. Abrir uma empresa para realização pessoal ou apenas por dinheiro? Será que a empolgação inicial sobreviveria nos momentos difíceis? Começar um casamento por tesão e paixão não seria equivalente a iniciar uma trajetória mais árdua quando o tempo for implacável aos sentidos físicos?

Não nos preocupamos tanto com os motivos, as razões reais que nos levam a tomar atitudes. Na verdade o fazemos na maioria dos casos inconscientemente e, assim, nos deixamos levar mais pelas emoções momentâneas, gerando dissabores futuros. Diz-se que a curiosidade matou o gato, continuando a matar muitos por aí, que assumem riscos e compromissos apenas para ter uma idéia de como é uma sensação nova.

Pensar sobre o que nos leva a fazer as coisas é o primeiro passo para tomar as decisões corretas. Tome uma atitude, mas na certeza de que o motivo não é algo tão efêmero quanto o tesão físico. As coisas complexas, assim como as aparentemente simples, cobrarão seu preço com o passar do tempo; será que empolgação apenas será suficiente para nos manter fortes?

Motivos, razões, certezas que nos fazem seguir em frente, na certeza do incerto, porque o que está à nossa frente não pode ser determinado com exatidão. Abra uma empresa, case-se, dê o primeiro passo e a primeira palavra, mas deixe que o motivo seja maior. Aprender que sonhos não precisam permanecer sonhos eternos nos dá a força para acreditar que podemos ser grandes, independente de quantos à nossa volta não acreditem nisto!

Motivos são como sonhos, pois são individuais e difíceis de serem entendidos ou explicados. Motivos levam pessoas a criar, a desenvolver melhorias e a ficarem parados esperando a próxima oportunidade. São impulsos interiores que dão a certeza de que é possível superar tudo, se o motivo é puro o bastante para não se perder quando a magia do sonho passar e o mundo surgir aos olhos, após o despertar.

Somente uma pessoa possui a capacidade de mudar e anular motivos, de julgá-los impróprios ou incompletos. Apenas nós mesmos podemos invalidar ou não os nossos próprios motivos. Por isto, mesmo que ninguém à sua volta entenda, se você consegue vê-lo de forma clara, planejada, embasada, com possibilidades concretas de realização, decida-se pelo seu motivo, mas ciente de que os obstáculos estarão presentes, não como pontos de fracasso, mas como degraus para um desenvolvimento.

Aos motivos que nos trouxeram até aqui, adicionemos os motivos que nos manterão firmes para finalizarmos o que começamos. Coloquemos no peito a certeza de algo que possa valer a pena, lutando pelos nossos ideais. Motivos não precisam ser compreendidos pelos outros se nos derem a certeza necessária para chegarmos ao topo. Façamos dos nossos motivos reflexos de nosso todo complexo e, com certeza, alcançaremos tudo o que nos propusermos.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O nada

Este texto surge em homenagem a um comentário de um pesquisador brasileiro, cuja atividade infelizmente não é tão valorizada em nosso país. Espero que consiga atingir às suas expectativas.

O nada pressupõe a inexistência de qualquer coisa, inclusive de alguém para mensurá-lo, pois não há espaço, o que o mudaria para vazio, nem tão pouco ausência de matéria, o que o aproximaria do conceito de vácuo. Daí a compreensão, ou mesmo incompreensão, do que possa ser, pois não conseguimos materializar esta idéia.

Quando alguém menciona, por exemplo, "não estou pensando em nada", na verdade ocorre um equívoco quanto ao termo, visto que pensa na sua própria inexistência de pensamento. Parece algo meio abstrato mas, se pensarmos um pouco, o que seria o nada senão a completa abstração de tudo?

Devido ao conceito que temos das coisas, notadamente ligado ao materialismo, pode-se, de forma simplista, preconizar a inexistência do nada, pelo simples fato de que sempre haverá algo que o inviabiliza, como as pessoas, a natureza ou, simplesmente, o pensamento. De qualquer forma, pensemos o nada de forma relativa, como efeito das deturpadas concepções e sentimentos humanos, para que tenhamos uma medida das suas conseqüências diretas e indiretas.

Pensando o ser humano como uma unidade independente, única e criativa, podemos deduzir que a ele cabe um papel no todo, de forma que tem a responsabilidade por se tornar útil, provendo seu sustento, modificações no meio e, inclusive, suporte para que outros consigam alcançar também os seus objetivos. Façamos, pois, três considerações: a inexistência do indivíduo, a ausência do meio e o nada interior à pessoa; perceba que em todos os casos teremos um "nada relativo".

Considerar o indivíduo como nada seria equivalente a supor não sua ausência temporária, mas o fato de ele nunca ter existido. Sendo assim, teríamos uma proporção direta das conseqüências, imaginando a inexistência de personalidades marcantes da história, como Freud, Einstein, Ford, dentre outros. Obviamente que suas invenções e contribuições poderiam pertencer a outros mas, será que teriam acontecido na mesma época e com o mesmo conteúdo e ótica originais?

No segundo caso, basta que nos imaginemos flutuando no espaço vazio. Nossa própria existência negaría o nada neste caso, mas, mais uma vez o colocando como algo relativo, teríamos a sensação de vazio, inclusive interior, porque não haveria razão para a nossa existência.

Por último, o nada interior. Este, por mais relativo que seja, nos cerca a todo momento. Fico às vezes imaginando a significação de se nascer, crescer e morrer, imaginando ser esta existência única e sem um propósito maior, além de fugir às tentações do elemento figurativo criado pela mente humana, nomeado inferno. Neste cenário, a simples idéia de que tudo tem um propósito, nos coloca em uma posição de nada, de forma que parece não haver algo que justifique todas as diversas situações que nos cercam.

Esta visão de nada explica as mazelas criadas pelo homem, de posse de sua certeza ignorante de que não há um próximo passo, uma próxima fase, uma seqüência. Suicídios, assassinatos, roubos diversos e tantas outras coisas que têm um impacto social tão forte, causas de um sentimento de nada interior, que nos direciona para o pensamento de que por pior que sejamos, simplesmente não existiremos no próximo ato da peça.

O nada é uma figura de difícil materialização, mas cujo conceito pode ser aplicado de diversas formas. Preocuparmos com evitá-lo pode se tornar um edificante exercício de construção de seu oposto. Lembre-se, quando pensamos cultivar o ócio, não estamos apenas negando a oportunidade que nos foi dada, mas deixando de cumprir nosso papel no sistema em que estamos inseridos. Afinal de contas, como diria o mencionado pesquisador, o ócio precisa ser criativo, para que seja útil.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Perseverança

Existe um péssimo costume das pessoas em geral, que é o de achar que a vida dos outros é sempre mais fácil, gerando reclamações constantes que são utilizadas como desculpas para os diversos obstáculos que precisam ser enfrentados ao longo do caminho. Diante disto, torna-se fácil encontrar pessoas com projetos inacabados; e não me excluo da lista.

Não gosto muito de fazer referências a fatos religiosos, devido à polêmica que quase sempre surge disto, mas, vou utilizar-me de uma figura cuja história praticamente todos conhecem ou já ouviram pelo menos pedaços. Jesus Cristo veio à Terra para uma coisa simples: mostrar como as coisas devem ser feitas da forma correta. Parece simplista, mas não é. Com seus exemplos, mostrou à sua geração e às vindouras como devemos nos portar para sermos bem sucedidos como seres humanos.

Mas me perguntarão: como ele mostrou ser bem sucedido se morreu na cruz, desprezado e humilhado? Ele veio transmitir sua mensagem e a transmitiu; e ela continua ecoando pelos séculos à frente. Mas o que isto tem a ver com perseverança? As caminhadas, os projetos e tantas outras coisas que tenham começo, meio e fim, possuem obstáculos. Um relacionamento, um curso de graduação, este blog, a vida. Tudo isto, assim como mostrou Jesus, tem um propósito e nos leva a aceitar determinadas coisas como são, mudar outras e, principalmente, não desistir.

Quando começamos um projeto, na empolgação do momento, nos esquecemos de analisar as dificuldades vindouras. Preparamo-nos para as glórias, mas esquecemos de nos tornarmos fortes para os períodos de vacas magras, que, com toda a certeza, virão. Não se trata de riquezas materiais, como dinheiro, pois já está provado, por exemplo, que o capital mais importante de uma empresa não é o monetário, mas sim o humano.

Para que consigamos ser perseverantes precisamos cultivar características pessoais, como auto-confiança e paciência, além de nos livrarmos de chagas como o orgulho. Aprender a perder é algo que nos ensina a conquistar tudo. A humildade necessária para que consigamos assumir os erros cometidos, nos dá a sapiência necessária e imperativa, para que possamos um dia merecer o melhor e chegar ao objetivo proposto.

Vivemos em um país cujo povo não desiste nunca mas que não percebe que poderia ser melhor, caso perseverasse na busca pelo final das coisas que começa. A mortalidade empresarial no Brasil é exemplo disto, pois é mais fácil desistir e assumir o prejuízo, a continuar buscando soluções, desenvolvendo caminhos novos e aprimorando-se profissionalmente e como seres humanos.

Perseverar não é apenas não desistir, mas significa continuar de forma inteligente. Façamos como o Cristo, que trilhou seus planos sabendo das dificuldades, sem medo das interpéries, buscando as experiências que lhe dessem o suporte necessário para lhe fornecer não a crucificação, mas a ascensão aos céus. Começo, meio e fim; como tudo. Com certeza estamos no meio e o desfecho, este está eem nossas mãos.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Pessoas

Em diversos aspectos somos únicos, notadamente no que diz respeito à consciência de nossa existência e a certeza de que somos responsáveis; por tudo. Mesmo o ambiente corporativo, dominado desde sempre pelo lucro, vislumbra hoje a importância de se gerir pessoas; seres ímpares com qualidades e potencialidades, capazes de fazer a diferença.

As pessoas são o objetivo, direto ou indireto, de todos os avanços da humanidade. Se hoje empregamos esforços para o desenvolvimento de novas fontes de energia, renováveis e, principalmente, que consigam manter nosso meio ambiente, é porque o homem está começando a entender que, sem a natureza, nosso destino será a extinção.

Avanços tecnológicos, novos sistemas econômicos, políticas de convívio sociocultural que permitam a interação entre povos completamente diferentes, além da evolução no pensamento religioso. Tudo isto tem como foco as pessoas. Pensar sobre elas, pois, é necessário para entender as coisas que aconteceram no passado e o porque chegamos onde estamos.

Somos, existimos e precisamos nos cuidar. Pensar pessoas é pensar a nossa existência, entendendo as reais preciosidades que nos cercam; trata-se de entender que as verdadeiras riquezas não vêm de moedas de troca criadas para facilitar o escambo em transações comerciais. Grandes pensadores eram grandes pessoas, refletindo sobre elas.

Como é fascinante entender que não somos iguais, apesar da quantidade de gente existente. Somos únicos, apesar de tanta gente em volta. Que outra materia permitiria uma diversidade tão vasta? As pessoas são material de estudos, material de entendimento e uma complexidade tamanha que mesmo os mais sensíveis poetas demorarão a entender.

Poetas, músicos, artistas; pessoas dotadas de sensibilidade aguçada, que os permitem ver além. Crianças, seres apaixonados, pais; pessoas dotadas do brilho proporcionado pela ingenuidade do amor. Àqueles que ainda têm dúvidas quanto ao potencial de nossa humanidade e à realização deste, peço a reflexão sobre os avanços, mas não tecnológico ou de simples conhecimento.

O homem evoluiu como homem, trazendo consigo as benéfices de um ser mais evoluído, mais maduro e próximo do melhor que pode ser. As pessoas são a essência; o início, o meio e o fim de algo que um dia entenderemos e cujo durante é responsabilidade da nossa imensa capacidade de entender ao próximo e a nós mesmos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Qualidade

Me pediram para escrever sobre qualidade de vida; mas, e aí? A que se resume isto!? Parece-me tão vago pensar em qualidade de vida quando temos um conceito tão restrito sobre o que vem esta a ser! Falemos pois sobre qualidade, indistintamente. Para isto a coloquemos como base, meio e objetivo de tudo o que fazemos com o nosso tempo, porque, afinal de contas, a isto ela se emprega em toda a sua constituição, seja esta qual for.

Empresas, relacionamentos e, porque não, mesmo uma piada precisa ser feita com qualidade. Estamos acostumados a conceituá-la como algo próximo do se fazer certo mas, aqui, a colocarei como algo próximo da perfeição; algo que supere todas as expectativas e seja digno de elogios, suspiros de admiração e glórias diversas!

Excesso? Não mesmo! Reflitamos sobre esta colocação. Quando procuramos algum produto que será consumido, por exemplo um prato gastronômico, desejamos encontrar alguma coisa que encante nossos sentidos. Um camarão degustado à beira mar não é divino apenas pela localização ou pela frescura do produto, mas um conjunto de coisas favoráveis. O produto, o cozinheiro, o atendimento e, inclusive, a companhia.

Qualidade é algo a ser buscado, algo a ser praticado, de forma que sejamos com qualidade, em todos os nossos momentos; não apenas nas auditorias da vida! Nunca se sabe quando as oportunidades baterão à nossa porta, de forma que tratar as pessoas com qualidade não se resume a puxar o saco do presidente da empresa, porque aquele senhor de chinelo e camiseta na padaria da esquina pode ser ele. "Não conseguimos viver sem as pessoas à nossa volta mas, na maioria dos casos, elas conseguirão viver sem nós". Confesso que passei uns bons minutos pensando quando li esta frase.

A perfeição pode ser alcançada? Creio que tenhamos perfeições relativas, moldadas pelas impressões individuais de cada um. Sejamos pois o melhor que possamos ser, comparando-nos a nós mesmos! Qualidade é algo semelhante, mas que precisa de prática. E a qualidade de vida? Sem conceituar a vida, em suas múltiplas interpretações, resume-se à busca pela forma correta de fazer as coisas, que sempre desperta elogios, glórias e sorrisos de agradecimento. Sejamos perfeitos, tão perfeitos quanto nos permite nossa humilde imperfeição.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Primeiros e primeiras

A vida é feita de momentos, de situações construídas e que geram sensações boas, ruins e até mesmo um misto das duas. Algumas delas marcam, como as primeiras palavras e os primeiros passos. Cenas que se repetem ao longo dos anos e se fazem corriqueiras, de forma que só as notamos com a mesma mágica da primeira vez quando não as podemos ter tão facilmente.

Primeiros e primeiras. Situações, pessoas, conquistas e mais uma infinidade de coisas que aparecem aos nossos sentidos pela primeira vez; sim, ao sentidos. O primeiro perfume, a primeira cor, a sensação de pisar a areia da praia pela primeira vez. Nada é tão bom quanto no início, quando estamos educando nossos sentidos para as novas percepções!

As dores: um ralado no joelho, um dente que cai e vira lembrança, uma perda de um ente querido. Doces lembranças de que também aprendemos na forma de dificuldades. Doces? Sim, mas somente depois que aprendemos a vê-las como aprendizado, o que demanda tempo. Até lá ainda as temos como ruins, mas ainda assim podem ser as primeiras de várias, de muitas e de outras situações que, aí então, serão vivenciadas com a maturidade adquirida, dispensando as reclamações das dores iniciais.

Pensando assim, chega-se ao fato de que as primeiras coisas são, se não as melhores e mais prazerosas, as que despertam as mais intensas sensações. Dedução interessante, se colocada em prática. Como dizia algo por aí "viva sua vida como se hoje fosse seu último dia, porque um dia você acerta". Trágico, mas profundo! Porque não modificar um pouco a frase?

Viva todos os seus momentos como se estivessem acontecendo pela primeira vez, porque, assim, talvez você consiga vivê-los com a profundidade de uma criança que dá seus primeiros passos. Está bom! Ficou grande e não se parece tanto com a outra, mas também tem profundidade.

Diz-se que um mesmo homem nunca se banhará duas vezes no mesmo rio, porque o rio não mais será o mesmo rio, assim como o homem não será o mesmo homem. Diante disto, o que são nossas experiências se não as primeiras, mesmo que novas? Um beijo não será o mesmo, mesmo com a mesma pessoa, e daí a possibilidade de se viver décadas com alguém e se encantar sempre.

Conquistar alguém pela primeira vez é fácil, sendo difícil conquistá-la todos os dias seguintes. Assim é a vida e assim são nossas sensações e vivências; todas primeiras. Olhe para a lua, para as pessoas, para si mesmo! Perceba que tudo mudou e continua mudando, e que considerando-se algo como primeiro, as barreiras contra as sensações serão retiradas.

Machuca? Talvez. Mas a dor causada pelos espinhos de uma rosa não é maior do que a admiração inicial com a sua beleza, seu perfume e a certeza de que ela existe! Sejamos primeiros, façamos continuas primeiras vezes, na certeza de que, abertos ao mundo como as crianças, conseguiremos entender o motivo de sua alegria, ternura, e sábia ingenuidade!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Esperança

Dizem que o brasileiro não desiste nunca, mas será que é por falta de opção? A falta de esperança na melhoria das coisas está grande ultimamente, o que não se restringe à nossa situação social, mas aos sentimentos, relacionamentos, sonhos pessoais, dinheiro e mais uma infinidade de coisas que fazem parte do nosso dia a dia.

Mas e aí? Será que alguém vai sempre precisar nos dizer que algo pode ser melhor? Ou será que algum dia vamos entender o conteúdo de uma das frases da famosa música de Geraldo Vandré, "quem sabe faz a hora, não espera acontecer"? Ter esperança de que algo pode mudar sozinho, sem nenhum esforço, isto sim é utopia; mais do que isto, seria acreditar realmente que apenas o governo pode resolver nossos problemas.

Esperança vem da certeza que precisamos ter em nós mesmos, na nossa capacidade modificadora e realizadora. Ninguém consegue ter esperança se não se sente preparado para mudar o mundo! Sim, mudar o mundo, mas não todo ele. Vivemos no nosso mundinho, como dizem, e ele é um completo reflexo do que fazemos e, principalmente, do que nos negamos a fazer. Perceba a diferença entre se negar a fazer e simplesmente não fazer.

Todos temos capacidade de escolha e, sim, sabemos das conseqüências de nossos atos; salvo em alguns casos de problemas mentais que restringem ao extremo o juízo e racionalidade, o que não é o caso da maioria. Como podemos esperar que algo melhore, enquanto nos mantemos inertes, sentados sobre a nossa própria preguiça de agir, achando que a culpa pela completa falta de ética de nossa nação deve ser direcionada apenas a um grupo de engravatados? Esquecer que eles foram eleitos por nós mesmos faz parte desse processo? Ou nossa curta memória deve se encarregar de apagar este detalhe?

Esperança é algo complexo, mas é como a sorte: deve ser construída. Construa a esperança por um emprego melhor; trabalhe, estude. Desenvolva a esperança por um relacionamnto duradouro: faça aos outros o que gostaria que lhe fosse feito. Tenha empatia, faça as coisas serem boas e seja parte disto! Esperança é algo maravilhoso, que nos faz seguir em frente, mas se não tiver embasamento interior, será apenas mais uma linda palavra usada nos poemas, textos educacionais e na mente e boca de sonhadores por um mundo melhor!

domingo, 9 de setembro de 2007

Para refletir

Para refletir. Esta letra tem um conteúdo interessante que pode ser associado aos vários obstáculos que encontramos por aí. Vale a pena filtrar as experiências, aprender com elas e levar as coisas boas, edificando-se.

Leve com você - Natiruts

Leve com você
Só o que foi bom
Ódio e rancor
Não dão em nada, nada

Ouço aquele som
Lembro de você
Como acabou
Mas ... não tem nada não
Só guardo o que foi bom no meu coração
O amor é como o sol
Sabe como renascer

Sinto o calor
De mais um verão
Tudo ganhar cor
De nada vai valer lamentar a dor
Nós temos que seguir em frente
A vida não parou
Vai ser dificil esquecer tudo o que passou
Mas são as quedas que ensinam a cultivar o nosso amor

Pensar no nosso futuro
Pensar no nosso futuro
Ser feliz

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Não jogue pérolas aos porcos

Experiência é algo que demanda tempo, aprendizado, esforço e dedicação. A experiência nos dá conhecimento e a maturidade para utilizá-lo, criando oportunidades e gerando bons resultados. A maioria dos bons profissionais e também das boas pessoas, levaram tempo para adquirir a base necessária para ter a confiança em suas atitudes, sentimento este que lhes possibilita destacar-se no que fazem.

Assim sendo, não seria de se estranhar que muitos destes não transmitem seus conhecimentos e seu preparo totalmente de graça. Neste caso, entretanto, a gratuidade não está relacionada à compensação financeira, mas a um mínimo de dedicação da parte que se dispõe a receber as informações. Para quem já tentou transmitir conhecimentos, uma das situações mais frustrantes acontece quando se percebe que os espectadores não ligam para o que está sendo passado e não demonstram um mínimo de respeito para com o "palestrante".

A expressão muito usada "não jogue pérolas aos porcos" pode ser colocada aqui como uma advertência sobre a transmissão das coisas que lhe são importantes. Existem muitas pessoas dispostas ao aprendizado e também ávidas pelo conhecimento que está para ser transmitido. Perder tempo com quem não se demonstra ainda maduro para receber coisas novas ou coisas melhores, é desperdiçar um tempo precioso que poderia ser investido com resultados muito melhores, desde que direcionados a um público interessado.

Conhecimentos técnicos, experiência de vida, sentimentos, religião; tudo isto é algo que deve ser direcionado aos que estão prontos para absorver o melhor. O restante precisará de tempo e auto-conhecimento para entender que tudo está ao nosso alcance, desde que estejamos preparados.

Porcos não entendem de pérolas. Jogá-las a eles, pois, é o mesmo que desperdiçar seu tesouro com o público errado. Seja bom, transmita conhecimentos, sentimentos e seus ideais. Passe tudo o que você tem de bom, porque isto o fará se sentir bem; mas não force, porque para alguns pode não ser o desejado ou não ser recebido da melhor forma. Por melhor que seja algo, nunca será aproveitado da forma correta por quem não se abre para receber, como os drogados ou alcoólatras, cujo tratamento e cura benéfica só tem efeito positivo quando o viciado se predispõe, por ele mesmo, a aceitar a ajuda.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Sorte

Não vou direcionar este post para a sorte dos jogos, porque esta é sorte pura mesmo, sendo melhor embasada nas teorias probabilísticas da matemática. Vamos à sorte do cotidiano, mais de acordo com a possibilidade de nosso controle, fruto de nossos esforços. Desta fazem parte duas coisas importantes: preparo e capacidade de decisão.

A sorte, como muitos dizem, nada mais é do que estar preparado para quando as oportunidades nos aparecerem; mais ainda, estas oportunidades acabam sendo conseqüência de nosso preparo prévio. A alguém que permaneça inerte, sem reciclagem de conhecimentos, atitudes e comportamento, torna-se grande a probabilidade de que nada lhe aconteça, pelo menos nada que seja produtivo. Ao contrário, para aqueles que correm atrás de suas metas, não apenas focando o fim, mas os meios de atingí-las, como que mágica, tudo parece lhes ser favorável.

Esta visão é, inclusive, uma interpretação mais realista da comentada "lei de atração", cuja comprovação empírica é, no mínimo, complicada, que tem sido comentada no livro e filme "O Segredo". Não basta apenas pensar em algo bom para que isto aconteça, sendo também necessário que não somente o universo, como menciona o filme, mas também nós mesmos nos preparemos para que as mudanças sejam possíveis.

Diante disto, pode-se entender a razão que leva pessoas bem sucedidas a permanecerem assim, pois elas investem um tempo maior que a média do restante da população em reciclagem pessoal. Cursos, palestras, revistas e periódicos e, principalmente, a aplicação de tudo isto, faz parte do cotidiano destas pessoas. E isto não se restringe a pessoas bem sucedidas monetariamente, como poderíamos citar Bill Gates ou George Soros. Exemplos que permaneceram na história como sucessos de "sorte" aplicaram suas teorias todo o tempo, como Jesus e Gandhi.

O preparo é importante, mas onde se encaixa a capacidade de decisão? Primeiramente, não há como decidir de forma adequada sobre algo que não se conhece. Neste caso seria feita uma avaliação incompleta ou, como na maioria dos casos, uma aposta sobre o certo e o errado. O preparo, que antecede a escolha, torna possível que façamos as escolhas corretas, ou, no mínimo, as mais próximas do caminho que nos trará o melhor resultado.

Saber decidir é o que distingue famosos e bem conceituados líderes, pois as situações de decisão nos ocorrem o tempo inteiro. Acordar ou não, trabalhar ou não, dar o próximo passo ou recuar, mudar de emprego ou aproveitar mais do que o atual ainda pode oferecer. Decidir é aplicar e criar a sorte, no estágio subseqüente à preparação cultural e de comportamento. As oportunidades surgirão, naturalmente, quando se consegue trabalhar essas duas características. Desta forma, a sorte não será mais tanto mistério, sendo convertida em apenas mais uma etapa cotidiana, de uma caminhada de sucesso!

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Educação

Educação é um assunto que tem dado mídia, mas que não tem sido tratado com a devida atenção. O que difere o Brasil dos outros países não é apenas o sistema econômico, com dados relativos à inflação, à bolsa de valores, altos e baixos dos valores relativos das moedas. Compare os investimentos e compare as atitudes, quando se trata de comportamento. Compare o amor à pátria e o respeito por ela, em todos os sentidos, e será compreendida a diferença real.

A educação é o caminho para que o Brasil melhore, mas antes é necessário que ela não seja utilizada como moeda de troca; principalmente troca por votos. Educar não pode ser entendido como ensinar letras, porque seria muito limitado e prejudicial, como tem acontecido até agora. Jogar um papel de balinha no chão, por exemplo, é falta de respeito, de educação, de moral, ética e tantas outras coisas que, inexplicavelmente, o brasileiro não faz lá fora, pois parece ter mais respeito pelo paises alheios.

Educar é um processo, que deve, obrigatoriamente, iniciar-se em casa, na família. As crianças, no começo, aprendem tudo e copiam tudo. Comportamento, vocabulário, atitudes e um universo infindável de coisas são captadas no início do processo educacional, que começa no nascimento e não pára mais. As letras, parte importante do conhecimento adquirido, são parte do processo, não o todo. A forma como passamos o que sabemos, mais do que o que passamos, é, pois, fundamental.

Educação envolve moral e abrange a prática. Grande parte da falta de estímulo para se aprender, vem do fato de que a maioria das escolas ensina a física, mas não consegue mostrar como ela pode ser útil, como alguém uma vez me disse que quando atravessamos a rua a estamos colocando em prática; e lembro disto até hoje.

O cotidiano é feito de ações, e o conhecimento só é útil se conseguimos aplicá-lo a essas situações que ocorrem o tempo inteiro. De que adianta ensinar fórmulas químicas se, na prática, não se ensina que yakult, em excesso, dependendo da pessoa, pode causar diarréia? Química e biologia deveriam, aqui, ser interdisciplinares, para que o aluno entenda que uma coisa boa pode atrapalhar, se em excesso.

Educação. Realmente é uma palavra bonita, imponente, motivo de preocupação e politicagem. É o caminho direto para um mundo melhor, mas não como tem sido feito. Façamos como os pássaros, que empurram seus filhotes do ninho para que aprendam a voar e, inclusive, entendam a importância disto e sua parte no problema. Se continuarmos a dar aulas teóricas de vôo, como quem ensina sobre guerras mundiais e não faz relação nenhuma com a invenção do avião e a relação deste com o caos nos meios de transporte no Brasil e no mundo, continuaremos a criar jogadores de videogame, que brincam com a vida, com o sentimento de não fazer parte dela.

sábado, 1 de setembro de 2007

Assistência Social

Em um mundo cheio de desigualdades, é imperativo que se tenha a preocupação das classes mais privilegiadas com as que ainda não dispõem de recursos suficientes para a garantia do básico necessário para a sobrevivência e para a vivência adequada em uma sociedade em plena e constante evolução. Diante disto, cabe a reflexão sobre a atitude correta frente aos problemas existentes, tanto pelas classes mais abastadas quanto pelo próprio governo.

Em um país que sobrevive às custas da politicagem, programas como o polêmico Bolsa Família deturpam a idéia de ajuda social, inserindo-se na velha ótica popular de entregar o peixe sem ensinar ninguém a pescar. Ações como a esmola social e econômica, com o simples intuito de "fazer a minha parte", não trazem benefícios diretos e nem tão pouco indiretos, para uma economia em expansão, necessitada de estímulos dos capitais público e privado.

Estamos inseridos hoje em uma sociedade desprovida de senso crítico em sua quase totalidade, moldada por uma minoria que detém o capital intelectual, que vai além da assinatura de um nome para se considerar alfabetizado. Meios de comunicações cada vez mais abrangentes, como TV e rádio, ao invés de cumprir seu papel de instrutores da massa, se capitalizam às custas do dinheiro público, e do público, utilizando as mazelas sociais como pano de fundo para seus circos, na falta do pão intelectual.

Sejamos coerentes; vejamos o erro nas chamadas políticas sociais, cujo impacto emergencial se transforma em chaga de médio e longo prazos. Entregar recursos sem esforços transforma a preguiça que já é chamada de cultura em padrão nacional, levando à estática de pensamento que faz encobrir a falta de investimentos reais na melhor política social: a educação.

Transformemos os recursos entregues aos que não os merecem por mérito de trabalho, em recursos destinados à criação de empreendimentos reais, gerando trabalho, dignidade e a certeza de edificação de lares. Façamos como poucos, que ensinam as soluções simples para a seca, a fome e a miséria, utilizando-se dos vastos conhecimentos que nossa humanidade já possui. Não é preciso dar de graça a quem consegue produzir; façamos, pois, com que todos consigam prover o próprio sustento.

Preocupar-se com a falta de ética, roubos, discursos floreados de palavras desconexas na boca daqueles que lapidam o patrimônio público é necessário, mas não tão imperativo e necessário quanto fornecer ao povo o real bem público que lhe é de direito: o conhecimento. Assistência social não é nada, enquanto se propaga sua continuação como razão de sua existência. Ela precisa, e deve ser encarada como um meio, pelo qual a sociedade será cada vez melhor, tornando-se com o tempo, para as graças desta mesma sociedade, agora madura de suas responsabilidades, atividade cotidiana.