quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Preconceito

"Preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória que se baseia nos conhecimentos surgidos em determinado momento como se revelassem verdades sobre pessoas ou lugares determinados." (Wikipédia).

Achei interessante começar com uma descrição formal do termo, principalmente pelo fato de que me pediram para escrever sobre a primeira impressão ao se conhecer alguém; resolvi expandir o assunto. Em um dos vários filmes que já vi, chamado "O Gênio Indomável", há um diálogo dos dois atores principais a respeito de uma frase muito usada popularmente "não se deve avaliar o livro pela capa". Já conheci várias pessoas que tinham ótimas capas e nenhum conteúdo, assim como já me surpreendi com pessoas que confessaram me analisar apenas pela parte externa e mudaram sua opinião ao me conhecer melhor.

O Brasil é um país cuja diversidade de etnias, culturas e pensamentos, fornece matéria para análise do impacto das atitudes preconceituosas que se expande muito além dos assuntos comumente tratados quando se fala de preconceito: religião e cor de pele. É fato que não existem raças no Brasil, se considerarmos que somos uma mistura de várias; eu poderia citar no mínimo umas três ao analisar "de onde vim".

O preconceito é uma chaga de uma sociedade pouco amadurecida, independente da instância em que ele se instale. Julgar o outro pela aparência sem conhecer suas idéias e atitudes equivale a deixar de ver um filme baseando-se na crítica do jornal local. Não se pode ter a certeza sobre a essência de alguém até que se espere o tempo suficiente para que este alguém a mostre, e isto requer tempo; um tempo diferente para cada um, dependendo de muitos fatores.

Já mudei muitos conceitos na minha vida, fossem eles de religião, cor, sexo e tantas outras coisas. Mudei não porque me foi imposta a mudança, mas porque a maturidade e a reflexão me fizeram ver que não poderia me manter como era depois de conhecer melhor o objeto de análise. O preconceito acompanha, principalmente, a falta de auto-conhecimento, porque à medida que conseguimos perceber que nós também temos características e posições contrárias ao que os outros pensam, não se justifica manter-se imutável.

E voltando ao que me foi pedido, como analisar uma primeira impressão? É necessário eliminar o nosso orgulho em achar que as pessoas precisam ser como gostaríamos que fossem, pelo simples fato de que cada um de nós é único, e nossa beleza mora nisto. Como diria Raul somos metamorfoses ambulantes, e trazemos conosco não apenas o poder de mudar, mas a consciência do que pode ser mudado (comentário que recebi ontem).

"A primeira impressão é a que fica". Será? Quem nunca mudou de opinião que se manifeste, porque eu já o fiz várias vezes. Que as pessoas nos conheçam pelas nossas idéias e que estas nos permitam alcançar o amadurecimento necessário para não precisarmos analisar primeiras impressões.

Nenhum comentário: