quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Crenças

Somos um país de multi coisas. Raças, culturas, cenários e, principalmente, crenças. Dentre elas podemos destacar as religiões, mesmo que este tema seja por demais polêmico. Mas qual o importante das religiões? A sua forma ou o seu conteúdo? Em um discurso sobre algum assunto, mesmo que sejam cometidos erros de linguagem pelo orador, tendo este se preparado quando ao assunto a ser exposto, a essência do tema não será prejudicada por completo.

Vejamos, pois, um mesmo assunto em crenças diferentes:

Bramanismo - Esta é a súmula do dever: Não faças nada a outrem que te causaria dor se fosse feito a ti. Mahabharata 5,1517.

Budismo – Não ofendas os outros por formas que julgarias ofensivas a ti mesmo. Udanavarga 5,18.

Confucionismo – Existe máxima pela qual devemos reger-nos durante toda a nossa vida? Sem dúvida, é a máxima da bondade e do amor: Não faças a outrem o que não quererias que eles fizessem a ti. Anacleto 15,23.

Taoísmo – Considera o ganho do próximo como teu próprio ganho e a perda do próximo como a tua própria perda. Tai-Shang Kan-Ing Pten.

Judaísmo – O que é odioso para ti não o faças ao teu próximo. Essa é toda a Lei; todo o resto é comentário. Talmud, Shabbat 31a.

Cristianismo – Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam fazei-lho também vós, porque esta é a Lei e os Profetas. Mateus 7,12

Islamismo – Nenhum de vós será crente enquanto não desejar para seu irmão o que deseja para si mesmo. Sunan.


Mesmo tema, palavras diferentes! Não faça ao teu próximo o que não gostaria que te fizessem. Assim sendo, porque tomar uma única crença como verdade ou uma como melhor que as outras? Em períodos como a Inquisição várias atrocidades foram cometidas em nome da preservação do pensamento de Deus. Nada muito diferente do que fez Hitler, quando tomou sua raça como superior, ou como é feito ainda hoje, quando eventualmente nos colocamos a criticar as práticas alheias.

Vivemos em um país que deve dispensar o preconceito, pela simples razão de que esta prática é ignorante. Carregada de falta de conhecimento, se dissipa ao menor esforço de esclarecimento. Não critique o outro sem o conhecer, porque quando a sabedoria alheia lhe penetrar a mente, perceberá que não há mais motivos. A liberdade de credo, garantida em nossa Constituição, não deve ser tomada como apenas mais um artigo, mas como um exemplo a ser seguido em outros níveis de nossos relacionamentos sociais.

Conheça, aprenda, olhe para o lado e perceba que por mais defeitos aparentes que uma crença tenha, ela provê o bem estar, bastando isto para ser considerada boa. Não há verdades absolutas, porque todos os credos têm influência humana. Se todas as religiões pregam a imperfeição temporária humana, como poderia o fruto de seu trabalho, independente do nome a que se exponha, ser considerado perfeito?

Sejamos sensatos, quando nos faltar o esclarecimento. Tenhamos a conduta de respeito, quando nos faltar a compreensão sobre as práticas alheias. E, por fim, quando nos julgarmos profundos conhecedores do nosso objeto de crítica, procedamos à comparação com o nosso próprio pensamento e credo, e acharemos muito mais em comum do que possamos imaginar. O livro não pode ser tomado pela capa, assim como a essência nem sempre se espelha no exterior. Como diria Platão: "Só sei que nada sei".

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