sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Conquistas

Conquistas não são apenas vitórias. Começam nos sonhos, que muitas vezes não sabemos valorar a contento. Aí, por algum motivo, resolvemos acreditar nesses sonhos, e surgem os planos. Planos colocados em prática podem virar realizações; ou não. Devem ser empregados todos os esforços, porque realizações podem ser grandes fracassos, mesmo sendo realizações.

Mas então continua-se com o plano, tomando-se o cuidado de evitar ou corrigir os erros; e aprendemos com eles. Com o aprendizado, crescemos, e nos tornamos mais capazes, melhores e conseguimos um alicerce melhor para continuar com os planos, sem se esquecer dos sonhos, porque estes alimentam aqueles. Vamos conseguindo pequenas vitórias, degraus necessários para se chegar ao longe.

Suor, dedicação, perseverança, lágrimas, de alegria e de tristeza, são ferramentas e companheiros necessários no caminho, duro, mas proveitoso. E um dia os planos se concretizam; os sonhos viram realidade. Neste momento tem-se uma conquista! Um resultado glorioso de uma caminhada quase sempre árdua, mas que nos molda como seres mais capazes de sermos nós mesmos, mas com qualidade.

Aos que foram ferramentas, apoio, conselhos, obstáculos produtivos e estímulos à minha maturidade, meu muito obrigado. Nenhuma conquista acontece sozinha, porque depende de vários fatores, várias colaborações, mesmo as involuntárias e, principalmente, as despretenciosas. Findo mais uma etapa, com uma cerimônia simples, porém cheia de significado. Colo grau, não virando mais uma página, mas escrevendo mais um início desta conquista maior, que inclui os tropeços, as vitórias e a sabedoria de quem aprende que não basta existir, é preciso viver a vida!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

A busca pelo bem estar

Todos os seres humanos, naturalmente, transcorrem suas vidas querendo algo bom, que lhes proporcionem tranquilidade, ou, como diriam alguns, paz de espírito. "Bem estar" é algo tão momentâneo quanto a felicidade, pois depende, no nosso estágio necessitado de estímulos, de vários aspectos.

Geralmente as pessoas possuem várias áreas sociais em que se relacionam, como trabalho, relacionamentos inter-pessoais, sentimentos envolvendo outras pessoas e auto-conhecimento. Um estágio de bem estar pleno compreenderia a realização em todas essas áreas, o que não é tão fácil de se encontrar. Se analisadas minuciosamente, pode-se perceber que todas as áreas se interligam pelo "eu", razão pela qual se torna mais fácil atingir um estágio de contentamento, cuidando primeiro de si.

Livros de auto-ajuda, filmes, religiões, exercícios, ajuda profissional e tantas outras coisas são utilizadas para se chegar a uma auto-aceitação que proporcione uma interconexão adequada das várias áreas de relacionamento humano mas, tal qual um estudante que apenas assiste às aulas e não estuda em casa, a maioria não desenvolve a parte que lhe cabe, necessária e imperativa para que se consiga melhorar.

A busca pelo bem estar é, sobretudo, uma busca pela tranquilidade, que deve ser proporcionada pela interpretação do ambiente em que se está inserido, conjuntamente com a aceitação da imutabilidade de diversas coisas, que independem de nossa vontade. Ter a consciência de que algumas coisas estão fora do nosso alcance modificador é primordial para que se consiga entender que, além dos direitos de usufruto, precisamos ter a consciência de que temos deveres para com o ambiente à nossa volta e para com os que dele também fazem parte.

Somente com uma integração entre o eu, o ambiente e os outros componentes deste, socialmente falando, é que se consegue usufruir ao máximo do que se tem, dependendo cada vez menos de estímulos exteriores e ainda não alcançados. Assim sendo, passamos a ter o extra como um potencializador de um bem estar já existente e não, como na maioria dos casos, como um objetivo a ser alcançado que, no seu durante, causa a angústia pela sua falta.

Bem estar é algo que depende totalmente de nós mesmos, da forma como o entendemos, o necessitamos e, ao tempo certo, aprendemos a captá-lo e aproveitá-lo ao máximo. Assim, saibamos utilizar o ambiente em sua essência e em sua totalidade, para que possamos extrair deste as ferramentas necessárias para o nosso contentamento completo.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Utilidade pública

Depois de parar no hospital por alguma comida errada que achei por aí, vamos a um momento de utilidade pública:

O rotavírus é um vírus que causa a rotavirose, uma doença diarréica aguda (diarréia).
Estes vírus são considerados os mais importantes causadores da diarréia grave, em todo o mundo, principalmente em crianças menores de cinco anos. Crianças prematuras, de baixo nível sócio-econômico ou com deficiência imunológica estão sujeitas à manifestação da doença de maior gravidade. Adultos também podem ser infectados, mas a doença tende a ser bastante moderada. Os rotavírus são também responsáveis por ocasionar surtos em escolas (pré-escolas), berçários, creches e hospitais.

O rotavirus é eliminado em grande quantidade pelas fezes do doente, sendo a transmissão pela via fecal-oral ou provavelmente por secreções respiratórias (contato com secreções de pessoas infectadas). A água e os alimentos contaminados também podem ser fontes de transmissão do rotavírus.

Tratamento:
Aumentar a administração de líquidos (água, chás, sucos, água de côco e soro de reidratação oral - SRO), para repor a quantidade de líquidos perdida pelas fezes ou vômitos, devendo ser oferecido aos poucos e em colher ou copo, neste caso evitar a administração dos líquidos com mamadeira;
- A alimentação da criança não deve ser interrompida, manter a oferecida habitualmente, com os intervalos menores entre as refeições;
- As porções dos alimentos oferecidos deverão ser menores dando preferência aos de maior aceitação pela criança;
- Para as crianças que estão sendo amamentadas, é necessário que a mãe amamente mais vezes, durante o período de diarréia, a amamentação é a forma mais adequada para evitar a desidratação nas crianças pequenas;
- O tratamento é o mesmo realizado para as outras doenças diarréicas agudas.
- É importante realizar a reidratação oral e/ou parenteral (quando a reposição de fluidos e eletrólitos não for suficiente), para evitar as complicações (desidratação grave e distúrbios hidreletrolíticos).
- Os casos mais graves exigem o tratamento no hospital devendo ser procurado o mais rápido possível para evitar a piora do quadro clínico.
- não é recomendado o uso de antibióticos e antidiarréicos.

Prevenção:
- Buscar atendimento/assistência nas unidades de saúde, quando da ocorrência de diarréia;
- evitar a auto-medicação;
- aumentar a ingestão de líquidos, tão logo inicie a diarréia;
- administrar o soro de reidratação oral nas unidades de saúde sob observação por pelo menos quatro horas;
- desprezar adequadamente as fezes ou fraldas contendo material fecal;
- lavar as mãos antes de preparar os alimentos, antes das refeições, antes e após a troca de fraldas das crianças e antes e após usar o banheiro;
- lavar e ferver as mamadeiras e chupetas/bicos antes do uso;
- tratar toda água para consumo humano com hipoclorito de sódio a 2,5% (duas gotas para cada litro de água - deixar em repouso por 30 minutos antes do uso) ou com fervura, onde não exista sistema público de tratamento de água;
- guardar a água tratada em vasilhas limpas e de boca estreita, para evitar a recontaminação;
- manter os manipuladores de alimentos trabalhando exclusivamente com essa atividade;
- cozinhar bem os alimentos (deve atingir 60º C no interior do produto);
- guardar bem os alimentos cozidos, evitar que entrem em contato com alimentos crus;
- manter as superfícies da cozinha sempre limpas;
- lavar e desinfetar os alimentos crus, como as verduras e hortaliças com solução de hipoclorito de sódio a 2,5% durante 30 minutos (uma colher de sopa para cada litro de água);
- dar destino adequado ao lixo e dejetos para não contaminar o meio ambiente e cursos de água;
- incentivar o aleitamento materno, principalmente durante os primeiros seis meses de vida, o que aumenta a resistência das crianças contra doenças, inclusive as diarréias agudas.


E vale aquele conselho de mãe, de não comer em qualquer lugar, lavar as mãos antes e depois das refeições e por aí vai!

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Porco aranha

Vou viajar dessa vez, mas quem viu o filme "Os Simpsons" sabe quem é o simpático "porco aranha". Pode parecer estranho refletir sobre um personagem colorido de um desenho animado, mas se mudarmos o foco para o impacto deste na trama, veremos que todos temos nossos porquinhos em determinadas fases da vida.

O porquinho do filme, ou a adoração a ele, trouxe como resultado uma despreocupação com o filho, uma alienação quanto a assuntos importantes, como impacto ambiental, e uma fuga à realidade. Várias coisas nos proporcionam resultados similares, entre os quais as drogas (inclusive álcool), o excesso de materialismo, a excessiva preocupação com o eu, a busca pelo sucesso a qualquer custo, e por aí vai.

A verdade é que o porco aranha, posteriormente o harry porco, pode ser colocado como uma figura representativa de nossas preocupações desmedidas com coisas desimportantes, ou às quais damos uma importância tão excessiva que se tornam prejudiciais. Diz-se que tudo em excesso é prejudicial, razão pela qual devemos moderar nosso comportamento, atitudes e, inclusive, consumo, em todos os sentidos.

Auto-controle é algo necessário hoje em dia, principalmente no país em que vivemos. Todos os dias vemos notícias sobre descontrole por compras parceladas, tragédias causadas pelo álcool, excesso de preocupação com a imagem que causa problemas estéticos e mesmo atitudes anti-éticas.

A verdade é que o coitadinho do porco cor-de-rosa pagou o pato, assim como nossas crianças, adolescentes e velhinhos. Sejamos mais atentos quanto às nossas atitudes, pois pode ser que nosso filho não busque a companhia de um pai dedicado e moral como no filme. Na maioria dos casos a companhia vem das drogas, álcool, criminalidade e outras coisas ruins, das quais nem o porco aranha poderá um dia salvá-los.

domingo, 26 de agosto de 2007

Amigos

"Amigos são os irmãos que nos permitiram escolher". Lugar comum ou não, tem seu fundo de verdade. A vida é cheia de momentos difíceis, momentos de desafios, mas também momentos de alegria, de comemorações. Passá-los sozinho é, no mínimo, desestimulante. Nessas horas, em que precisamos compartilhar as situações de nossa jornada com alguém, é sempre mais agradável dividí-las com nossos amigos.

Amigos são pessoas que julgamos especiais e realmente são. Todos nós temos um lado de preocupação com o outro, de cuidado, carinho, mas ainda não aprendemos a dividir com todo mundo. Geralmente escolhemos alguns apenas para nos mostrar por completo, seja na nossa complexidade negativa, seja nas nossas muitas qualidades. Amigos estabelecem uma troca profunda de situações e sentimentos, e o que antes não fazia muito sentido, como ficar atoa olhando o tempo, com um amigo pode ser muito bom.

Às vezes gostamos muito de determinadas pessoas, e por não sermos ainda tão perfeitos elas nos machucam. Assim também ocorre entre amigos. Manter uma amizade é algo tão complexo quanto manter um relacionamento como um casamento, pois às vezes são ditas palavras ásperas, feitas coisas desagradáveis ou, simplesmente, a pessoa que você espera, pode não estar disponível em um "momento que você mais precisar". Na verdade todos os momentos serão assim, por isto precisamos aprender a controlar nosso orgulho ferido.

Mas existem coisas boas e são muitas! Esses seres que escolhemos para partilhar nossas vitórias e derrotas geralmente nos entendem melhor e sabem como nos agradar. Sabem que uma palavra fala mais do que várias, e sabem que também gestos falam mais do que esta palavra apenas; às vezes até o silêncio ajuda! Eles sabem sobre nós, sabem que somos tão frágeis quanto eles e sabem, como sabem, que um dia vamos chorar, seja de alegria ou tristeza, e precisarão estar lá; ou talvez não possam estar.

E se não estiverem, teremos nós que saber relevar, porque, afinal de contas, as coisas são assim, e um dia nós também não estaremos. E a amizade, esse doce relacionamento em que duas almas se apoiam rumo à perfeição segue, com seus altos e baixos, proporcionando uma boa razão para pensar nas nossas conquistas, o simples motivo de compartilhá-las com alguém, mesmo que no silêncio.

sábado, 25 de agosto de 2007

Incertezas

(Ozzy Osbourne - Old L.A. Tonight)
"Look In The Future
Look In To My Eyes And Tell Me
Everything's All Right
Tell Me Where We're Going
I'm So Afraid 'Cos I Don't Know
What's Going On With My Life"

"Olhe para o futuro
Olhe nos meus olhos e diga-me
Que tudo está bem
Diga-me para onde estamos indo
Estou com muito medo porque eu não sei
O que está acontecendo com a minha vida"

A tradução é minha, então se tiver algo errado, me avisem. Esta música é do álbum Ozzmosis, última faixa, se não me engano, e tem um instrumental muito bonito. Peguei este pedaço porque retrata a sensação de muitos aqui; pelo menos das várias pessoas que têm cruzado meu caminho. Mudanças constantes, que nos tiram da nossa zona de conforto, e para as quais nem sempre nos sentimos preparados.

Assim como na música, às vezes precisamos que alguém nos diga que está tudo bem, porque nossa insegurança no que desconhecemos nos deixa meio perdidos. Sabemos, em grande parte das vezes, que a pessoa ao nosso lado não sabe tanto a mais que nós, mas uma palavra de conforto, realmente nos dá conforto. Disto podemos tirar algumas conclusões: sempre há alguém que podemos ajudar com uma palavra; nem sempre estamos tão perdidos assim; nossa insegurança depende de nós.

O futuro é incerto, e isto é tão certo quanto a morte. Por mais planos que façamos, sempre haverá uma variável que não conseguimos controlar, pelo simples detalhe de que ela não depende de nós. De uma hora para outra as coisas mudam e, tenha certeza, sempre estaremos preparados para esta mudança. Enfrentar novos cenários dá medo, mas testa nossa capacidade de nos mantermos de pé, por mais complicado que pareça quando os olharmos pela primeira vez.

Podemos escolher como fazer as coisas, o que ameniza a situação quando não sabemos o que está acontecendo em nossa vida. Decidimos olhar e esperar, ou agir. Temos em nossas mãos e, principalmente, em nossas mentes e coração, a capacidade de fazer um novo, ou simplesmente fazer diferente, para que possamos crescer. Aquela palavra de conforto? Ela não é somente importante, mas fundamental; cultivá-la e tê-la à disposição depende tanto de nós quanto depende vislumbrarmos um futuro bom.

Nossa capacidade de cultivar recompensas vai além dos grandes feitos. Atitudes simples, como um bom dia sinceramente alegre e acolhedor, podem salvar o dia de alguém. Tenha coisas e principalmente pessoas a quem se dedicar, mas não porque a sociedade lhe pede isto, não porque as religiões lhe doutrinam desta forma, mas porque é bom, porque faz bem para você e para os outros. Nunca saberemos o que nos acontecerá no futuro, sempre havendo a incerteza que por diversas vezes nos tirou e tirará o sono, mas podemos ter a certeza de ter feito o nosso melhor.

Diz-se que devemos ter uma vida digna, para que possamos nascer em meio a sorrisos e morrer em meio às lágrimas daqueles que sentem a nossa partida. Acho até que devemos morrer em meio aos sorrisos, na certeza daqueles que ficam de que demos o nosso show, de que fizemos a diferença e que, mesmo em meio à completa incerteza do mundo e do futuro, deixamos a certeza de que valeu a pena, e o exemplo de que vale a pena levantar a cabeça e seguir em frente, mostrando ao mundo que ele pode ser bom, que ele pode ser melhor; e isto depende somente de nós mesmos!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Tente

Hoje vou apenas deixar algumas palavras de uma pessoa que fez muito.

"É melhor tentar e falhar,
Que preocupar-se a ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão,
que sentar-se fazendo nada até o final..
Eu prefiro na chuva caminhar,
Que em dias tristes em casa me esconder.
Prefiro ser feliz, embora louco,
Que em conformidade viver!"
(Martin Luther King)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Vitórias

O que é realmente importante? Desde pequeno tenho presenciado conquistas minhas e conquistas alheias. Alguns momentos nos parecem tão comuns, mas podem ser tudo para alguém. Um casamento, uma formatura, uma recuperação de um acidente. Acidentes, inclusive, geralmente levam a uma mudança de foco, mostrando que coisas simples podem fazer falta, como o movimento de um membro do corpo, que pode nos parecer algo banal.

Vitórias são conquistas positivas, dentro da ótica do seu personagem vitorioso. Algumas nos dão um prazer de realização social, porque somos levados a mostrar que somos capazes de alcançar algo, como um emprego, a compra de uma casa ou mesmo encontrar alguém para casar. São as moedas que temos que pagar pela vida em conjunto, mas isto apenas se quisermos pertencer ao padrão criado pela sociedade.

Outras conquistas são de prazeres pessoais, o que explica o fato de alguns terem tudo, mas se sentirem incompletos, como se faltasse ainda alcançar algo. Somos doutrinados desde cedo a um comportamento aceitável, mas ele nem sempre se traduz nos nossos anseios, nos nossos sonhos. Para muitos é preciso romper barreiras de comportamento para se chegar ao ideal, àquilo que nos completa, passando por cima dos preconceitos e dos julgamentos de pessoas que, assim como a maioria, continua enclausurada no molde social; às vezes como nós mesmos.

Essas vitórias são mais difíceis de se conseguir, mas somente no começo. É preciso tratar a mente, o corpo, os sentimentos, de forma que o nosso todo entenda que não somos obrigados a pensar como o resto, a ser como o resto e a conquistar as mesmas coisas que todos. Dedicar-se à vocação é algo muitas vezes mencionado quando se fala em carreira profissional, mas que deveria, sempre, ser aplicado ao pessoal.

Casar-se é ótimo, mas o tempo leva a alegria das núpcias quando não se consegue entender que foi apenas uma vitória entre tantas que precisam ser cultivadas. Vitórias não são momentos que se congelam no tempo; estão mais para gráficos de produtividade, cuja linha de máximo precisa ser mantida com ações no decorrer do processo. Altos e baixos nos levam a crer que as conquistas são breves, a não ser que compreendamos que os baixos são o labor necessário para o regozijo dos altos.

Vitórias são pessoais, vitórias são únicas. Entenda-se primeiro quanto às coisas que lhe agradam. Preocupe-se em alcançar o que lhe brilha os olhos. Dinheiro? Status? Apresentação social? Tudo virá como conseqüência se for feito com empenho, com prazer e com a certeza de que a vitória não será passageira, mas sim uma constante de conquistas maravilhosas, que servirão de impulso nos momentos em que prevalecer o suor, rumo aos momentos das lágrimas de felicidade.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Memórias

A vida é como um livro sendo escrito, cujo final ainda pode nem ter sido planejado e cujas páginas, ainda em branco, escondem muitas realizações. Já foram desenroladas várias tramas, que trouxeram o personagem principal até o presente momento, em uma situação, talvez uma encruzilhada, que lhe cabe uma decisão importante; ou várias.

Neste momento podemos nos lembrar dos filmes, nos momentos cruciais em que a vida retorna em poucos instantes, passando como um filme na cabeça do personagem. As coisas boas, as coisas ruins, as mágoas, as alegrias, todas lá, registradas para um momento de lembrança oportuna. Mas este momento, quando seria? Se voltarmos ao livro e arrancarmos uma página, um parágrafo que seja, a história pode perder um ponto importante; assim somos nós!

Nossas memórias são o registro do que somos, de como chegamos onde estamos. Cada pedaço de situação vivida carrega consigo uma importante lição, um importante sentimento, uma pessoa que nos ensinou muito ou cuja vida dependeu de nós, mesmo que não tenhamos percebido. Fazemos o bem e o mal naturalmente, talvez nos dando conta disto muito tempo depois. E o que seria dessa compreensão se nos livrássemos de parte das memórias?

Nossas lembranças são como um grande banco de dados que deve ser utilizado de forma sábia. Se perdemos tempo demais acessando estas informações, corremos o risco de gastar o tempo que seria utilizado para incrementá-lo. Se as esquecemos completamente, com certeza novos erros iguais serão cometidos. O que fizemos deve ser utilizado como deveriam ser os livros de História, mas infelizmente não o são: analisar o passado, verificar o que de bom foi feito, evitar erros iguais e melhorar.

Somos hoje o que fizemos até agora! Seremos amanhã dependendo do que fizermos com o conhecimento, experiência e habilidade que conquistamos. Nossa jornada, nossa caminhada, é cheia de encruzilhadas e os caminhos são escolhidos. Não temos a capacidade de escolher somente na maioria das vezes; escolhemos em 100% das situações. Cabe-lhe o fruto de suas escolhas, boas e ruins, e as memórias podem lhe servir de lembrança, de aviso de algo que já foi, mas pode voltar a ser; tanto as coisas boas como as ruins.

Somos hoje parte do que seremos um dia. Fomos antes, parte do que somos hoje. Tirar de nós mesmos a possibilidade de sermos hoje uma parte completa de pedaços aglutinados até agora, é a certeza de sermos incompletos. Sejamos, pois, tudo o que conseguimos crescer até agora, usufruindo da maturidade relativa que nos cabe, subindo degraus rumo ao quão perfeitos seremos um dia. E as memórias, doces lembranças de nossa ignorância passada, que sejam utilizadas como ferramentas úteis para a nossa jornada rumo ao desfecho da nossa obra.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Essência

Somos individuais, por mais que pareçamos iguais. Somos únicos, mesmo que inseridos em uma massa de atitudes e costumes comuns. Temos em nós uma parte quase imutável, que nos caracteriza como únicos, geralmente restrita ao conhecimento de poucos, pois a maioria ainda não está preparada para nos conhecer por completo. Nossa essência nos caracteriza, garante nossos ideais, sustenta nossos sonhos em um mundo em que tudo pareceria perdido, não fosse a certeza que temos no que acreditamos em nosso íntimo.

Não jogue pérolas aos porcos, o que inclui não mostrar o melhor para quem não o valoriza ou para quem não está preparado para ele. Mas este pensamento tem uma falha, porque, se o melhor for bom, porque ocultá-lo? Nem todos estão preparados para nos conhecer em nossa essência, mesmo porque não nos compreenderíam. Nossa individualidade é algo tão pessoal, que com certeza nem mesmo nossos pais, ou as pessoas que nos criaram, conseguem entender o que se passa em nossos devaneios rumo a um estágio que consideramos o ideal.

Não devemos gastar nossos esforços no convencimento de que o mundo pode ser bom como imaginamos, também porque podemos não estar certos. Diz-se que existem muitas coisas ainda incompreendidas para os seres humanos e, neste caso, quem seria perfeito o bastante para se julgar o dono da verdade? O meu melhor, motivo de todos os meus empreendimentos, não desperta o mesmo brilho nos olhos dos outros; não de todos. Guardá-lo para mim é um imperativo que pode garantir com que meus sonhos sejam possíveis.

Mas como deixar de espalhar o que parece tão bom!? Não é preciso! Basta que nos lembremos que existem limites que, quando ultrapassados, ferem os limites alheios. Um professor geralmente possui mais de uma forma de explicar a mesma matéria, porque a compreensão de diversos alunos não é a mesma! Assim coloquemos nosso melhor, sem imposição, sem verdades absolutas, de formas distintas para cada um, preservando a essência.

Um bolo de morango não perde seu sabor de morango em função de sua estética. Um homem não perde sua essência quando o exterior já não espelha a juventude externa. Assim também podemos ser exploradores do nosso melhor, lapidando nosso íntimo para que sejamos perfeitos um dia, preservando o mundo do nosso orgulho em estarmos sempre certos. Nem todos estão prontos para a verdade, seja ela qual for. Respeitemos os limites alheios, assim como esperamos que façam conosco.

Propaguemos boas ações, pois elas falam por si. Não é preciso expor idéias e pontos de vista imutáveis, com a ansia de convencer todo o mundo. Espelhe seu interior em suas ações e as palavras não serão necessárias. Falar sobre alegria é tão fácil quando sorrir, mas o que fica na memória são os sorrisos, não os conceitos. Quer mostrar que paciência é importante? Seja paciente! Quer mostrar a importância do positivismo? Seja positivo! Quer que todos a sua volta estejam alegres e sorrindo? Sorria! E quando eu morrer, por favor, façam festa! Porque o mundo precisa de lágrimas, mas de felicidade!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

O beijo

Sabe, me surpreendi! Até beijo tem definição técnica: "Um beijo (do latim basium) é o toque dos lábios com qualquer coisa, normalmente uma pessoa." (Wikipédia) E do toque fez-se a forma. E além das formas fizeram-se os tipos; e são vários. Beijo de cumprimento, beijo de afeição, seja de uma mãe por seu filho, seja de amigos, chegando aos beijos românticos, que estrelaram em vários filmes.

Nos filmes e novelas achamos beijos técnicos, beijos não tão técnicos e alguns que até formaram casais entre as estrelas fora das telas. Diz-se que o beijo é uma das mais puras expressões de intimidade, quando as palavras são dispensadas, e as informações e emoções são compreendidas na sua essência e na sua extrema potencialidade.

O beijo é expressão de saudade, de alegria, de tristeza, de amor! Entre os amantes, é um dos exercícios mais prazerosos, seja como prato principal, seja como acessório indispensável, chegando a ser utilizado como termômetro das relações inter-pessoais amorosas. O beijo representa um acesso a informações reservadas a poucos, devendo ser tratado como uma jóia rara a ser cuidada, admirada e lapidada.

Infelizmente, como tudo, existem os práticos. Desportistas de final de semana que utilizam o beijo para contagem. Disto nasce a importância dos números, quando o que importa é a qualidade. Banaliza-se um toque por diversas vezes íntimo e que, antigamente, era reservado aos momentos de ternura.

Beijo na bochecha, beijo na boca, beijo na testa; este último mais incomum e geralmente recheado de uma ternura difícil de se explicar, hoje em dia mais raro que os outros. Mas todos bons, exercitam um lado do ser humano que as vezes é deixado de lado: o carinho. Mesmo quando nas competições juvenis, o beijo se relaciona com um momento de carinho, mesmo que instantâneo, efêmero.

O beijo! Ah, o beijo! Como seria bom se todos entendessem sua mágica! Como seria bom se todos o desenvolvessem com o carinho e a dedicação que ele merece! Teríamos talvez não apenas amantes, mas seres preparados para despertar emoções incompreendidas pela maioria, mas que causam reações que o coração sempre entende. Teríamos anjos em carne e osso, despertando para o amor os corações endurecidos daqueles que se engaiolaram cruelmente e se impedem das mais puras emoções.

Talvez assim consigamos atingir a sensibilidade, que mais uma vez lembro retratada no filme "Cidade dos Anjos": "Eu preferia ter sentido um cheiro de seu cabelo, um beijo da sua boca, um toque da sua mão, do que toda a eternidade sem isto. Um." Um beijo, apenas um, mas O beijo, e não apenas mais um!

domingo, 19 de agosto de 2007

Ética

Vamos às definições novamente: "A ética (palavra originada diretamente do latim ethica, e indiretamente do grego ηθική, ethiké) é um ramo da filosofia, e um sub-ramo da axiologia, que estuda a natureza do que é considerado adequado e moralmente correto." (Wikipédia). Também da mesma fonte "O termo moral é derivado do latim mores, que significa relativo aos costumes." Assim sendo, a ética seria uma "parte" da filosofia que estuda o que é adequado de acordo com os costumes da sociedade.

Não é difícil verificar aplicações desta matéria, bastando para isto se dirigir aos conselhos profissionais, que sempre possuem um código de ética, ou mesmo à nossa Carta Magna, que faz várias referências à moral, em vários de seus artigos. Além da parte legal, a ética e a moral se misturam às religiões, grupos sociais e nas mais diversas atividades relacionadas ao convívio em sociedade. A razão desta importância é simples: quando se vive em sociedade, é preciso determinar as atitudades que serão aceitas por ela.

Infelizmente em nosso país a ética tem sido algo usada por opção. Nem mesmo nos chamados "conselhos de ética", que instauram processos contra políticos e servidores públicos que se beneficiam ilegalmente de suas funções, parece haver um acordo sobre suas aplicações. Da mesma forma, basta olhar em volta e veremos várias atitudes contrárias ao que seria moralmente correto.

Quando atentamos contra a vida, estamos indo contra um princípio básico da ética, o de preservar a vida. Além disto, quando roubamos estamos tirando algo de alguém que não nos pertence. Utilizando uma descrição do livro "O caçador de pipas", quando se mente, rouba-se o direito da pessoa de saber a verdade, quando fazemos diversas coisas negativas, como sermos brutos, estamos roubando, neste caso, o direito da pessoa de ser tratada com dignidade.

A ética trata do que é certo e, neste ponto, não há meio certo; isto significaria meio errado também. Quando se rouba, não importa o montante, porque o ato em si é condenável. Nosso país tem sido um lugar de vícios aceitos socialmente, culminando em um momento de violência física e moral que tira a crença de muitos sobre um futuro positivo. Fazer o certo, quando se vive em sociedade, é ter a consciência de que devemos agir para com os outros da mesma forma com que gostaríamos de sermos tratados, pelo simples fato de que tudo se relaciona.

Alguns filmes retratam a situação hipotética de o personagem não ter nascido, mostrando as implicações de sua "não existência". Analise, analogamente, a implicação de nossos atos, bons e ruins, e teremos uma dimensão da aplicação da ética. Agir corretamente é o que nos falta para sermos um país de primeiro mundo, mas sem a conotação de super potência. Primeiro mundo deveria ser algo almejado visando bem estar social, crescimento e desenvolvimento intelectual e humano, e é justamente isto que a ética, a educação e as atitudades positivas decorrentes disto possibilitam.

Sermos éticos é necessário; é imperativo. Se queremos crescer, se queremos melhorar, é preciso entender que as coisas não podem ser feitas ao acaso "doa a quem doer". Precisamos crescer com a consciência de que junto com o crescimento vêm as responsabilidades. Ser adulto não é fácil, mas tem suas compensações. Assim também ser bom é difícil, pois precisamos ir contra características desnecessárias que precisamos lapidar, modificar e até eliminar; mas o resultado é fantástico. Façamos como os românticos e apreciemos a delicadeza das coisas, com o mesmo cuidado das crianças, que preferem ver o belo a possuí-lo, caso isto signifique sua destruição!

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Diversão

Da Constituição Federal: "Art. 6o São direitos sociais ...o lazer...". De uma das religiões, "Cristianismo – Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam fazei-lho também vós, porque esta é a Lei e os Profetas. Mateus 7,12", que, conforme post anterior, possui idéia semelhante à de outras crenças. A mesma Carta Magna garante direito ao trabalho e à liberdade quanto à execução deste, desde que respeitados determinados limites previstos.

A diversão é algo necessário, pois nos fornece um tempo útil para que possamos nos confraternizar e exercer atividades que nos proporcionem prazer, convívio social, entre tantas outras coisas que garantem um justo descanso após o trabalho árduo. Permite a admiração do belo em suas diversas formas, garantindo níveis aceitáveis de paz nos diversos ciclos sociais que o homem se insere ao longo da vida. Mas qual o limite entre o divertir-se e o extrapolar o limites?

Uma campanha recente do Ministério da Saúde mostra "o outro lado da bebida"; lado este conhecido por quase todos, devido ao fato de esta ser uma droga socialmente aceita. Tudo precisa de um equilíbrio e, ironicamente, a bebida nos tira o equilíbrio, entre outras coisas. Mas não sejamos carrascos de um só problema. Interpretemos os excessos.

O descanso só o pode ser assim desde que haja o cansaço causado por alguma atividade. Em um sistema social orientado pelo capital, é necessário que tenhamos a produção e a transformação deste, possibilitando, inclusive, a criação e manutenção de estruturas de lazer. O que seria da sociedade se todos resolvessem apenas desfrutar dos "prazeres da vida"? Talvez por isto a idéia relativa de prazer mude tanto de um indivíduo a outro, garantindo um equilíbrio.

É preciso que tenhamos a razão das conseqüências advindas de nossos atos, independente de em quais instâncias do nosso convívio diário e contínuo eles aconteçam. Além das drogas, o excesso de comportamentos garantem malefícios dispensáveis, como a queima do próximo como ato de descontração. Sem falso moralismo, a existência de valores morais é algo imperativo para a sobrevivência de um conglomerado de seres humanos a que denominamos sociedade. Fora de princípios que garantam sua sustentabilidade, não há o que esperar, senão o caos em que, hoje, nos encontramos.

As causas de problemas mostrados diariamente nas diversas mídias não podem ser restritas à corrupção política, pois esta mesma é uma conseqüência. A educação, associada a valores como ética, moral, respeito e tantos outros, precisa ser encarada não como algo estatístico, de orgãos fiscalizadores sem ação prática de transformação, mas sim como o impulso necessário para que possamos desfrutar das benéfices sociais até então criadas e prover outras.

A diversão é algo individual, único, com efeitos também muito peculiares. Deve ser exercida como nosso direito constitucional, sem a perda da noção de nosso dever para com o próximo. Embriaguemo-nos nos excessos de sentimentos bons, trazendo conosco nossos queridos. Com certeza isto nos permitirá uma qualidade de lazer muito melhor do que a que muitos hoje utilizam, e que apenas garante a saudade e as lágrimas.

Governo

O papel de um governo é garantir serviços à coletividade, como segurança, educação, saúde, entre outros. Mas, justiça seja feita, quantos de nós cumpriu o nosso papel nos últimos anos? O governo é uma "instituição" representativa, que tem a função de administrar os interesses do povo. Sendo assim, o cliente é o povo, que tem a obrigação de fiscalizar sua administração, assim como exigir mudanças.

Criticar é fácil e vivemos em um país de críticos de massa. Nossos "pensadores" manifestam suas idéias de revolta apenas em conjunto, pois seriam facilmente ridicularizados se colocados à prova individualmente. Se fizéssemos um passeio pelos orgãos representativos, passando pelos grêmios estudantis, centros acadêmicos, união nacional de estudantes e culminando no nosso governo, conseguiríamos verificar que a massa se deixa dominar por falta de conhecimento, pois nem ao menos sabe o que esses orgãos fazem; e sem conhecimento não há como cobrar de forma justa!

A maioria simplesmente não entende o que é feito pelos que a representa; pior ainda, não tem a vontade e a iniciativa de aprender. Os programas de TV focam apenas nas coisas erradas, não cumprindo seu papel de instrutores do público, despejando desgraças cuja solução parece depender de uma outra dimensão. Nosso próprio presidente, que teve origem no discurso de massa, desperdiça seu tempo, vez ou outra, criticando uma atitude que ele mesmo tinha em sua trajetória; a da crítica.

É preciso conhecimento, mas não apenas a poucos. É preciso atitude dos representantes, independente do cargo que ocupem. É imperativo a fiscalização e a cobrança não pelas promessas de campanha, mas sim pelas modificações estruturais que nos elevem ao potencial que a nossa nação possui, comparada ao melhor que ela mesma pode ser, não às outras do mundo.

Não adianta reclamarmos constantemente que as coisas não estão sendo feitas, quando não fazemos nossa parte. Esclarecer-se sobre como as coisas funcionam, para então poder exigir as mudanças, é o primeiro passo. O governo representa uma massa, espelhando seus interesses. Assim sendo, será um governo fraco e corrupto, se a falta de ética, atitude, coerência, participação e tantas outras coisas, imperar no próprio povo.

Sejamos o governo, conduzindo-o de forma que consigamos a saúde, a segurança e os outros serviços à coletividade. Sejamos o governo, mas não de forma infantil e amadora, que cobra prazos com obras incompletas, causando tragédias como a da TAM ou da GOL. A partir do momento em que a "massa" passar a entender como as coisas funcionam, compreenderá também que determinadas correções precisam de tempo, mas precisam ser iniciadas. Talvez assim paremos de apenas culpar nossos representantes, passando a entender o nosso papel ao apertar o botão "confirma".

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Crenças

Somos um país de multi coisas. Raças, culturas, cenários e, principalmente, crenças. Dentre elas podemos destacar as religiões, mesmo que este tema seja por demais polêmico. Mas qual o importante das religiões? A sua forma ou o seu conteúdo? Em um discurso sobre algum assunto, mesmo que sejam cometidos erros de linguagem pelo orador, tendo este se preparado quando ao assunto a ser exposto, a essência do tema não será prejudicada por completo.

Vejamos, pois, um mesmo assunto em crenças diferentes:

Bramanismo - Esta é a súmula do dever: Não faças nada a outrem que te causaria dor se fosse feito a ti. Mahabharata 5,1517.

Budismo – Não ofendas os outros por formas que julgarias ofensivas a ti mesmo. Udanavarga 5,18.

Confucionismo – Existe máxima pela qual devemos reger-nos durante toda a nossa vida? Sem dúvida, é a máxima da bondade e do amor: Não faças a outrem o que não quererias que eles fizessem a ti. Anacleto 15,23.

Taoísmo – Considera o ganho do próximo como teu próprio ganho e a perda do próximo como a tua própria perda. Tai-Shang Kan-Ing Pten.

Judaísmo – O que é odioso para ti não o faças ao teu próximo. Essa é toda a Lei; todo o resto é comentário. Talmud, Shabbat 31a.

Cristianismo – Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam fazei-lho também vós, porque esta é a Lei e os Profetas. Mateus 7,12

Islamismo – Nenhum de vós será crente enquanto não desejar para seu irmão o que deseja para si mesmo. Sunan.


Mesmo tema, palavras diferentes! Não faça ao teu próximo o que não gostaria que te fizessem. Assim sendo, porque tomar uma única crença como verdade ou uma como melhor que as outras? Em períodos como a Inquisição várias atrocidades foram cometidas em nome da preservação do pensamento de Deus. Nada muito diferente do que fez Hitler, quando tomou sua raça como superior, ou como é feito ainda hoje, quando eventualmente nos colocamos a criticar as práticas alheias.

Vivemos em um país que deve dispensar o preconceito, pela simples razão de que esta prática é ignorante. Carregada de falta de conhecimento, se dissipa ao menor esforço de esclarecimento. Não critique o outro sem o conhecer, porque quando a sabedoria alheia lhe penetrar a mente, perceberá que não há mais motivos. A liberdade de credo, garantida em nossa Constituição, não deve ser tomada como apenas mais um artigo, mas como um exemplo a ser seguido em outros níveis de nossos relacionamentos sociais.

Conheça, aprenda, olhe para o lado e perceba que por mais defeitos aparentes que uma crença tenha, ela provê o bem estar, bastando isto para ser considerada boa. Não há verdades absolutas, porque todos os credos têm influência humana. Se todas as religiões pregam a imperfeição temporária humana, como poderia o fruto de seu trabalho, independente do nome a que se exponha, ser considerado perfeito?

Sejamos sensatos, quando nos faltar o esclarecimento. Tenhamos a conduta de respeito, quando nos faltar a compreensão sobre as práticas alheias. E, por fim, quando nos julgarmos profundos conhecedores do nosso objeto de crítica, procedamos à comparação com o nosso próprio pensamento e credo, e acharemos muito mais em comum do que possamos imaginar. O livro não pode ser tomado pela capa, assim como a essência nem sempre se espelha no exterior. Como diria Platão: "Só sei que nada sei".

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Flores

A flor representa o belo! Vitória dos esforços do crescimento rumo aos frutos de uma nova, esperança de melhorias que se preparam para surgir. Portadoras de cores por vezes únicas, com aromas específicos, atraem para si o concurso dos portadores da vida. Atraem pela beleza, pela simplicidade, pela essência.

Das flores a inspiração para a moda, para os cosméticos, para os poemas e os poetas e, porque não, para a vida! As flores são a ponta, a porta de entrada para o resto do ser mas, sozinhas, não duram. Beleza empolgante mas, sem sustentação, efêmera. Transforma-se rapidamente em detalhe desconsiderável, se não for inserida em um meio de condições favoráveis que lhe permitam a beleza essêncial.

O ser humano é parecido. Possuímos, de formas distintas, luzes e perfumes únicos, que se multiplicam se estimulados de forma adequada. Imersos nas atitudes erradas, entretanto, murchamos rapidamente, perdendo o encanto, perdendo o perfume e nos tornando apenas uma sombra do que um dia fomos ou poderíamos ter sido.

O exterior tem que ser analisado como uma ferramenta fornecida pela natureza para a polinização. Entenda este processo de fecundação não apenas do ponto de vida sexual, mas de molde para um ser melhor. Possuímos características que precisam de evolução, cuja melhoria pode nos garantir o suporte necessário para que entendamos o real motivo de estarmos aqui e, assim, aproveitar não apenas o temporário, mas garantir um sorriso constante, duradouro e estimulante.

As flores embelezam quando colocadas juntas, com suas individualidades coletivas. Assim somos nós, admiráveis pelo que somos únicos, juntos formando uma coletividade de potencialidades. Somos apenas em grupos, fora dos quais perdemos nossa função. Somos sozinhos por pouco tempo, efêmeros como a beleza de uma rosa fora do seu habitat.

Das flores, utilizemos a inspiração para nossos poemas. Das flores, aprendamos que com o tempo a beleza murcha, mas é possível se preparar para um novo florecer. Das flores, entendamos que o belo aos olhos pode ser mais belo, se visto pelo coração. Sejamos flores de beleza perpétua, garantindo suspiros de admiração, mesmo quando a casca, em sua complexidade, expressar apenas as marcas do desenvolvimento.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Mulheres

Estou buscando inspiração para algo e me pego pensando no que naturalmente me inspira. Olhares, gestos, palavras, perfumes. Tema de diversos poetas, sua delicadeza pode ser comparada às mais singelas criações divinas, provocando reações diversas, das mais exaltadas às mais puras lágrimas de admiração, não apenas pela beleza, mas pela pureza de sentimentos.

Deus, o criador, ou qual será a forma superior que mantém tudo girando, empregou ingredientes distintos às suas diversas criações, reservando detalhes especiais para as crianças e as mulheres. Estas últimas, inclusive, tiveram por função cuidar daquelas, oferencendo-lhes o ambiente necessário para que conseguissem florecer.

Complexas de uma simplicidade admirável, são únicas em cada detalhe, permitindo surpresas instantâneas mesmo após anos de convivência. Sabendo-as acompanhar, é possível deparar-se com novas belezas a cada dia, dentro de uma mesma, chegando ao ponto de duvidar de que se trata de apenas uma. Analisá-las requer tempo, dedicação, transmissão de confiança para que se mostrem em sua totalidade.

As flores não se mostram em climas desfavoráveis. Os frutos não surgem em meio à adversidade completa, assim como as plantas precisam do ambiente adequado para crescerem. Mulheres, belas em essência, precisam do toque de suavidade ideal para que se mostrem em toda a sua imponência de seres divinos, destinados a suavizar nossas provações com um simples sorriso.

A nós, pobres e exigentes mortais, resta-nos o aprimoramento. É necessário entender que as rosas são belas e perfumadas, mas têm espinhos; não deixam porém sua beleza de lado em função do perigo de nos machucar. É preciso, pois, saber como segurá-las, ampará-las e admirar seus detalhes, porque uma luminosidade diferenciada sempre revela uma característica escondida.

Poder-se-ia discorrer por anos, séculos, e ainda assim faltariam detalhes. Mulheres são seres mágicos, que nos surpreedem por serem como são; mais ainda quando começamos a aprender como são. Obras de arte para serem bem apreciadas necessitam de admiradores capazes de sentí-las. Aos corações ainda cegos para as sutilezas desta matéria, abram-se! Aos olhos ainda turvos diante de tamanha expressão do belo, sensibilizem-se, pois somente com o sentimento é possível sentir o que não se pode ver por completo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Dinheiro

Vivemos em um sistema de capitais, que tem a "moeda" como mola propulsora. O dinheiro é o responsável pelas trocas que garantem a sobrevivência, o conforto e, também, a dor de cabeça, seja pela falta, seja pelo excesso. Os extremos sempre trazem conseqüências delicadas, assim como a dependência pelo excesso, independente da causa.

Crescemos ouvindo casos de sucesso de capitalistas famosos, tendo acesso cada vez mais fácil às histórias dos bem sucedidos do mundo material, que sairam do nada e hoje têm milhões. Aprendemos que sem dinheiro não se faz nada e que é necessário correr atrás de um bom emprego para garantir um futuro tranquilo; com dinheiro. Mas, nisto tudo, onde fica a paixão e a satisfação em se fazer o que se gosta?

Muita gente acho isto ilusão, utopia, idéias de sonhadores que ainda não acordaram para o mundo real. Quem sabe ainda não tenham acordado do sonho de entender que o mundo é o que fazemos dele, sendo percebido pela forma como o tratamos e o vemos! Experimente fazer algo por prazer, como um teste. Uma hora disto passará rapidamente, como um breve instante. Agora tente a mesma experiência com algo que lhe desagrada; não se espante se parecer uma eternidade!

Agora imagine ter que trabalhar com algo que lhe desagrade por toda uma vida, suponhamos com uns 50 anos úteis, e não será difícil entender o motivo de tanta insatisfação, violência, crises existênciais, falta de esperança e por aí segue. Tudo é interligado e o pensamento de "trabalhar" por obrigação pode causar danos graves!

Mas, e o dinheiro? Se todos fizerem o que gostam, trabalharem por hobbie, por emoção, como fica o sistema produtivo que precisa de peças específicas em cada posição? Surpreenda-se ao saber que nem todo mundo quer a mesma coisa e ao passo que alguns detestam ensinar, outros brilham os olhos ao transmitir conhecimentos. Satisfação é algo pessoal, relacionado aos interesses de cada um. Dinheiro? Ele aparece para quem faz as coisas da melhor forma, mais ainda para aqueles que inventam a melhor forma de se fazer algo.

Apaixonados em diversas áreas de atuação inventaram maravilhas em seus hobbies. Os resultados aparecem naturalmente, quando não nos preocupamos tanto com eles. Ter como meta a recompensa financeira é um grande passo para o fracasso, porque ela pode demorar em muitos casos. Mas se você faz o que gosta, conseguirá abrir mão de algumas regalias em prol de sua satisfação.

Não saia de casa como alguém a ser abatido. Não abra mão do que lhe parece importante, porque no final o dinheiro não o seguirá na cova. De que adianta ter alguns poucos anos de velhice tranquila, se para isto for necessário desperdiçar toda uma vida? Não se foca tanto mais em manter-se vivo mas sim, em todas as áreas, em qualidade de vida. Se você aprecia a natureza, sente qualquer dia desses em um banco de praça e abra-se, sentindo o vento, olhando as crianças à sua volta, curtindo um tempo que passará rápido, com certeza.

Dinheiro garante sobrevivência no sistema em que vivemos, mas é só; sem demagogia. Sua família, seus amigos, sua companhia e outras coisas boas, não permanecerão sinceramente ao seu lado pelo dinheiro. Não supra falta de qualidade com coisas materiais, porque um dia elas se vão, não há como evitar. Convido-o, pois, a ser um sonhador e cuidar das coisas que lhe agradam, porque só assim conseguiremos ser felizes. Como diria um sonhador, que com certeza deve ter morrido sonhando com um mundo melhor:

"Você pode dizer que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia você junte-se a nós
E o mundo será como um só"

domingo, 12 de agosto de 2007

Liberdade

Vi esta frase em um perfil de orkut: "a liberdade é a prisão que te incomoda menos". Lembro-me de uma cena de uma novela recente sobre a escravatura, em que uma fila de ex-escravos saía das fazendas, sem rumo, sem perspectivas, apenas com a gostosa sensação momentânea de que não tinham mais que viver presos. Analisando a angústia, solidão aparente e uma outra quantidade de mazelas psicológicas do dia a dia, temos vivenciado situações bem semelhantes.

Dentro disto, vivemos saindo de uma prisão para a outra, como os escravos que saíram das prisões das fazendas, para serem encarcerados em um mundo que, à época, não lhes daria muita coisa diferente. Nos apegamos a coisas e valores equivocados, que nos fazem sentir só como um encarcerado, mesmo em meio a uma multidão.

No filme "O homem bicentenário", o robô tenta comprar a sua liberdade por chegar à conclusão de que algo cuja essência tem gerado lutas e guerras mundiais deve valer algo. Muitos lutaram por ela, sem entender que ela não está atrelada à liberdade física de movimentos; tantos outros sem conseguir aproveitá-la nem mesmo temporariamente, como o fizeram os escravos recém libertos, pois estavam ocupados demais em sua busca.

Isto atrapalha, com certeza; nossa busca incessante pelo final das coisas, em que não conseguimos aproveitar o durante. Nossas prisões ainda existirão por um bom tempo, não de castelos e masmorras, mas de sentimentos que nos corroem a contra-gosto. Escolher uma que incomode menos, significa conhecer-se e trilhar um caminho mais livre de atribulações, ao mesmo tempo em que ter a consciência de que este pedaço de ser livre contém a essência da liberdade completa, sendo, só por isto, digno de regozigo.

Já ouvi dizer que a felicidade não é deste mundo e acredito sinceramente que a liberdade também não. Mas já vi pessoas felizes e também as que se sentem livres, apesar de estarem em situações bem adversas. Não vejo o inferno como algo aterrorizante, pois interpreto estar dentro dele, em um lugar onde possuímos satisfações temporárias, desejos inalcançáveis e vontades insaciáveis.

Mas a parte boa existe, em pedaços espalhados. Aprender a juntar esses pedaços ou, quem sabe, torná-los mais próximos, cria uma prisão menos incômoda, aumentando o grau de nossa soltura! Liberdade, ainda que tardia. Ainda que demoremos a entender como alcançá-la, este dia chegará e, até lá, cada um tem sua escolha: sorrir como os escravos, sabendo aproveitar o momento por estarem temporariamente livres, sabendo que as perspectivas existem, mesmo que pequenas, ou chorar por não conseguir tudo.

Há muito a se conseguir; tudo é coisa demais! A liberdade? Sim, ela existe! Mora nos pequenos detalhes que podem ser admirados facilmente, desde que deixemos de nos preocupar demais em sermos grandes, para assumir a beleza de sermos pequenas maravilhas.

sábado, 11 de agosto de 2007

Reflexões

São tantos temas, tantos acontecimentos e tanto motivo para fazer um monte de coisa, mas sempre nos deparamos em algum momento com um vazio interior que nos dá a sensação de não saber quais atitudes tomar, sobre quais temas escrever e qual o lado da vida que devemos escolher! Assim, dentro do cotidiano que criamos para nós mesmos, deixamos que a vida nos leve, apenas existindo, e sem pensar sobre nada apenas vemos o tempo passar!

Refletir, entre outras significações, pode ser colocado como espelhar; talvez a si mesmo. Pensar sobre o que se tem sido, o que tem acontecido e o que se tem feito para mudar as coisas para melhor. Refletir é algo necessário e que deveria ser um hábito constante, o que traria muitas alegrias evitando atitudes impensadas vistas todos os dias. Pensar sobre as coisas e criar uma opinião, ao invés de aceitar o que nos é imposto ou então simplesmente não fazer nada.

Pessoas com opinião foram, são e sempre serão ameaças, pelo menos até que poucos pensem. Morrerão ainda pela cicuta, pela fogueira ou pelo desprezo dos que as veêm como ameaças vivas a arranhar a tranquilidade do comodismo burro! Pensadores são líderes perigosos, que não lideram exércitos poderosos mas mentes transformadoras, capazes de entender que o efeito não pode ser tomado pela causa, e que a inércia não pode ser interpretada como atividade criadora.

As grandes nações de hoje têm passado pela educação e não uma que cria executores, mas cientistas, filósofos e toda uma série de mentes pensantes que precisam ser valorizadas. A reflexão é o caminho para utilizar os conhecimentos até então existentes e até criticá-los, fornecendo base racional para se gerar coisas novas e corrigir erros antigos.

Nosso problema não é fruto da colonização. Justificar erros subseqüentes por um ocorrido há séculos não pode ser mais do que um erro. O conhecimento deve ser propagado e pensado! Olhar para trás não para decorar datas para provas desnecessárias, mas com o intuito de repensar a existência para as provas de uma vida evolutiva que, como toda evolução, precisa melhorar.

Reflexão é algo que ajuda, se aliada às atitudes corretas. Mas como saber quais são elas sem pensar sobre elas? Investir tempo útil em pensar como e o que fazer não pode nunca ser interpretado como desperdício, afinal de contas o que nos rodeia surgiu assim. Penso, logo existo. Não apenas pense, mas analise seus pensamentos e você! Entenda, propague o entendimento. Seja não apenas um livro no final da estante, cheio de poeira e conhecimentos parados. Transforme sua reflexão em atitudes reais, capazes de se tornarem úteis.

Muitas coisas nos distinguem dos animais, mas uma delas se destaca: temos a capacidade de pensar o que foi feito, entender as coisas erradas, corrigí-las e passar a fazer certo. Ainda temos mais uma diferença, e esta poucos aproveitam. Temos a consciência de saber o que foi bom e o que não foi, e quando arrumamos algo, conseguimos ter a satisfação de saber que algo melhorou e podemos compartilhar este sentimento. É isto! Reflita, reflita-se, e divida suas benesses, porque poucos pagamentos são tão significantes quanto um sorriso sincero!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Sinceridade

Poderia discorrer sobre a parte das mentiras, mas acho mais interessante evidenciar o lado positivo da coisa. Andam dizendo que a bruxa foi solta nos meses passados e, por onde se olha, há casais de vários anos se separando. Não apenas isto! Pode-se ver sem dificuldade várias "pessoas perfeitas" em busca da cara metade, reclamando da escassez do mercado quando se precisa de pessoas para um relacionamento sério.

Incluso neste ambiente, existem também várias pessoas que reclamam da inexistência de candidatos a reais amigos, devido ao fato de as pessoas não serem confiáveis. É claro que nosso orgulho não nos deixa perceber que muitas pessoas não nos confiariam uma amizade sincera, porque nos incluiriam na parcela negativa. E, assim sendo, nada nos impediria de entrar na parcela social dos que não aparentam uma seriedade confiável em um relacionamento.

Vivemos em um mundo de aparência em que vale mais a marca do que saber o motivo dela ter seu preço. Muitas pessoas escolhem seus livros na lista dos "best sellers", simplesmente para ter assunto em uma roda de "pessoas informadas". E os valores? Ficaram para segundo plano!? O problema não é o mercado, mas o conteúdo dele. E nisto tudo pode-se perguntar: o que foi feito da sinceridade?

As áreas de vendas têm a péssima reputação de se utilizarem da mentira para conseguir empurrar produtos, reflexo de uma massa de vendedores que não sabem nada sobre o seu produto e o da concorrência. Seja por estarmos em um sistema capitalista ou por outros motivos, este comportamento foi espelhado para as relações humanas. Pessoas com uma completa ignorância sobre si mesmas tentam conquistar pessoas desconhecidas, sem tomar conhecimento de sua concorrência direta.

A sinceridade precisa ter início no eu. Até que ponto somos sinceros conosco a respeito de nossas reais qualidades e, principalmente, de nossos defeitos? Maquear um problema causa apenas uma prorrogação de sua solução, que precisará aparecer um dia. Será que somos sinceros conosco a respeito dos nossos modelos de desejos e necessidades? Qualquer amante sabe que os modelos se quebram facilmente quando feitos por aparência, quando os olhos brilham e o coração sorri.

E a sinceridade com o outro? Em grande maioria a deixamos para segundo plano, desde situações simples, como deixar o orgulho de lado e assumir um sentimento de saudade, a situações mais complexas, cujos exemplos renderiam um livro. O grande problema é que cedo ou tarde as máscaras caem e, com elas, vão embora confiança, respeito e a possibilidade de uma realização de longo prazo.

Para poder cobrar algo de alguém, primeiro é necessário ter o que se cobra em si mesmo! Melhorar a estética apenas nos dá a prerrogativa de cobrar estética. Se no seu modelo de amor perfeito estão inclusas características como sinceridade, fidelidade, carinho, romantismo e tantas outras, vamos lá, seja sincero consigo e olhe para dentro de si. Cuidar do seu jardim para atrair as borboletas, como dizem os poetas, nada mais é do que cuidar do eu. E quem sabe assim, em um dia em que a sinceridade não for opcional mas uma parte obrigatória, consigamos nos livrar dos "vendedores" da mentira!

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Faça valer a pena

Lembro desta frase de um filme chamado "O resgate do soldado Ryan". Para quem o assistiu, sabe que ele é passível de várias análises, mas enfatizarei duas, em específico, sendo a primeira o título do post. A segunda mora no desenrolar do próprio filme, em que um grupo de soldados se sacrifica para salvar o tal Ryan, inclusive morrendo por ele.

Fazer valer a pena, pela ótica do filme, significa aproveitar uma segunda chance; fazer escolhas sensatas e ter atitudes honradas, que justifiquem o investimento, inclusive de vidas alheias, para que alguém possa ter uma nova chance. Nosso cotidiano não é diferente, porque existem pessoas que se sacrificam em sub-empregos, alguns até pagando com a vida, para que tenhamos as oportunidades que nos são diariamente apresentadas. Alguns, como os pais, se sacrificam de forma subjetiva pelos seus filhos.

Nossa capacidade de escolha nos permite decidir nossos caminhos, sabendo que os mais certos nem sempre são os mais fáceis; talvez por isto façamos tanta coisa errada, por preguiça. Mas seria justo com todos os que nos dão suporte, escolher por desperdiçar esta chance? O único jeito de ser completamente independente é se afastar de qualquer contato humano e morar sozinho, tipo, no meio do deserto; assim a pessoa pode ser totalmente livre. Do contrário, terá obrigações e direitos com os demais à sua volta.

Nunca estamos sozinhos, por mais que nosso coração se sinta vazio! Olhe à sua volta e verá não apenas seres humanos, mas diversas coisas que dependem de você para que possam existir. Não exista apenas, assuma sua parte na engrenagem, o que não implica em ser um parafuso sem importância, pois mesmo os menores parafusos sustentam toda a engrenarem e sua existência tem uma razão de ser, um propósito.

Faça valer a pena! Pense sobre isto! Ter o coração vazio pode significar a certeza de saber que há a possibilidade de se fazer algo grandioso, na consciência de se colocar à margem da rodovia, vendo os carros passarem. Mudando um pouco um dito popular, o pior cego é aquele que acha que o mundo apagou de verdade, não fazendo nada para tentar acender uma luz. Cegos, mudos, insensíveis, brutos e tantas outras enfermidades que criamos como desculpa para não fazer o que nos cabe. E depois? Como iremos encarar a pessoa do espelho quando nossa maturidade e consciência forem mais importantes que a nossa aparência física?

Fazer valer a pena não significa apenas fazer o que lhe cabe, mas ajudar os outros no fardo que lhes compete. Em uma sociedade, assim como em um relacionamento, a queda de uma das partes gera conseqüências diretas e indiretas no todo. Fazer valer a pena, para os egoístas, significa manter seu mundo de tranquilidade, porque nada se sustenta sozinho!

Gandhi não mudou o mundo; Hitler também não. Assim como um personagem que praticamente todos conhecem, que veio com a intenção de nos mostrar que o mundo pode ser melhor, eles deixaram, a seu modo, uma semente de que as coisas podem mudar, tanto para bom quanto para ruim, e que os reflexos de nossos atitudes se propagam pelo tempo, principalmente se alguém nos considerar importante e capazes para fazer acontecer. Faça direito, porque alguém sempre te acompanhará e o tomará como exemplo! Faça valer a pena, porque isto, definitivamente, vale a pena!

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Motivação

"Motivação é o processo responsável pela intensidade, direção, e persistência dos esforços de uma pessoa para o alcance de uma determinada meta." (Wikipédia) Existem outras definições para o termo, mas esta ajuda a analisá-lo. Ao se pensar em esforços de uma pessoa para atingir uma meta, é preciso refletir sobre as diferentes realidades e vontades das pessoas, que influenciarão na escala de importância relativa das coisas.

Algumas pessoas preferem utilizar-se do esforço físico, ação que causaria fadiga em outros apenas por pensar em fazê-lo. Além disto, se um determinado objetivo não fizer sentido para um indivíduo, será grande a probabilidade de que ele o veja como algo desnecessário, não empenhando esforços para alcançá-lo. Desta forma, a visão das pessoas influencia diretamente na forma como se motivam ou se deixam motivar.

De acordo com as teorias administrativas e comportamentais, não se pode motivar alguém, isto porque a motivação é algo interior, devendo ser gerada pelo próprio indivíduo. Entretanto, é possível criar as condições favoráveis para que ela aconteça da forma esperada ou bem próximo disto. Para isto é necessário entender o contexto socio-econômico em que o indivíduo se insere, além de, principalmente, suas características pessoais e valores, que serão ponto de partida para que consigamos determinar a sua escala de importância com relação aos estímulos externos.

As pessoas são diferentes e ao passo que umas se encantam por estímulos financeiros, a outras ele não passa de um detalhe. Apesar destas diferenças, existe um ponto comum em todos, ligado à satisfação. Quando um indivíduo sente prazer em fazer algo, o faz com empenho, responsabilidade e realmente se entrega ao projeto. Assim sendo, basta que saibamos o que nos dá prazer.

Dada esta argumentação, pode parecer que a motivação se aplica apenas ao ambiente corporativo, devendo ser objeto de estudo dos líderes capitalistas, o que não é verdade. Quando se reflete sobre as relações humanas, sejam elas quais forem, entende-se o motivo de algumas pessoas espelharem alegria, enquanto outras transparecem uma carga aparentemente além do suportado. Fazer o que se gosta exige capacidade de escolha e decisão, mas, apesar dos desafios iniciais, garante a satisfação e uma motivação em alta quase constante.

Ao nos relacionarmos, fazermos nossas escolhas, projetos futuros e toda a gama de relações a que estamos sujeitos, é útil pensarmos por esta ótica. Assim ficará mais fácil agradar aos que nos rodeiam, agradar a nós mesmos e conseguir as coisas de forma mais prática e agradável. A vida não tem que ser complicada, bastando para isto que consigamos acrescentar às realizações a satisfação em alcançá-las. Pense como seria bom se todas as coisas que fossem alcançadas causassem alegria! Isto é possível, basta que você mude o foco!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

A vida

Falar da vida é algo complexo, porque a percepção dela está ligada ao ambiente, à criação, às esperanças e a várias outras coisas que são proporcionadas pelo meio e, principalmente, pelas experiências de cada um. O conceito e a razão de sua existência são duas coisas mutáveis pelo tempo, porque este trás informações que nos levam a questionar nossa forma de pensar e sentir as coisas.

Alguns a vêem como um caminho para a redenção, situada entre duas alegorias religiosas denominadas céu e inferno. Outros, como uma clausura temporária com desafios necessários a uma evolução certa, mas com tempo indefinido. Mas o que será realmente isto que chamamos de vida e qual a sua função?

A natureza tem processos cuja simplicidade é admirável, mas nem todos eles ainda são claramente conhecidos. Apesar disto, suas reações e ações acabam por nos afetar direta ou indiretamente, mesmo quando estamos ocupados demais para nos darmos conta.

O vermelho só é assim denominado porque alguém o fez um dia, sendo associado à sua cor, porque assim aprendemos. Ainda assim guarda sua individualidade, assim como seu poder de se associar e formar cores novas. Juntando essas duas observações, tem-se que tudo o que nos rodeia nada mais é do que dados que nos foram ensinados e que se transformam em informações, de acordo com o que nos foi passado e com a forma como cada um resolveu refletir e aprender.

A vida é algo tão complexo quanto um pássaro ou uma gota d`água. Cada um a percebe de um jeito, mas ela influencia a todos, formando um interligado de sentimentos, percepções, ações e reações, mas não é esta a parte importante. De que importa o nome de alguém, quando na verdade são as idéias e atitudes que mostram quem a pessoa realmente é?

A vida é algo simples, mas por demais complexo! Assim como todas as outras coisas e nós mesmos, não passa de uma obra de arte em produção, cujos espectadores são também atores principais. O final pode ser feliz, mesmo que pareça triste! Complicado? Não tanto. Porque a morte da lagarta, significa o nascer da borboleta! Tudo só dependerá da forma como você estiver disposto a vê-la. Simples, não?

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Sensibilidade

Saudemos as crianças e os apaixonados, porque eles têm a chave para a percepção do belo! Tornemo-nos verdadeiros poetas que aprenderam a beleza do amor, e sabem que sem ele é complicado se chegar ao poema perfeito. A sensibilidade é algo natural, mas que precisa, na maioria das pessoas, de muito trabalho e desenvolvimento.

As pessoas são bem mais transparentes do que se possa imaginar, nos permitindo acesso a informações detalhadas sobre sua forma de pensar, agir e sentir, desde que consigamos sentí-las da forma adequada. A sensibilidade é algo que nos permite ver os detalhes, as características ocultas, e trabalhá-las de forma a extrair o melhor das coisas e das pessoas.

Às crianças, quem nunca se encantou por algum bicho diferente que lhe passasse aos olhos? Aos apaixonados, quem nunca se emocionou com o brilho de uma lua cheia no céu? Percepção, curiosidade, abertura para os sentimentos, livre de preconceitos. Nossa sociedade clama pela sensibilidade, da mesma forma que a condena de forma brusca, com sutilezas escondidas em preconceitos estruturais; porque os homens não choram.

O que seriam anjos, senão seres mais preparados para usufruir das belezas contidas na natureza? Dizem que são belos, sensíveis e têm a eternidade! Pois não temos isto? Todos belos, com belezas únicas. Todos sensíveis, mas que em sua maioria não se permitem sentimentos por medo de sofrer ou, pior, de serem incompreendidos. Eternidade? Ela é relativa, mas para os amantes e as crianças, cada momento bom parece eterno.

Deixe os preconceitos sociais e entregue-se às coisas boas. Livre-se das armas que o tempo foi lhe entregando, porque elas pesam. Deixe o coração e o resto do corpo aberto às sensações, porque só assim é possível entender as lágrimas de uma pessoa que ouve uma linda ópera ou de um amante que sente o perfume da pessoa amada.

Somos sensibilidade e negar nossa natureza é um dos grandes motivos pelos quais muitos não chegam à plenitude! Incompreensão? Deixe que ela reine temporariamente nos corações endurecidos, porque um dia eles entenderão que não vale a pena privar-se de ser feliz! Sinta, porque fotos, vídeos e outros registros nunca poderão lhe ensinar ou lhe dar a real sensação do quão bom é sentir-se vivo!

domingo, 5 de agosto de 2007

Depois de um tempo (Veronica Shoffstall)

Este é digno de reflexão:

"After a while you learn
the subtle difference between
holding a hand and chaining a soul
and you learn
that love doesn't mean leaning
and company doesn't always mean security.
And you begin to learn
that kisses aren't contracts
and presents aren't promises
and you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes ahead
with the grace of woman, not the grief of a child
and you learn
to build all your roads on today
because tomorrow's ground is
too uncertain for plans
and futures have a way of falling down
in mid-flight.
After a while you learn
that even sunshine burns
if you get too much
so you plant your own garden
and decorate your own soul
instead of waiting for someone
to bring you flowers.
And you learn that you really can endure
you really are strong
you really do have worth
and you learn
and you learn
with every goodbye, you learn."

"Depois de um tempo você aprende
a sutil diferença entre
segurar uma mão e acorrentar uma alma
e você aprende
que amar não significa apoiar-se
e companhia não quer sempre dizer segurança
e você começa a aprender
que beijos não são contratos
e presentes não são promessas
e você começa a aceitar suas derrotas
com sua cabeça erguida e seus olhos adiante
com a graça de mulher, não a tristeza de uma criança
e você aprende
a construir todas as estradas hoje
porque o terreno de amanhã é
demasiado incerto para planos
e futuros têm o hábito de cair
no meio do vôo
Depois de um tempo você aprende
que até mesmo a luz do sol queima
se você a tiver demais
então você planta seu próprio jardim
e enfeita sua própria alma
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores
E você aprende que você realmente pode resistir
você realmente é forte
você realmente tem valor
e você aprende
e você aprende
com cada adeus, você aprende."

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Mudanças

As coisas mudam; isto é fato! Mas será que a gente consegue acompanhar as mudanças à nossa volta? Qual a sensação de olhar para trás e ver que tudo ou todos mudaram e a gente estacionou? Provavelmente isto não aconteceria por completo mas, seria como dar de cara com uma faixa de tempo perdido que não pode ser trazida de volta.

Coisas boas acontecem e nos causam alterações diversas, assim como as coisas ruins também podem. O fato é que muitas vezes nós temos o péssimo costume de tentar abafar as coisas ruins, esquecer que elas aconteceram e, assim, renegamos um pouco de nós mesmos, de nossas escolhas que não saíram como esperávamos.

A gente aprende com o tempo que somos o que somos pelo que vivemos, independente da forma. A dor de uma derrota causa estragos, mas faz entender como seria se tivéssemos ganho e outro perdido e, assim, aprender, inclusive, como tratar o lado perdedor, porque poderíamos ser nós mesmos.

As coisas mudam, os planos mudam e a gente cresce. Analisar as coisas que se passaram e entender o que poderia ter sido feito é uma bela forma de amadurecer; corrigir os erros a tempo, porque na vida se perdem batalhas, não a guerra. "Vim, vi e venci". No final é isto que quero poder pronunciar, mas não somente.

Seria melhor, quem sabe: Vim, conheci pessoas maravilhosas e tive momentos fantásticos com elas. Vi as maravilhas do mundo e aprendi com seus detalhes, com a diferença que existe em cada uma. Venci, porque aprendi que não se faz as coisas sozinho e que apesar de ser autoditata em vários assuntos, consegui compartilhar minhas lágrimas de alegria e de tristeza com muitos, e isto fez toda a diferença.

Mude, transforme-se, viva. Continuo mudando e a cada mudança um frio na barriga diferente. Um medo que nos deixa acordado, que nos coloca alerta e que nos faz lembrar das coisas que passaram "com o sorriso de um adulto e não com a tristeza de uma criança". Como um adulto que se recorda dos excessos da sua juventude, com a certeza de que está melhor do que jamais esteve. Vim, vi e, sem dúvida alguma, venci!

Planejamento

"se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve" (Shakespeare). A maioria das pessoas não sabe o que quer ter em alguns anos. Não tem idéia das coisas que quer corrigir e conquistar, e vai deixando a vida levar, como se aquele dito popular que nos faz acreditar que as coisas já estavam traçadas fosse verdade.


Existem vários caminhos para se chegar ao mesmo lugar, uns mais fáceis, outros nem tanto, mas todos tem seus benefícios e seus obstáculos. Como definir qual seguir? Se hoje aparece uma oportunidade imperdível de emprego, será que ela seria tão imperdível para você quanto para a pessoa ao seu lado? O que você valoriza? Família, tranquilidade e qualidade de vida está associada para você a ter um tempo livre para fazer as coisas que gosta? Se for, uma oportunidade imperdível na área comercial provavelmente será dispensável.

Planejar significa estruturar ações de forma antecipada, definir metas e objetivos que serão colocados em prática para se chegar a um final. Mas nenhum planejamento é definitivo, simplesmente pelo fato de que as coisas mudam; é preciso atualizá-lo. Definindo um caminho a ser seguido, fica mais simples tomar decisões importantes, pois neste caso existem parâmetros de análise, que permitem que as escolhas sejam feitas de forma racional e não, por exemplo, com base no valor aparente do salário de uma "proposta imperdível".

As pessoas têm valores diferentes e dão às mesmas coisas, graus de importância distintos. Não se pode querer que todos, portanto, queiram as mesmas coisas, razão pela qual uma orientação sobre uma nova idéia deve ser feita de forma a procurar na pessoa o que ela acha importante. Seríamos péssimos conselheiros se o fizéssemos com base nas nossas próprias preferências, como fazem muitos pais que, na tentativa de escolher "o melhor para seus filhos", acabam levando alguém com vocação para letras ao ramo da engenharia. A probabilidade de fracasso será grande.

Devemos planejar sim, mas com racionalidade. Levante os objetivos, analise o que você valoriza e não abre mão, para só então definir como estará disposto a tomar os melhores caminhos. Isto vale para novos negócios, relacionamentos, planos de crescimento pessoal e profissional. Sem uma organização pessoal mínima, dentro dos padrões de organização de cada um, será muito mais difícil alcançar a "boa idade" dos nossos sonhos.

Eu não quero muito, mas o muito para mim pode se tornar impossível dependendo de como forem desenrolados os obstáculos que surgirem. Estar preparado é uma questão de escolha antecipada, porque, como diz o ditado, com uma ligeira modificação, "não adianta chorar pelo leite já mamado".

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Preconceito

"Preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória que se baseia nos conhecimentos surgidos em determinado momento como se revelassem verdades sobre pessoas ou lugares determinados." (Wikipédia).

Achei interessante começar com uma descrição formal do termo, principalmente pelo fato de que me pediram para escrever sobre a primeira impressão ao se conhecer alguém; resolvi expandir o assunto. Em um dos vários filmes que já vi, chamado "O Gênio Indomável", há um diálogo dos dois atores principais a respeito de uma frase muito usada popularmente "não se deve avaliar o livro pela capa". Já conheci várias pessoas que tinham ótimas capas e nenhum conteúdo, assim como já me surpreendi com pessoas que confessaram me analisar apenas pela parte externa e mudaram sua opinião ao me conhecer melhor.

O Brasil é um país cuja diversidade de etnias, culturas e pensamentos, fornece matéria para análise do impacto das atitudes preconceituosas que se expande muito além dos assuntos comumente tratados quando se fala de preconceito: religião e cor de pele. É fato que não existem raças no Brasil, se considerarmos que somos uma mistura de várias; eu poderia citar no mínimo umas três ao analisar "de onde vim".

O preconceito é uma chaga de uma sociedade pouco amadurecida, independente da instância em que ele se instale. Julgar o outro pela aparência sem conhecer suas idéias e atitudes equivale a deixar de ver um filme baseando-se na crítica do jornal local. Não se pode ter a certeza sobre a essência de alguém até que se espere o tempo suficiente para que este alguém a mostre, e isto requer tempo; um tempo diferente para cada um, dependendo de muitos fatores.

Já mudei muitos conceitos na minha vida, fossem eles de religião, cor, sexo e tantas outras coisas. Mudei não porque me foi imposta a mudança, mas porque a maturidade e a reflexão me fizeram ver que não poderia me manter como era depois de conhecer melhor o objeto de análise. O preconceito acompanha, principalmente, a falta de auto-conhecimento, porque à medida que conseguimos perceber que nós também temos características e posições contrárias ao que os outros pensam, não se justifica manter-se imutável.

E voltando ao que me foi pedido, como analisar uma primeira impressão? É necessário eliminar o nosso orgulho em achar que as pessoas precisam ser como gostaríamos que fossem, pelo simples fato de que cada um de nós é único, e nossa beleza mora nisto. Como diria Raul somos metamorfoses ambulantes, e trazemos conosco não apenas o poder de mudar, mas a consciência do que pode ser mudado (comentário que recebi ontem).

"A primeira impressão é a que fica". Será? Quem nunca mudou de opinião que se manifeste, porque eu já o fiz várias vezes. Que as pessoas nos conheçam pelas nossas idéias e que estas nos permitam alcançar o amadurecimento necessário para não precisarmos analisar primeiras impressões.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Ciúmes versus confiança

Diz-se que todo relacionamento precisa de uma pitada de ciúmes para demonstrar que há "preocupação" de um com o outro, interesse e coisas do tipo. Mas, será que existe realmente uma quantidade saudável de ciúme que tenha como conseqüência melhorar a relação?

O ciúme é fruto de várias coisas negativas, como insegurança, falta de auto-controle, desconfiança e por aí vai. Usando as teorias da matemática, negativo somado a negativo tem como produto uma coisa negativa. Assim sendo, independente de pouco ou muito, o ciúme acaba sendo algo não desejado.

Fazer provocações para "testar" sentimentos que não deveriam ser cobrados demonstra, no mínimo, falta de confiança em si mesmo ou imaturidade, e não é algo muito inteligente, porque pode ter conseqüências não desejadas. Quem é ciumento, e a maioria é, sabe que este sentimento é causa de inúmeras invenções para se justificar o fato de que há receio de perda ou de ser trocado; que é a mesma coisa!

Confiança é algo que se contrói com o tempo, com atitudes e conhecimento sobre o outro. À medida que se sabe que a outra pessoa é confiável, não há motivos para se achar que acontecerá algo errado; e não são necessárias horas para executar planos de traição, colocando de forma clara.

Se "a carne é fraca", então tenha atitudes de forma a não criar situações, porque espelhamos nossa falta de controle no outro, achando que acontecerá o mesmo do lado de lá. Ciúme não é bom, independente da quantidade e, com certeza, isto se demonstra com o tempo pois, sendo cultivado, tem o resultado direto do que se temia, ou seja, a perda da pessoa amada.