sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Sinceridade

Poderia discorrer sobre a parte das mentiras, mas acho mais interessante evidenciar o lado positivo da coisa. Andam dizendo que a bruxa foi solta nos meses passados e, por onde se olha, há casais de vários anos se separando. Não apenas isto! Pode-se ver sem dificuldade várias "pessoas perfeitas" em busca da cara metade, reclamando da escassez do mercado quando se precisa de pessoas para um relacionamento sério.

Incluso neste ambiente, existem também várias pessoas que reclamam da inexistência de candidatos a reais amigos, devido ao fato de as pessoas não serem confiáveis. É claro que nosso orgulho não nos deixa perceber que muitas pessoas não nos confiariam uma amizade sincera, porque nos incluiriam na parcela negativa. E, assim sendo, nada nos impediria de entrar na parcela social dos que não aparentam uma seriedade confiável em um relacionamento.

Vivemos em um mundo de aparência em que vale mais a marca do que saber o motivo dela ter seu preço. Muitas pessoas escolhem seus livros na lista dos "best sellers", simplesmente para ter assunto em uma roda de "pessoas informadas". E os valores? Ficaram para segundo plano!? O problema não é o mercado, mas o conteúdo dele. E nisto tudo pode-se perguntar: o que foi feito da sinceridade?

As áreas de vendas têm a péssima reputação de se utilizarem da mentira para conseguir empurrar produtos, reflexo de uma massa de vendedores que não sabem nada sobre o seu produto e o da concorrência. Seja por estarmos em um sistema capitalista ou por outros motivos, este comportamento foi espelhado para as relações humanas. Pessoas com uma completa ignorância sobre si mesmas tentam conquistar pessoas desconhecidas, sem tomar conhecimento de sua concorrência direta.

A sinceridade precisa ter início no eu. Até que ponto somos sinceros conosco a respeito de nossas reais qualidades e, principalmente, de nossos defeitos? Maquear um problema causa apenas uma prorrogação de sua solução, que precisará aparecer um dia. Será que somos sinceros conosco a respeito dos nossos modelos de desejos e necessidades? Qualquer amante sabe que os modelos se quebram facilmente quando feitos por aparência, quando os olhos brilham e o coração sorri.

E a sinceridade com o outro? Em grande maioria a deixamos para segundo plano, desde situações simples, como deixar o orgulho de lado e assumir um sentimento de saudade, a situações mais complexas, cujos exemplos renderiam um livro. O grande problema é que cedo ou tarde as máscaras caem e, com elas, vão embora confiança, respeito e a possibilidade de uma realização de longo prazo.

Para poder cobrar algo de alguém, primeiro é necessário ter o que se cobra em si mesmo! Melhorar a estética apenas nos dá a prerrogativa de cobrar estética. Se no seu modelo de amor perfeito estão inclusas características como sinceridade, fidelidade, carinho, romantismo e tantas outras, vamos lá, seja sincero consigo e olhe para dentro de si. Cuidar do seu jardim para atrair as borboletas, como dizem os poetas, nada mais é do que cuidar do eu. E quem sabe assim, em um dia em que a sinceridade não for opcional mas uma parte obrigatória, consigamos nos livrar dos "vendedores" da mentira!

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