segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Novo ano que se inicia

Mais um ano que se vai, que passa a fazer parte dos conhecimentos e experiências acumuladas que nos dão a sabedoria necessária para a maturidade completa. Mais um ano que virá, e consigo trará as oportunidades necessárias para que consigamos melhorar, crescer, desenvolver todo o potencial que carregamos, para que atinjamos a perfeição a que estamos reservados.

Coisas boas, coisas ruins, situações diversas que aconteceram e que serão vivenciadas, em um processo de constante vivência social, na qual o homem se insere desde o seu nascimento, e através da qual suas ações acabam por ecoar indeterminadamente pelos tempos, com efeitos positivos e negativos sobre todos aqueles que presenciaram nossa passagem.

Anos que vêm, anos que vão, mas serão apenas acúmulo de dias, ou não, cabendo-nos a decisão sobre esta equação complicada, cujo fim já está previsto; cabe-nos a escolha do tempo necessário para que seja determinada a longevidade e a qualidade da nossa caminhada.

Novos dias virão; novos aniversários, experiências, situações diversas que nos trarão maior compreensão sobre tudo e nos farão, inevitavelmente, melhores. O próximo ano, que se inicia amanhã, é um começo e continuação de algo maior, cuja extensão ainda nos foge à nossa parca compreensão.

Desejo-lhes não apenas um feliz ano novo, mas um ano de novas situações, aplicações práticas dos ensinamentos apreendidos até então. Sejamos melhores, e sobretudo sejamos nós, individuais, mas sejamos em conjunto, pois assim fomos concebidos, como integrantes do social, para vivermos como seres sociais, cuidando-nos uns dos outros.

Felicidades!

domingo, 23 de dezembro de 2007

Feliz Natal

O Natal, como todas as datas de aniversário, é um dia como qualquer outro, mas cujo significado merece ser lembrado. Segundo nos consta, há 2007 anos, no dia 25 de dezembro, veio ao mundo uma criança com uma missão: mostrar aos homens que apesar de todos os problemas é possível que sejamos grandes, ajudando-nos e amando-nos uns aos outros.

Jesus Cristo, nosso amado irmão, nasceu, cresceu e mostrou-se como um dos mais completos exemplos de perfeição moral, em teoria e prática, cujos ensinamentos, apesar de não terem sido escritos por ele em sua época, propagaram-se pelos séculos, como consoladoras palavras para todos os povos.

Foi inteligente, manso, justo e amoroso na mais completa expressão do amor. Em momento algum demonstrou preconceitos, pré-julgamentos ou qualquer comportamento que pudesse limitar o alcance de seus ensinamentos, tendo, ao contrário, nos deixado a mensagem de que precisamos, acima de tudo, sermos irmãos, tratando-nos mutuamente com um amor puro, desinteressado, fazendo o bem pelo bem, recebendo como recompensa o crescimento alheio.

Neste Natal deixo-lhes esta lembrança, para que não nos esqueçamos do real motivo desta data. O espírito de fraternidade nos chega naturalmente nesses dias de festas, mas precisamos fazê-lo perdurar nos tempos seguintes, de forma contínua. Presenteêmo-nos, pois, com o amor que o nosso irmão aniversariante desse dia nos deixou, caminhando sempre para a nossa evolução. Um dia compreenderemos que sempre estivemos e sempre estaremos juntos, independente do tempo, da localidade, da raça ou de credos religiosos.

Feliz Natal, e que o próximo ano possa refletir a aplicação dos ensinamentos do Cristo, que nasceu para nos lembrar que fomos criados perfectíveis e que, somente com a perfeição que nós mesmos conquistaremos pela nossa reforma interior, alcançaremos o amado pai e nos regozijaremos junto a ele. Felicidades!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Conselhos

Quantas vezes ouvi dizer que, se houvesse um conselho oportuno, desastres poderiam ser evitados! Diz-se muito também coisas como "se eu tivesse a maturidade que tenho hoje, naquela época, teria feito melhor"; eu mesmo já disse muito isto e ainda digo. A verdade é que a história sobre o tempo nos trazer preparo não é apenas história, mas fato que pode ser comprovado ao longo do tempo.

À medida em que caminhamos, muitas vezes escolhemos ignorar os conselhos de pessoas mais preparadas que nós, como pais, irmãos, amigos e profissionais. Não precisam ser necessariamente mais velhas, porque tempo sozinho não implica em qualidade de experiências, razão pela qual precisamos ser humildes em muitas situações, aceitando sabiamente instruções de pessoas mais novas.

Conselhos são como manuais da vida, que podem permanecer nas prateleiras ou não. A forma como resolvemos lê-los e aproveitá-los faz toda a diferença na velocidade em que conseguiremos atingir nossos objetivos e, até mesmo, se chegaremos lá. Mas permitir-nos uma segunda opinião exige a maturidade de quem aprendeu que não se vive sozinho e que não é ofensivo tentar ajudar alguém, portanto é permitido ser ajudado.

Hoje vejo pessoas em situações semelhantes às que passei; algumas iguais até. Reflito sobre as coisas que passaram e começo a entender quando meus pais me falavam coisas que pareciam sem sentido; intromissões de quem não queria me deixar viver por conta, mas que na verdade intencionavam uma proteção para os tombos inevitáveis.

Quando se cai, aprende-se a caminhar, a desviar de obstáculos e, principalmente, a levantar e continuar a jornada. Mas não precisamos cair sempre para adquirir todos os conhecimentos disponíveis. Melhor do que cair é observar o que nos rodeia, lendo os avisos que nos são dados, porque alguns tombos são de difícil recuperação. Avisos, dicas, conselhos de pessoas que já passaram por algo e, mesmo que a elas não haja volta, podem exercer o papel orientador, para que nem tudo se perca.

Caminhemos, pois, no sentido da melhoria geral, mas sejamos humildes, sem precisarmos ser seguidores cegos, porque é preciso que sejamos nós mesmos. Quando pensarmos que alguém deseja apenas interferir de forma indevida em nossa vida, calmamente raciocinemos, reflitamos como se sábios fôssemos, porque "se eu tivesse a maturidade que tenho hoje, naquela época, teria feito melhor".

domingo, 16 de dezembro de 2007

Escolhas

Ontem assisti um filme, que já tinha visto, cuja essência deixaria inveja nos maiores cineastas, líderes religiosos, sociais e políticos; daqueles que não visam somente o lucro, claro. "A corrente do bem", em inglês "Pay It Forward", com aquele menininho que fez "O sexto sentido"; um excelente ator.

Uma idéia simples de como mudar o mundo: faça sua parte a três pessoas, pedindo como pagamento apenas que elas retribuam a outras três pessoas; mas o número é irrelevante, o importante é a proporção que se tem de resultado e, principalmente, o resultado. Outro fator importante, é que não pode ser qualquer coisa, mas algo que a pessoa não possa fazer sozinha; algo difícil.

Coincidência ou não, deparei-me hoje cedo com o pedaço de um outro filme muito bom, "Perfume de mulher", com Al Pacino. Em uma parte do filme, quando um dos personagens está sendo julgado na escola, Al Pacino faz um discurso sobre integridade e sobre seguir o caminho certo, entre outras coisas. Segundo o personagem dele "eu sempre soube quais os caminhos certos, mas nunca os segui. Por quê? Porque é muito dificil".

Temos escolhas, cabendo somente a nós fazê-las, mas também arcar com as conseqüências. Podemos escolher mudar o mundo com atitudes simples ou ficarmos parados e não fazermos nada. Mas atitudes simples não implicam em simplicidade completa, porque os desafios são grandes. O mundo, em geral, se incomoda com a bondade irrestrita, que não espera nada em troca, apesar de dizer estimulá-la.

Faça escolhas, mas algumas custarão a sua vida. Assustador? Depende do que você espera ter vindo fazer aqui. Alguns entenderão que a causa é justa, mas, qual é a sua? Conheça-se para entender que ser íntegro, assim como fazer o bem, dá muito trabalho. Dizer a verdade, evitar a mentira, não ser falso e, principalmente, não levar a vida por interesses, principalmente pessoais e financeiros.

Temos escolhas, sim; somos frutos delas. Podemos escolher, mas devemos, acima de tudo, mantermo-nos firmes na aplicação delas. "Ache uma forma de mudar o mundo, e a coloque em prática". No primeiro filme custou a vida do personagem, mas salvou a vida de muitos. No segundo, quase custou a vida, de forma indireta, mas manteve-se firme.

Vale a pena, porque um dia, quando estivermos velhos, seremos nossas conquistas, muito mais do que hoje. Neste dia, a proporção de tempo que nos falta aumentará a importância do que fomos e de como fomos. E, lembrando um outro filme, "O resgate do soldado Ryan", "faça valer a pena".

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Valor

Diz-se, sobretudo quando se estuda marketing, que valor não tem relação apenas com preço, mas, muito mais, com fatores emocionais. Desta forma, a racionalidade precisa ser colocada de lado às vezes para que possamos entender o porquê de determinadas coisas serem tão cobiçadas.

Um carro, por mais simples que seja, cumpre seu papel de transportar seus passageiros, da mesma forma como uma casinha simplória cumpre sua função de abrigo. Qual a razão, portanto, de determinados carros e apartamentos custarem milhões? Muitas sensações estão aí envolvidos, como fascinação, desejo, status e até mesmo poder.

Independente das causas ligadas ao material, é interessante analisarmos que grande parte dessas jóias do mundo moderno encontram-se em frente a um lago, um parque arborizado ou, no caso de um carro, te dão uma sensação extra de liberdade. O ser humano paga caro, mais do que deveria, para voltar a estar próximo à natureza. E neste ponto inverte-se a ótica, e podemos analisar à luz da razão completa.

Por mais tecnologia que tenhamos, ela nada é sem aplicação aos humanos, nem tão pouco se não puder garantir nossa continuidade. Mas nossa continuidade está limitada a termos espaço, inevitavelmente esbarrando em limites naturais. De forma racional, mesmo que inconscientemente, sabemos que precisamos dos recursos naturais e, portanto, da preservação da natureza.

Mas como não temos atitudes conscientes, destruímos o que nos circunda, por acharmos que os outros devem fazer por nós. Aí, tornando recursos ilimitados em escassos, começamos uma busca para termos um pedaço da natureza à nossa disposição. Parece engraçado, mas nós mesmos elevamos o preço das coisas, sem nos darmos conta. As mesmas coisas caríssimas não o seriam se conseguíssemos entender que não precisamos destruir, mas agindo de forma coerente.

Precisamos rever nossos valores, porque eles não precisam se pautar em dinheiro, mas nos sentimentos. Mas é preciso que analisemos em quais sentimentos estamos valorando as coisas, porque isto sim faz toda a diferença. Talvez assim consigamos nos emocionar com uma paisagem natural sem precisar pagar milhões em um quadro, entendendo, entre outras coisas, que o vento que nos causa sensações é o mesmo, seja num carro esporte, seja sentado na grama.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Vergonha pelos meus representantes

Em função da idéia inicial que originou este blog, prefiro não comentar fatos do cotidiano, cuja exploração já é muito bem feita pelos diversos meios de comunicação existentes. Entretanto, abrirei aqui uma exceção devido ao fato ser originador de uma profunda reflexão sobre como não temos sido brasileiros a contento, apesar de a prática em questão não se restringir ao nosso tempo ou à nossa pátria.

Hoje resolvi entrar no site do Senado e assistir um pouco à programação ao vivo da TV. Surpreendeu-me sobremaneira a forma como o tempo dos nossos ilustres senadores é desperdiçado com elogios mútuos e desnecessários, além da forma como informações isoladas são utilizadas para mascarar a nossa verdadeira situação de país com condições precárias em praticamente todas as áreas sociais.

Mais ainda, sinto uma imensa repugnância por um comportamento socialmente aceito, cuja conseqüência direta é evitar que o gasto do dinheiro público seja feito da forma como deveria, aplicando-o no esbanjamento escancarado do tempo que deveria ser utilizado no debate racional das pautas de interesse da nação.

Os nossos bem preparados e bem pagos senadores, usando-os aqui apenas como símbolo dos políticos brasileiros, que vêm se esquecendo da razão pela qual foram eleitos, pensando apenas nos benefícios que lhes agradem de forma pessoal, ignoram de forma consciente seu papel representativo e trocam favores em prol da manutenção de práticas que seriam suficientes para a falência de uma empresa privada, no mundo real.

Qual a função do Estado? Qual o papel do Governo? Será que as lições deixadas nos livros servem apenas de referência histórica, matérias para avaliação de um ensino básico incapaz de preparar seus alunos para a vida? Façamos, pois, algumas considerações.

Primeiramente, quando se pensa em existência por longo prazo, nenhuma empresa privada admite a permanência de uma folha de pagamento inchada e ineficaz, com existência de diversos empregados cuja função não é desempenhada a contento. Além disto, qualquer reestruturação de um organismo capital em dificuldade passa por um racionamento de contas, seja ele uma empresa jurídica ou uma pessoa física.

Acrescendo-se, as empresas que conheci através das quais a alta direção possuia privilégios e regalias sustentadas pela miséria da massa trabalhadora, não tiveram um fim dos mais salutares. E por fim, pois do contrário perderíamos longos anos enumerando problemas, a mortalidade econômica de empresas e cidadãos têm relação direta com a alta carga tributária nacional, fato comprovado por diversos estudos.

Reflitamos pois, sobre como temos agido como brasileiros. Nosso pesado Governo, que se vangloria de distribuir dinheiro aos pobres, dá com a mão direita e toma com a esquerda, não para realizar o milagre do crescimento, mas para efetuar a mágica de não conseguir quebrar o país com seus sucessivos erros, porque a nação é grande demais. Não é preciso mais receita para conter maiores gastos; qualquer pessoa que passou aperto sabe disto, não sendo necessário ser um economista renomado. A primeira atitude é gastar adequadamente.

Adequar-se, porque do contrário não será a CPMF, contribuição Permanente que rouba dos ricos e pobres para beneficiar os políticos, que salvará a saúde, a educação e outros setores deficitários. Não há planos concretos, nem ações preventivas, razão pela qual continuamos a inventar vagas para negros, para índios, pobres e cursos específicos para os sem terra.

Vivemos em um país em que as pessoas que não trabalham e não estudam ganham bolsas financeiras, casas próprias e todas as regalias possíveis. Nos países tidos como desenvolvidos isto seria fruto no trabalho, ao passo que no Brasil o nosso próprio representante maior estimula o ócio com seus programas ditos sociais. Programas sociais deveriam beneficiar a sociedade, o que não é o caso.

Há dias ouvi um jornalista reclamar sobre o fato de que as vagas nas faculdades federais eram ocupadas quase em sua totalidade por alunos da escola privada, como se isto fosse errado. Em momento algum, o nobre colega formador de opinião pareceu refletir sobre o fato de que o erro não é no fim, mas no começo, representado por um ensino primário e médio insuficiente na rede pública.

E assim seguimos, criando e aceitando remendos, porque nos colocamos como povo destinado à colônia de exploração; hoje por irmãos de sangue e de pátria. Tenho vergonha pelos meus representantes, mas não só por eles. Estamos todos juntos neste barco, e quando um barco afunda, todos vão para a água, seja capitão ou passageiro. É preciso mudar e nos tornarmos um país sólido por completo, pois temos capacidade para tal.

Mas temos poder de escolha, como assistir à prorrogação de impostos e viagens executivas com finalidade turística, cujo benefício é curto e imediato. Arquemos então calados com as conseqüências, sem culpar àqueles que nos representam, pois nada fazemos para impedí-los. Afinal de contas, como tanto se houve, a coisa não vai mudar mesmo! E como costumo dizer: "enquanto mantivermos esse pensamento de que nada vai mudar, nada mudará".

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Sabedoria

Um dia alguém resolveu dizer: "Só sei que nada sei". Isto foi dito há muitos séculos por Platão, mas poderia ter sido dito há alguns segundos por qualquer pessoa, sem perda da qualidade do ensinamento em sua essência. Até hoje me admiro com esta simples frase, que nos faz pensar sobre o quanto temos para aprender, necessitando ainda entender o que fazer com tanto conhecimento.

O ser humano inventou remédios, abrigos, comidas variadas para sobreviver frente às interpéries naturais, mas ao mesmo tempo se dedicou às drogas, guerras e todo o tipo de atividade destrutiva, que nos faz ter a certeza de que houve conhecimento em excesso, mas com falta de sabedoria. Evoluímos, é fato, mas em nossa maioria sem o cerne necessário que nos ofereceria o suporte para a sapiência.

Geralmente consideramos sábias as pessoas mais velhas, o que se reflete facilmente na fascinação das crianças pelos seus avós, tidos então como dotados das respostas para as suas dúvidas. Mas à medida em que crescemos, parecemo-nos esquecer da lição inicial, sub-valorizando a experiência adquirida.

A razão pela qual os anciões são respeitados nas culturas orientais, assim como nas indígenas, é porque o conhecimento exige maturação pelo tempo, meio necessário para que as lições sejam apreendidas, refletidas e surjam as conclusões baseadas não no que os outros dizem, ou no que a pressa nos causa, mas no senso crítico desenvolvido, na justiça e em tantas outras qualidades que só aparecem após anos de lapidação humana.

Sabedoria não se compra, precisando ser construída, estimulada, e o primeiro passo para a caminhada em sua busca é o respeito pelo que já foi feito e pelos que fizeram parte da construção do que existe hoje. Todavia, perceba o conjunto de características, pois o tempo isoladamente é apenas tempo, que passa, inevitavelmente.

Podemos, pois, nos transformarmos em velhos ou em sábios, cabendo a nós mesmos a escolha e as glórias pela decisão tomada. Adquira conhecimentos e entenda os motivos pelos quais eles lhe foram dados. Aprenda a fazer bom uso deles, pois assim você será lembrado. Entenda que, assim como um dia as crianças olham seus avós com admiração, mesmo que temporária, o mesmo poderá acontecer com você; ou não. O resultado cabe somente a uma pessoa: você mesmo!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Lei

Vivemos em uma sociedade de Lei e leis. A Lei, geralmente discutida parcialmente nas diversas religiões humanas, relaciona-se à ética pura, enquanto as leis vão sendo criadas e extintas, de acordo com a evolução das sociedades. A relação entre elas, principalmente pelas suas diferenças entre teoria e prática, de forma bem simples transformam o meio, deixando transparente um menor ou maior grau de adiantamento.

Porque parcialmente? Primeiro, porque todas as religiões têm influência humana, inclusive as espiritualistas, que utilizam o ser humano como intermediário, sujeitas então às suas características, boas e ruins. Segundo, porque as religiões têm, em sua maioria, o péssimo costume de tentar agradar a todos, com o intuito de arrebanhar fiéis, prejudicando, assim, as discussões de conteúdo mais puro. Poderíamos citar também o despreparo de oradores, interesses pessoais, entre outras coisas, deixando sempre claro que não se aplica a nenhuma em específico, mas a todas aquelas em que há participação do homem, que em si ainda carrega muitos aspectos da ignorância que será lapidada no momento certo.

Mas analisemos a diferença entre uma e outra forma de comportamento, entendendo os motivos pelos quais ainda vemos tantos desmandos. A ética é atemporal, porque não existe, por exemplo, meio roubo; o ato em si de roubar é o mesmo, seja uma caneta, seja um bilhão de dólares. O mesmo vale para o ato de matar, a cobiça, inveja, e outros comportamentos, religiosamente contidos nos famosos dez mandamentos. Em suma, a ética contém preceitos que devem ser respeitados à risca, que garantiriam o paraíso sonhado, com bom convívio, inexistência de desigualdades e felicidade plena.

Entretanto, ainda não estamos prontos. O ser humano não possui ainda um nível de maturidade que o permita pensar no todo, possuindo diversas pequenas falhas que impedem uma compreensão mais nítida sobre a importância de, por exemplo, não se jogar um papel de balinha pela janela. Desta forma, são editadas leis temporais, adequadas ao entendimento geral da sociedade, mudando à medida em que o ser humano se torna melhor.

Antigamente era aceita a conduta de ação e reação pura, através da qual matava-se pela morte, tirava-se um olho pelo outro. A famosa Lei de Talião, hoje não tem lugar no nosso social, porque crescemos. Da mesma forma, leis são criadas e extintas, favorecendo condutas que propiciem uma maior aproximação da Lei ética, ou Lei Natural, como alguns dizem, com as leis dos homens.

Há aqui, contudo, mais um problema, relativo à aplicação. Independente da fonte legal, é preciso aplicar o que foi desenvolvido, sob pena de gerar descrédito, pois para cobrar é preciso dar exemplo. Assim, principalmente aos líderes, fica a reflexão sobre a necessidade de se liderar não pela força, mas pela amostra pessoal do que deve ser certo, de forma que os fiéis venham espontaneamente, percebendo o que é bom.

Ainda estamos longe da correlação direta entre as duas, é fato. Analisar a natureza, em sua simplicidade onde tudo acontece da forma correta, com respeito entre as partes, é um ótimo caminho para conseguirmos nossa mudança e melhoria. Mas analisar apenas não traz a prática, esta fundamental para uma moral verdadeira. Aconselhemos, pois, a não fumar, não matar, não roubar, e tantas outras coisas como, inclusive, agradecer a um ser superior cuja existência ainda não compreendemos, mas tenhamos a coerência de aconselhar o que fazemos, para que não sejamos pegos na mentira, na falsidade, que gera descredito em massa, causando efeitos completamente opostos aos desejados.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Democracia

Etimologicamente, democracia significa governo do povo (DireitoNet). Na prática, seja pela falta de teoria, seja pela não aplicação dela, estamos longe disto, colocando interesses pessoais à frente de interesses coletivos. Digo "estamos", porque não há muitas exceções; assumimos cargos representativos e esquecemo-nos de pensar no todo.

Primeiramente, quando se fala em representar alguém, é preciso pressupor que os interesses primários serão os do representado; nunca da pessoa que representa. Neste contexto, só se permitiria pensar no eu se fosse benéfico para o grupo. Isto pode ser facilmente mesclado com a concepção de governo, Estado e tantas outras definições ligadas ao público.

Existe uma confusão generalizada neste ponto, pois para a maioria, para se ter democracia, basta que todos tenham opção de voto. O voto, inclusive, que já foi ferramenta de manipulação pelos coronéis, e continua sendo, agora pelos programas sociais, é algo que é, no mínimo, sub-utilizado. Não basta ter um título de eleitor para se ter voz, como induzem as propagandas eleitorais; é imperativo que se saiba tomar decisões.

Como tomar decisões sem conhecimento de causa? Como escolher sobre o que é melhor para a maioria, e não apenas para mim, se o pouco que chega aos meus ouvidos não é nada além de dados manipulados? Será que conseguirei filtrar informações de forma crítica sem um mínimo de teoria necessária a este filtro? A resposta é não, sem discussões.

Não basta saber assinar o nome para constar na lista de votação. Conhecimentos básicos, como sociologia, filosofia, política, e tantos outros, não são apenas matérias de utilização isolada, restritas à elite que lê; é preciso que todos leiam. Essas matérias, a exemplo de um curso de graduação, não ensinam a fazer, mas dão a base necessária para alcançar postos mais altos do conhecimento, pela busca individual de seres mais preparados.

É preciso que entendamos que as reflexões, para serem realizadas de forma consistente e com um mínimo de argumentação, precisam de base de conhecimento, mas com qualidade. E aqui voltamos a um dos setores com excesso de problemas em nossa nação: a educação. Saúde, segurança, participação política, e por aí vai; setores sociais resultantes do comportamento dos seres humanos, que quanto menos educados, menos éticos, menos aptos a viver em sociedade.

A democracia, desta forma, não pode ser apenas um governo do povo, mas antes precisa ser uma preparadora do povo para que este possa ser. Governar, muito mais do que representar ou conduzir, como tem sido feito, precisa ser pensar pelo grupo, agir em prol dele, administrando o que lhe cabe de forma a garantir uma evolução geral, muito diferente dos avanços isolados a que temos acompanhado. Assim, naturalmente, sem tanta contendas, conseguiremos diminuir e eliminar as diferenças, sejam elas quais forem.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

União desunida

Não, não estou louco após alguns dias sem escrever. Apenas resolvi refletir sobre algumas coisas e achei a expressão oportuna em uma visão ideal sobre a união das pessoas, em todos os sentidos. União representa coesão, aglutinação em prol de algo em comum. Já a desunião pode significar o contrário ou, se vista com mais abertura às idéias, como uma diferenciação de pensamentos e atitudes.

Explico-me, então: em todos os âmbitos do relacionamento humano somos passíveis de aglutinação, mas não podemos nunca deixarmos de ser indivíduos. Simples análise, de significação fundamental para nossa evolução individual e coletiva. Alguns governos tentaram juntar seus súditos em torno de uma causa comum, mas foram fracassos, porque não souberam respeitar as diferenças.

A democracia ideal, as opções de voto, a existência do termo "opinião", são indícios de que precisamos, acima de qualquer coisa, adotar uma postura individualista, não no ter, mas no ser. Isto nos garante um crescimento parcial que será a base para o crescimento do todo, pois este é formado pelos seres que o compõem, socialmente falando.

Daí uma união desunida, em que nós, seres humanos, gradualmente passamos a evoluir individualmente, desunidamente, de forma a constituirmos partes importantes de uma união maior, em que conseguiremos alcançar o estágio evolutivo com o qual hoje sonhamos, mas do qual ainda estamos longe.

Este pensamento é útil, mas precisa ser colocado em prática. Gostaria, inclusive, que meus representantes o fizessem, entendendo sua parcela de responsabilidade neste todo, isentando-se do indivíduo pelo papel representativo que exercem. Desta forma conseguiríamos seres mais políticos e menos controláveis pelos erros e desejos individuais, que sobrepujam as benéfices coletivas, em situações onde o todo deveria ser o objetivo maior.

Como disse, é um estágio ideal, mas que precisa de passos firmes e contínuos, não dados por todos ao mesmo tempo, mas por todos, segundo suas próprias capacidades, um por um, tal qual se diz sobre a caminhada, que precisa, necessariamente, ter por início o primeiro passo. Verdade incontestável: quanto mais demorarmos para darmos nossos primeiros passos, mais estaremos atrasando nosso desfecho glorioso. Não reclamem, pois, de terceiros, quando colherem o que lhes cabe pela vossa semeadura, ou pela falta dela.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

100

Cheguei aos 100 posts, um pouco depois do que deveria pela data de início e proposta do blog, mas cabe uma reflexão sobre isto. A proposta inicial era um post por dia, mas acabei fugindo a este plano. Não parece semelhante ao que ocorre no dia-a-dia? Quem tem o bom costume de planejar a realização do dia? Mas será bom costume mesmo?

Temos o péssimo hábito de nos tornarmos escravos daquilo que começamos, incluindo-se aqui os mais variados temas: emprego, relacionamentos, projetos individuais, academia e por aí vai. Aprendi a deixar um pouco mais de lado as coisas, porque às vezes é saudável investir o tempo destinado a uma coisa para podermos fortalecer outras.

Tenho procurado aliar minhas próprias reflexões a atitudes de mudança interior e exterior; auto-mudança e melhoria. Geralmente quando isto acontece nos preparamos muito na parte teórica, seja pela leitura de livros, participação em reuniões cujo tema seja comum aos nossos anseios, entre outras coisas. E desse jeito, se estivermos extremamente engessados quanto à obrigatoriedade de manter o planejado, deixamos algumas coisas passarem.

Um tempo com meu pai, um apoio a uma amiga, a atenção que precisa ser dispensada à namorada, aos parentes, aos amigos, e por aí vai. Essas coisas são a prática, quase sempre aparecendo quando não estamos esperando, nos exigindo escolhas quanto ao que nos é realmente importante. Tenho escolhido a prática, faltando com meu plano do blog, mas sinto-me maior com a aplicação dos conhecimentos aqui expostos.

Tenho dito que o homem sem a reflexão tende à estagnação. Mas uma reflexão verdadeira exige sua aplicação, porque de nada adianta saber que não se deve poluir o meio ambiente, se você não consegue fazer coisas simples, como não jogar um papel de balinha na rua. Parece pouco? Nem tanto! Imagine a proporção desta atitude executada por muitos e começaremos a entender o mundo em que vivemos hoje, resultado das atitudes passadas.

Efeito estufa, poluição, escassez de água potável, violência, corrupção, falta de inteligência prática. Tudo isto não surgiu de uma hora para outra, mas é reflexo do que fomos, assim como nosso futuro estará pautado como reflexo do que estamos sendo, agora. Portanto tenho esse número 100 como um marco de aprendizado e divido-o, como tenho feito.

Aprendi nesse tempo que as mudanças precisam ser implementadas e que se a proposta de melhoria foi nossa, então temos a obrigação de sermos o exemplo. Pregue o amor, a paz, a reflexão, e tantas outras coisas boas, mas não se esqueça de que idéias sem espelho são apenas idéias inválidas. A hipocrisia dos que mandam sem o fazer, como temos visto a tanto tempo em nosso mundo, precisa terminar um dia. Mas o término exige um começo e, tal qual esse 100, que chegou porque existiu o 1, comecemos o quanto antes nossa própria mudança, indivíduos estimulando o coletivo, para que um dia possamos colher o céu que nos pregam como ilusão figurativa, mas que nada mais é do que o reflexo de nós mesmos, após termos cumprido o nosso dever.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Tempo

Estamos mal acostumados, muito mesmo! Limitamos o tempo de forma tão drástica que ele cabe em um relógio: doze horas, termináveis ou intermináveis, dependendo das coisas que acontecem durante o dia; melhor, das situações que criamos. Nossa deficiência de percepção é tão grande que não conseguimos ver o antes, nem o durante ou o depois.

Não é o fim do mundo, mas um auto-alerta que se expande, na tentativa de retirar a cegueira coletiva, que nos torna insensíveis quanto a tudo. Gosto de pensar que tudo tem seu tempo e, mais importante ainda, que cada um tem o seu, administrando-o da forma que acha melhor. Pensando assim, apesar do incômodo inicial pela forma como alguns conduzem o passar dos segundos, não me sinto restringido por eles.

Pense, tente perceber que as coisas não acontecem atoa e que os dias, os meses e outras marcações simples não são apenas sucessões de movimentos dos ponteiros do relógio. Procure entender que o que chamamos de hora é apenas uma delimitação precária para que nos orientemos, pois o verdadeiro tempo ficaria inerte, se medido com esta ferramenta. Ele passa, sempre passa, mas o mais importante é o modo como nos utilizamos desta passagem, principalmente para o nosso amadurecimento.

Alguns simplesmente ficam, esperando as horas, os dias, a barba, os cabelos brancos, as ruvas que aparecem inevitavelmente com o perecer da matéria. Outros preferem o dinamismo, mas o fazem de forma tão intensamente mecânica, que pouco diferem dos primeiros. Uns poucos decidem entender que a inteligência não existe atoa, e que tempo casa perfeitamente com a velocidade, mas existe um meio termo adequado para a junção dos dois.

Se neste grupo, começamos a entender que é preciso acelerar às vezes, outras frear, mas que o excesso dos dois pode significar solidão em algum momento de nossa longa existência. Aprende-se que tudo está interligado e que o falar sobre o ser humano ser animal social não é mera referência de estudos sociológicos. Somos e dependemos uns dos outros, de forma que precisamos nos evoluir juntos, de forma conjunta, sob pena de nos tornarmos pontos isolados, desprezados em meio ao senso comum.

O tempo, ao contrário da ferramenta que o marca, não pode ser adiantado. A rapidez ou não com que o conduzimos apenas direciona seu aproveitamento, mas isto já é muito importante, fundamental, e depende de cada um. Então, como exercício de auto-controle, quando alguém não fizer o que você acha certo, entenda que cada um tem um estágio, cada um cresce no seu tempo e que, se realmente o que você pensa é o correto, cedo ou tarde, essa pessoa entenderá. Dê-lhe então a chance de chegar lá, sem julgamentos ou condenações, porque, um dia, você também precisou dessa liberdade.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Atenção

Ontem assisti a uma palestra cujo orador discorreu sobre a atenção. De acordo com sua argumentação, todos os nossos sentidos podem ser substituídos pela atenção e intenção, resumidamente falando, de forma que poderíamos aceitar a existência de um sentido apenas, de forma ampla, dependendo apenas do nosso refinamento para que conseguíssemos aproveitá-lo da forma adequada.

Analisando esta "teoria" livre dos ensinamentos que a sociedade nos dá de herança, o que com certeza não é fácil, me parece ter lógica e racionalidade. Pense nas várias vezes em que o ambiente está lá e não o vemos; existem todos os sentidos, mas falta atenção. Ao contrário, quando nos propomos a perceber algo, que seria a intenção, e aliamos a isto nossa atenção, parece que conseguimos captar todos os detalhes.

Fiquei pensando sobre essas coisas, tentando entender sua importância e extensão, e o resultado foi nos enxergar como verdadeiros captadores de emoções, com uma regulagem melhor ou pior, mas como se o nosso todo fosse responsável por nos dar a medida completa do que nos cerca. Falando assim pode até parecer meio viagem, mas confesso que pensei isto também.

O fato é que a nossa herança, a que a sociedade nos dá como certa, contém muitas coisas definidas pelos outros, pelos que pensaram e pelos que não queriam que nós pensássemos por nós mesmos. Mesmo esta conclusão exige atenção, porque ao logo dos séculos, o que pode ser pesquisado nos livros de História, o ser humano vem repetindo quase sempre os mesmos erros, na doce ilusão de que o passado já passou, mas muitos simplesmente não percebem.

O futuro pode ser previsto, mas não por miraculosos seres de inspiração divina, que inclusive cobram por suas previsões. Pode sim, porque insistimos em tomar por certo as percepções dos outros, ao invés de nos colocarmos na exata medida que nos permita entender o que está à nossa volta, e continuamos repetindo o que já foi. A simples existência de várias teorias relativamente certas para a mesma coisa, durante períodos distintos da caminhada humana, prova que ninguém possui a completa e indiscutível razão.

Entendemos à medida da nossa maturidade, da nossa capacidade intelectual e moral, mas nos é preciso atenção. Atenção, no seu sentido mais amplo, significa nos colocarmos à disposição de qualquer estímulo, interno ou externo, enxergando-nos como algo sem começo e nem fim, que consegue se misturar ao todo, somente por isto tendo acesso a tudo àquilo que ele representa e é.

Ainda nos parece meio conto de fadas, estórias vindas de um momento de lucidez alcoólica ou algo do gênero, pois falta-nos a maturidade e a inteligência, para que consigamos acima de tudo nos entender. Chegará o dia, entretanto, que não precisaremos nos preocupar com o que vem a ser atenção, a não ser quando nos tornarmos oradores, mestres-alunos repassando o doce conhecimento adquirido pelas várias etapas de nosso crescimento e desenvolvimento.

sábado, 24 de novembro de 2007

Escrita

Na era da informática, com informações indo e vindo com uma velocidade impressionante, ainda nos vemos dependentes de uma invenção ainda elitizada, cuja expansão garantiria uma evolução em massa, com benefícios a toda a sociedade: a escrita. Claro que aqui eu já incluo a leitura, pois uma acaba sendo base para a outra.

Desde cedo ouço aquela famosa frase de que "a prática leva à perfeição". Há uns dias li alguns textos que mencionavam sobre a cópia excessiva de informações pela Internet, sobretudo sem a menção da fonte; e não vi esta reclamação em apenas um lugar. As pessoas hoje aprendem a ler, mas apenas o suficiente para discernir se o que foi lido pode ser utilizado, não para edificação de novos conhecimentos, mas para a sua reprodução pura e simples.

Quem já tentou escrever, um texto simples que seja, deve ter se deparado, pelo menos no início, com a dificuldade de como começar. O que dirá escrever vários livros, textos, resenhas, editoriais em jornais e revistas, e tantos outros. Sinceramente tenho verdadeira admiração pelos escritores, notadamente depois que resolvi começar este blog; este, por assim dizer, projeto de exposição de idéias e estímulo de reflexões.

Escrever não é simples, pois implica o raciocínio, algo que temos cada vez mais deixado de lado. A vida moderna nos exige apenas a assinatura do nome muito raramente, a decoração de senhas do banco e disposição para a rotina diária. Mas e depois de seguir esses passos básicos por um determinado tempo, qual o nosso objetivo? Estou sendo por demais simplista no nosso cotidiano, mas isto nos mostra de forma mais enfática o quão vazios estamos nos tornando.

Diz-se que a preguiça é um dos pecados capitais, inclusive presente na abertura de uma das novelas globais. O que deveria deixar a sociedade preocupada, é que a preguiça se alojou no pensamento, extensivo à sua forma de expressão mais conhecida e mais simples: a palavra escrita. Escrever não é apenas cunhar símbolos, digitar caracteres ou algo que imprima desenhos na tela; vai muito além.

Através dos livros foram transmitidas estórias, a História do homem, pensamentos, reflexões, ideais, ensinamentos e toda uma gama de conhecimento que nos trouxe até onde estamos. Imagine como seríamos hoje se ainda precisássemos sentar em praça pública para ouvir poucos sábios de conhecimento questionável discorrendo sobre suas impressões individuais sobre o que os circunda! Até que conseguíssemos reunir informações suficientes para gerar nossos próprios conceitos, estaríamos velhos demais para aplicá-los.

A palavra, o discurso, as letras, a escrita. Enfim, essas coisas simples que o homem inventou e ensinou ao longo do tempo e que muitas pessoas não valorizam, mas são a sutil diferença entre os que sorriem e os que reclamam, em um mundo materialista, cada vez mais dominado por aqueles que sabem se expor, mostrar suas idéias na medida adequada.

Materialismo é algo prejudicial, que eu mesmo procuro colocar desta forma em alguns textos. Mas como entender isto se as letras parecem apenas letras? Escreva, porque isto lhe dará a medida certa do que é criar e ser visto, mas leia depois de um tempo, para que possa se admirar ou apenas comparar com o que então escreve. Somos seres evolutivos, cujos registros podem se perder com o tempo, ou não; só depende de nós mesmos.

Deixei pela Internet meus escritos, seja aqui ou em textos técnicos, e confesso-me surpreso ao lê-los, ou ver meu nome em sites de outros países. Ainda hoje recebo emails advindos deles, com dúvidas de pessoas que os tornaram proveitosos, e com isto sinto que cumpri parte do meu papel não guardando o que sabia apenas para mim. Compartilhemo-nos, pois foi isto o que um filósofo nos ensinou há mais ou menos 2007 anos.

Novas tecnologias virão, novos avanços, novas invenções, mas nada como aprender a base para progredir rumo ao topo. Num país em que ainda se insiste em valorar conhecimento de 0 a 10, como algo que se compra na feira, não seja mais um, mas um, mudando-se para melhor, porque a escrita não foi algo inventado para morrer nos mosteiros, bancos de escola e bibliotecas, mas para ser compartilhado e, graças à nossa evolução, distribuído como outra invenção importante, cuja utilização não se restringiu às elites, aquecendo, provendo calor, iluminando a vida dos seres humanos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Energia "futebolística"

Eu não nasci para o futebol; meu pai posteriormente completaria com "e o futebol não nasceu para você". Coisas de menino sem coordenação com as pernas, em um país em que se venera mais este esporte do que a própria educação. Tenho aqui que deixar meu registro, de que somos um país de um esporte só entre vários, sem desprezarmos as conquistas e os esforços individuais dos nossos guerreiros poliesportivos.

Apesar do ser humano ter sido tão criativo no desenvolvimento de alternativas para o uso da bola, do corpo humano e outros tantos artefatos para exercitar os músculos e a mente, o brasileiro, apoiado por um governo que adora uma política de pão e circo, esquece da maioria dos esportes, a não ser quando aparecem medalhas, para se dedicar integralmente ao futebol. Pena para mim, que não tinha jeito para a coisa.

Mas a energia vai além do jogo, contaminando as arquibancadas, e nelas mora a emoção dos muitos que não podem entrar no gramado. Com uma intensidade inexplicável, afloram-se emoções, causando consequências previstas, mas imprevisíveis, num misto de alegria, medo, expectativa e, às vezes, frustração. Como pode haver apenas um campeão, ao resto as lágrimas; será?

Somos tão desorientados quando o assunto é este, que não nos importa tanto o resultado, pois serve-nos mais como motivação para o dia-a-dia, como remédio salutar para esquecer das nossas próprias derrotas. No caso do brasileiro, a "energia futebolística" é algo que nos dá uma ilusão temporária de que podemos ser os melhores, sem nos preocuparmos se nós mesmos fazemos parte disto, porque nos colocamos dentro do jogo, sentindo cada esforço e cada alegria dos que estão construindo a história dentro de uma partida.

Essa energia que nos contamina aflora reações impensadas, fazendo-nos crianças choronas, de tristeza ou alegria, em um salutar exercício de imaginação, quando o mundo se apaga e resta-nos o momento, quando por alguns instantes entendemos o que significa aproveitá-lo em sua integralidade.

Salvos os excessos, a preferência desmedida por um esporte apenas, a manipulação pelos que estão lá em cima e tantas outras coisas que ofuscam o brilho dos espetáculos, tornamo-nos parte do espetáculo, entramos em campo, vibrando a cada momento, dividindo com nossos semelhantes a nossa energia, tornando-nos mais próximos, e isto é bom! Sejamos campeões dentro e fora do campo, utilizando esta mesma energia para edificar. Sejamos, pois, torcedores, mas, tal qual comentado nos jogos, sejamos mais um jogador, em todas as partidas do cotidiano!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Drogas

Sem falso moralismo, pois o mundo não precisa dele. Sou adepto da liberdade de escolha, do famoso lívre arbítrio, mas tanto de escolha quanto de arcar com as conseqüências. Não sou santo e muito longe disto todos estamos, visto que cada um tem seu ponto de melhoria.

Atendo-me ao tema, drogas não são apenas substâncias químicas, aceitas socialmente ou não. Podemos dar uma amplitude maior ao tema, incluindo nele tudo o que nos incomoda, nos faz mal, causando indiretamente mais malefícios do que as que são oficialmente rotuladas.

"Minha vida é uma droga!". Já ouvi muitas vezes esta frase, que trás consigo um significado muito grande, através do qual poderíamos melhorar sobremaneira tudo o que nos rodeia. Se considerarmos as drogas como algo prejudicial, porque até os remédios têm seus efeitos colaterais, evitá-las implicaria em melhorar a qualidade do nosso dia a dia.

Cigarro, bebida, maconha, cocaína, mas também ódio, raiva, comodismo, materialismo. Não nos damos conta de que evitamos nossa felicidade por conta de detalhes pequenos, mas que tornamos muito grandes. O materialismo, por exemplo, faz com que não nos vejamos felizes simplesmente por não acompanhar esta ou aquela moda, ter este ou aquele lançamento. Torna-nos escravos de aparência e de coisas perecíveis, que não nos acompanharão após o dia derradeiro.

Pare, sinta, reflita, e perceba o que lhe causa seus problemas. Fazer coisas que lhe agradam, mais do que algo bom para o ego e estima, é um remédio sem efeitos colaterais que lhe garante saúde. Mas e o vício? O que fazer com ele quando não se consegue deixar algo que nos parece vital? Simples! Tente compará-lo à boa sensação de se sentir livre, de se sentir dono de seus atos e diretor da sua vida.

Não é utopia, mas também não é fácil. Então, quando for acender o próximo cigarro, ou quando for se enraivecer por não ter algo, alguém ou porque não consegue acertar sempre, lembre-se de que não somos perfeitos e às vezes erramos, mas que deixar de errar é também uma escolha, cujos benefícios aparecem e não se vão, pois nos tornamos fortes, não totalmente imunes aos erros, mas capazes de enfrentá-los e vencê-los.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Silêncio

O silêncio é uma resposta que, acima de tudo, pede interpretação. Em suas várias facetas pode assumir significado de sapiência, de ignorância, medo, coragem, ironia e tantos outros. Independente da forma, o fato é que nos acostumamos com ele, assim como, em situações extremas, nos acostumamos à dor. Trata-se de uma reação do ser humano para as situações onde a razão parece não oferecer as respostas certas, pelo menos no primeiro instante, mas que às vezes perdura, muito pela falta de maturidade que nos mostraria a hora certa de eliminá-lo, ou talvez amenizá-lo.

Talvez um dia tenhamos a sapiência e a maturidade das crianças, oriunda da pureza que elas demonstram ter por não segmentar os sentimentos, que são unos em sua essência, mudando apenas o alcance da nossa compreensão sobre eles. Dentro desta nossa turva visão das coisas, para o que não encontramos resposta, aplicamos o silêncio, à espera de algo que nos mostre que há melhor opção.

É válido analisar-se constantemente, verificando os pontos fortes e fracos e onde melhoramos com o tempo. Seguidas vezes cometemos enganos repetidos, como crianças teimosas que não conseguem entender que fazendo certo chega-se mais rápido ao destino proposto. Precisamos de tempo, experiências, novas situações e novos sentimentos, para que consigamos então entender que as coisas boas e ruins que precisamos guardar em nosso passado são apenas degraus evolutivos, que nos garantem não apenas o topo, mas a permanência nele.

Mas e o silêncio? Esta ferramenta da sapiência incompleta, quando faltam palavras e atitudes, acaba nos servindo de salutar processo de preparação. Em muitas situações simplesmente não aguentaríamos o fardo das conseqüências de nossos próprios atos, e nos calamos. Na hora certa, quando nos julgarmos preparados, mais fortes, mais maduros sob vários aspectos, seremos convidados a libertar-nos da inércia auto-imposta, sob forma de comprovação de aprendizado, tal qual um estudante que realiza uma prova.

Ao longo do tempo aprenderemos que o silêncio não mais será utilizado como ferramenta de auto-proteção, mas como proteção do outro, porque nós estaremos preparados para tudo, mas teremos que entender, como hoje já compreendemos um pouco, que caminhamos juntos, mas nem sempre no mesmo passo. Neste momento faremos como nossos pais, que se calam aguardando a maturidade dos filhos, para então lhes revelar as verdades, quando estiverem preparados, pois quando se permanece muito tempo no escuro, é preciso receber a luz aos poucos, para evitar que a falta de preparo cause a cegueira.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Comércio versus ética

Antigamente dizia-se que a palavra de um homem era o necessário para selar um bom negócio. Além disto, que quando o sujeito não presta, não há contrato que o conserte. Desvios de comportamento aconteceram em todas as épocas, com correções que empregaram maior ou menor violência, mas, devido ao aumento populacional e à grande concorrência hoje existente, tornaram-se mais visíveis e ficou mais fácil de se encontrar exemplos.

Análise de crédito, contratos, propostas comerciais com prazos limitados e tantos outros instrumentos são hoje utilizados para que se garanta o que é dito em uma visita ou reunião, pois a verdade é instrumento de poucos. A exemplo do que foi ilustrado no livro "O caçador de pipas" pelo seu personagem principal, em uma comparação de seu país com os Estados Unidos, não há mais confiança na palavra. Cada vez mais são criados meios para se corrigir as conseqüências de desvios gerados pela deficiência em um setor básico da sociedade: educação.

Não há referência aqui simplesmente à educação formal pois, principalmente em nosso país, esta limita-se a ensinar a cunha do próprio nome. De forma mais abrangente, quando se remete à idéia de educação, é preciso entender que o ser humano é educado desde seu nascimento, por estímulos diversos que não se limitam ao aprendizado desta ou daquela linguagem. Educar, no sentido amplo, implica em tornar o ser humano apto para viver em sociedade de forma completa, harmoniosa e, dentro disto, se incluem as letras como uma de suas características, que nunca pode ser tomada como a única.

O processo educacional, enquanto desenvolvedor de seres sociais, passa, ou deveria passar, por um ensinamento sobre ética e moral, tão em falta atualmente. Com isto, conseguir-se-ía ensinar que empregar determinados meios para se convencer alguém, como vender algo diferente do que se tem, ou mascarar problemas existentes em algo que se passa à frente, dista de um comportamento que garanta o bem coletivo. Há alternativas simples, como conhecer o próprio produto e o da concorrência.

Agregado à falta de noções éticas, o pensamento extremamente individualista do ser humano contemporâneo causa-lhe atitudes que o levam à venda pura e simples, sem a preocupação com os outros envolvidos no processo. Sem a educação satisfatória, passa a entender erroneamente que o sistema capitalista significa apenas o eu ter capital, levando-o a empreender quaisquer esforços na busca do retorno monetário.

O que vemos de forma mais clara no comércio, portanto, e que também abrange desde as relações humanas mais simples até os mais altos escalões do poder público, nada mais é do que uma conseqüência direta de um processo educacional ineficiente, cuja responsabilidade envolve não apenas os responsáveis pela educação formal, como também e, principalmente, pais, amigos e quaisquer pessoas que venham a ter contato com o ser humano durante a formação e desenvolvimento do seu caráter.

Para que consigamos, pois, garantir uma sociedade em que "a palavra de um homem seja o suficiente", como ouvimos de nossos pais sobre épocas anteriores, é preciso que tenhamos em mente nossa responsabilidade solidária por todos. A ética e a moral não devem ser praticadas de forma isolada, sob pena de perecerem ou de se limitarem seus bons efeitos. Se ainda hoje vemos sociedades em que não há a necessidade de garantias, em função do comportamento de seus integrantes, senão por mera imposição burocrática, tenha a certeza de que, nesses bons lugares, impera um sistema educacional de amplitude global, em que os alunos, mais do que simples receptores de conhecimentos, são chamados a praticar e ensinar o tempo todo, deixando de serem alfabetizados de escrita de nome, para se tornarem verdadeiros seres humanos, cientes de seus poderes e de suas responsabilidades.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Condicionamento

O correto a dizer é "estar" condicionado e não "ser". Trata-se de um estágio temporário de assimilação de opiniões e pressupostos alheios que tende a ser deixado de lado com a maturidade. O condicionamento é algo a que se impõe por vontade própria, mas que quase sempre é feito de forma mecânica e sem reflexão.

Pense nas suas variações: condicionamento físico, político, religioso, comportamental, e por aí vai. Alguns nos parecem, inclusive, bem positivos, como cuidar da aparência, da saúde, mas o importante, muito mais do que os resultados, são os motivos. O que nos leva a fazer algo, não porque os outros querem que façamos, mas o que nos garante uma satisfação plena e interior, algo individual cujo compartilhamento de sentidos é, no mínimo, complicado.

Ter um corpo perfeito, por exemplo, apenas porque a moda dita esta norma, não é o mesmo que o ter por se sentir realmente bem com um físico mais preparado. Aliás, quase tudo é relativo, sendo que o preparo para uns não o é para outros. A parte física é mais simples de ser analisada, porque estimula os sentidos visuais, mas os reais problemas no condicionamento cego residem no comportamental, quase sempre conseqüência direta de como resolvemos assimilar o que nos é transmitido.

Baixa estima, medo de se expor, preconceitos e a errônea idéia de que tudo é muito mais complicado do que realmente é. Nossa educação, sobretudo a formal, é recheada de um negativismo extremamente prejudicial, que nos causa a necessidade de muita reflexão, até que entendamos que somos aquilo que escolhemos ser, por mais que os outros tentem nos direcionar. Neste ponto nosso livre arbítrio é fundamental, assim como o entendimento de que as conseqüências de nossos atos são responsabilidade nossa; isto nos garante a possibilidade de evitar jogar a culpa no mundo, o que muitas vezes fazemos, como as crianças.

Como toda mudança, para sair da estagnação de pensamento em que somos incluídos pelos moldes sociais, cabe a atitude. É preciso tomar a frente dos nossos passos e direcioná-los, mudando os conceitos não porque estão todos errados, mas porque chegamos à conclusão de que uns são verdadeiros e outros nem tanto, ou que simplesmente não nos atendem por completo. Cabe a nós mesmos entender que profissionais ajudam, mas nunca poderão fazer o nosso trabalho, sendo necessário que nós mesmos ultrapassemos as barreiras necessárias para a nossa evolução.

Condicionamento é algo temporário, mas que a muitos torna-se um quadro crônico de inatividade humana, em que seres com inúmeras possibilidades de criação se colocam, por própria opção, em prisões indeterminadas que lhes impedem o desenvolvimento. Saibamos entender e compreender que a nós tudo é possível e, conforme tantas crônicas que discorrem sobre o assunto, somente nós mesmos temos o poder de impedir que sejamos grandes.

Letras

Vez ou outra se discute a importância de se saber bem o idioma português, principalmente nos cargos de maior destaque, ou em posições que, por si só, já garantem uma exposição maior e, consequentemente, um lugar de preferência nas críticas de todas as formas. Nestas incluem-se cargos políticos, níveis de direção e posições de liderança e chefia.

Primeiramente, o conhecimento puro e simples do idioma, mesmo que alcance sua perfeição, não garante ao escritor ou orador uma perfeita utilização do mesmo. Entretanto, é fato aceitar que, como se dizia em um artigo jornalístico publicado há uns dias, para que se tenha um produto perfeito, é base que se saiba utilizar de forma excepcional as ferramentas que lhe garantem a construção. Assim também, para que se garanta um discurso irretocável, torna-se imprescindível o conhecimento da língua portuguesa, desde que este seja escrito nela.

Note, entretanto, que para se chegar a um pleno conhecimento da língua, notadamente no que toca à diversidade de vocabulário, é imperativo que se tenha uma dedicação não apenas ao exercício da escrita mas, mais ainda, ao da leitura. Tal qual o sábio que aprende a falar bem escutando mais do que falando, ao bom escritor é necessária a dedicação à leitura, análise e reflexão de escritos de outrém. Mais do que ler, é preciso exercer a chamada leitura crítica.

Veja que ao pronunciarmos o termo "discurso", vem à idéia os oradores de palanque, com seus ditados verbais de idéias e proposições, promessas e articulações. Perde-se, neste caso, parte da complexidade existente nas letras impressas, escritas, cujos erros se propagam no tempo após divulgados, pois que uma vez lançados ao público, mesmo que se busque a sua correção, ficará na memória de muitos o deslize inicial, perpetuado nos escritos que os divulgaram.

Erros são cometidos por todos, mas, como a língua é ferramenta de expressão, sua incorreta utilização causa erros de compreensão, transmitindo idéias distintas das que se deseja, causando problemas que vão da simples confusão de termos, à inviabilização de idéias e da exposição da sua fragilidade e superficialidade. Tendo isto, correm o risco, os líderes de todos os níveis, de se tornarem obtusos, comprometendo os projetos a que tanto se dedicam.

Não se deve tomar a forma pelo conteúdo, mas neste caso específico, o conteúdo precede a forma, sendo-lhe a base. Em casos específicos em que se consegue a forma perfeita da língua sem elementos que lhe garantam a essência, não se consegue manter os ideais defendidos, pela simples inexistência de conhecimentos que os sustentem.

Dominar as letras, pois, significa, de modo amplo e irrestrito, dominar, direcionar e liderar, pois que a comunicação não garante apenas a transmissão de dados, mas o convencimento dos outros sobre a informação que se transmite. E ao contrário de uma opinião colocada no texto a que me referi, publicado há uns dias, em cargos de direção, notadamente os públicos, a forma não pode ser deixada de lado, pois, como exposto, para garantí-la seus detentores precisam de conhecimento, e este lhes faz falta, quando inexiste ou é insuficiente.

domingo, 4 de novembro de 2007

Manual

Que falta nos faz um manual! Seria bom ter um livro detalhado de como agir nas várias situações que nos perseguem todos os dias, dia após dia. Seria interessante ter às mãos um escrito que nos explicasse primeiro como somos, depois para que servimos e depois nos desse todas as coordenadas para que pudéssemos acertar, sempre, sem a contínua necessidade de encarar problemas insolúveis, não por não terem solução, mas porque são inéditos, mesmo sendo iguais.

Tudo tem seu lado positivo; é o que dizem! Nisto também há o seu. Afinal de contas, quão mecânicos seríamos com uma pré determinação dessa magnitude! Realmente temos à mãos as benesses do nosso poder de escolha. Podemos então errar, acertar, levar nossa vida como jovens desbravadores, para os quais o medo não passa de um estímulo de defesa, que fortalece mas não impede de dar os próximos passos. Mas qual será o próximo?

Um após o outro, e é preciso ter o primeiro. Passos são como letras que formam uma palavra, pois quando falta um ou mais, a caminhada fica incompleta, e perdemos partes importantes, tal qual uma palavra que muda completamente de sentido sem uma única vogal. Somos o todo, senão somos por partes, e é isto que nos deixa a vontade de um manual, com tudo pronto, porque não é fácil sermos nós mesmos o tempo inteiro, porque no teatro da vida precisamos encenar várias peças, virando às vezes personagens escritos por outros autores.

Mas nesse teatro de peças imprevistas e nunca ensaiadas, precisamos ser também diretores; é preciso opinar, decidir, aceitar ou não esta ou aquela fala, porque quem encenará os papéis que nos cabem seremos nós. Então daremos risos, lágrimas, sentiremos o papel tal qual o melhor dos atores, sempre conscientes de que, ao final, virão os aplausos, ou talvez não, porque nem todos se agradarão com a nossa atuação, ou mesmo porque alguns serão apenas atores, temerosos por dirigirem suas próprias vidas.

E o manual? Este com certeza existirá um dia. Deve ser construído no dia a dia, pelos nossos atos racionais, letra a letra, página a página, nos decifrando como enigmas, deixando às claras o que somos de verdade. É preciso editarmos, reeditarmos, primarmos pela sua qualidade e perfeição, para que possamos, um dia, entregá-lo a alguém, ou a muitos alguéns. E então presentearemos os outros com a facilidade em entender a beleza em que nos tornamos, sem que eles precisem nos estudar ao longo do tempo, tal qual fizemos, e também nos entregarão os seus, para que possamos fazer o mesmo. Aí não mais seremos mecânicos, frutos fatalistas de algo já pronto, mas expositores de obras, que demoraram para serem erguidas, mas que o foram com o máximo de esmero, qualidade e sentimento.

sábado, 3 de novembro de 2007

Oi

Às vezes me admira a complexidade das coisas simples. Um termo de duas letras, por exemplo, pode significar tanta coisa, como um simples "oi". Quer dizer um cumprimento, um início de conversa ou um pedido de atenção. E isto desconsiderando situações e contato visual, pois, nestes casos, o contexto acresce muitos detalhes que não podem nunca serem deixados de lado.

Para uma análise meio vazia, mas não é, principalmente porque hoje em dia finalmente chegou-se à compreensão de que relacionamento abre portas. É certo que não se chegou pelo motivo ideal, mas sim pela necessidade de ser indicado para um emprego ou para manter um, mas, de qualquer forma, o importante é que se passa a ter um cuidado com determinadas coisas que garantem nossa boa convivência.

Imagine a cena em que você chega ao seu trabalho pela manhã. Independente do ambiente que você encontre, se você der um oi por obrigação ou de cara amarrada, estará contribuindo para que algo de negativo chegue com você. Ainda mais, associará esta negatividade à sua chegada, seja pela sua instalação, seja pelo seu incremento.

Agora, na mesma situação, dê um oi alegre, carregado de sorriso e energia positiva, e não apenas observe, mas sinta a diferença. É uma situação bem simples, cotidiana, que pode ser expandida para dentro do ambiente familiar, amigos, profissão e tantos outros lugares. Atitude é o que muda os relacionamentos, não as intenções. Intenções sem execução não passam de intenções.

Distribua ois por aí, mas faça-o com vontade, com emoção e com a certeza de que realmente está fazendo isto para melhorar alguma coisa, mesmo que seja você mesmo; já será uma grande boa mudança. Do contrário, fique quieto, pois assim você minimiza os impactos do negativismo que já anda grande. Extremismo? Não mesmo, muito pelo contrário.

A questão é que sempre nos preocupamos em fazer as coisas, mas poucas vezes em como fazê-las. Pequenos termos, como oi e tchau, quando utilizados abrem e fecham portas mas, muito mais que isto, abrem e fecham caras, sorrisos, alegrias, chagas. Nunca duvide do poder que tem nas mãos, por mais que lhe pareça que a você não foi dado nada. Milagres são apenas ações boas na hora certa, e a hora certa não tem hora, quando a ação é boa.

Faça, cumprimente, relacione-se, e seja diferença em todo lugar que você entrar. Com o tempo, sua luz irá aumentar exponencialmente, ofuscando as manchas por onde passar. Tornar-se-á um foco tão brilhante de coisas boas, que, naturalmente, sem planejamento friamente calculado, será convidado a fazer parte de grupos, não somente profissionais, mas de seres humanos transformadores de toda a humanidade. Quando isto ocorrer, provavelmente não dirá apenas um oi, mas quem sabe um "como é bom revê-lo, meu irmão".

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Diferenças

Salvem as diferenças, porque é maravilhoso ser único, mesmo se você tiver um irmão gêmeo! Vivemos no mundo dos diferentes, dos estranhos, dos indivíduos que pensam, mas que não o fazem igual e isto precisa ser respeitado. Somos distintos na cor, na aparência, no credo e nas raças que nos deram origem e é justamente isto que garante esta linda miscigenação que nos acompanha desde sempre.

Louvemos os que entendem isto, porque deles será a glória de se encantar permanentemente, com toda a beleza distribuída em todos os cantos, cada belo com o seu jeito, cada lindo e linda à sua maneira. Somos o que somos e isto precisa nos bastar, porque acima de tudo, para sermos aceitos, precisamos nos aceitar, sob pena de requerermos um direito que não nos cabe.

Tenhamos pena, insatisfação, mas, acima de tudo, esperança de que todos mudemos nosso comportamento um dia, porque ainda espelhamos nossa incompreensão sobre a forma como as coisas são e sempre serão. Notadamente em nosso país, que tem em sua carta maior as letras de uma igualdade distinta, garantindo que todos sejam iguais perante a lei maior que nos governa nesta nação, mesmo com a distinção que nos cabe por herança.

Precisamos amadurecer e entender que não é possível combater preconceito com preconceito, discriminação com mais segmentação. Vagas para negros, deficientes, indígenas e qual mais segmento? Será que precisaremos reservar vagas para cada um de nós, por sermos todos diferentes? Qual a justificativa de um governo incapaz de corrigir as mazelas seculares de nossa construção como nação independente, para continuar de forma totalmente ineficaz criando mecanismos para garantir nossa desigualdade perante a mesma lei que nos diz que somos iguais?

Somos diferentes, muito mesmo, e isto precisa ser mantido; mas somos iguais, porque a todos deve caber as condições de exercer sua individualidade. Não se corrige o ser humano na velhice, pelo simples motivo de que nesta resplandecente fase ele já está a caminho da despedida. É preciso, pois, buscar a origem dos problemas, criando meios para extinguí-los na base, sem subterfúgios que garantam apenas mais uma eleição de votos pré marcados.

Somos distintos pela natureza, mas desiguais pela criação. Mudemos pois nossa criação, para que entendamos de uma vez por todas o quão linda é uma pele negra e que sua mistura com a branca, que já não é branca somente, pode ser feita sem receios, criando mais e mais seres que representem a perpetuação do belo.

Eu sou branco, eu sou negro, sou índio, árabe e tantas outras raças que me precederam e que me fazem o que sou. Sou rico, sou pobre e sou o que me circunda, sob pena de não ser nada, por ser apenas eu, fora do resto. Preciso ser em conjunto, porque só assim serei indivíduo, único, porque não se admite o feio sem o bonito, e a concepção disto é algo relativo, mas apenas porque mais de um ser pensa.

Diferenças, porque é isto que garante o equilíbrio das vontades, das belezas e do ser humano. Sejamos, portanto, iguais, mas somente na forma como devemos nos tratar, com algo que escutamos pelos séculos, mas que ainda não aprendemos a usar: o amor. De resto, continuemos diferentes, porque, do contrário, seremos apenas uma massa indistinta, tal qual uma estrada infinita de asfalto, sem nada em volta, que nos aparece como algo completamente sem vida.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Comportamento

Chegamos a um estágio em que o homem não mais pode se dar o luxo de ficar parado, o que com certeza não se restringe ao trabalho. Marketing já não é algo restrito ao mercado corporativo, tendo, entre suas variações, um pessoal, um profissional e um de rede, além de tantos outros. Somos obrigados a nos movimentar, a estabelecer relações, agir pelo nosso sustento, manutenção e, inclusive, para garantir que não deixemos trabalho para os outros quando daqui partirmos.

E nisto resta um resultado claro: problemas, dos mais diversos, geralmente sob a etiqueta de depressão e suas extensões. Irritabilidade, cansaço, indisposição, impaciência e por aí vai; coisas que nos atrapalham nos mais diversos setores de nossa vida, porque em todos eles somos convidados de forma não muito opinativa a lidar com outros seres humanos que, não poucas vezes, estão na mesma situação.

Lembre de algum momento em que reclamava de algo. Agora volte a este momento e procure analisar em volta e verá que muitos faziam o mesmo. Infelizmente o progresso nos tirou o sono e a tranquilidade, pelo simples fato de que não nos preparamos para ele; não da forma adequada. Não aprendemos que ferramentas são meios, não o fim, e que não precisamos nos sentir um lixo quando perdemos algo ou alguém, porque faz parte.

Este ambiente de constante competição tem nos dado a falsa idéia de que somente alguns podem vencer e que seremos perdedores se não estivermos sempre no topo. De forma lógica, como pensar em vencedores sem perdedores, e vice-versa? É tudo parte de uma coisa só, uns colaborando com os outros. Não existem vencedores, mas sim os que se sobressaíram mais, porque, afinal de contas, ninguém consegue colocar uma empresa no topo sem seu corpo de funcionários operacionais.

É preciso mudar o foco, entender que as coisas são seqüênciais, que acontecem a seu tempo e que vitórias vêm e vão. Precisamos entender que o dinheiro é parte do todo e não ele em si. E que amigos, parentes, desconhecidos, são seres humanos com os quais precisamos conviver, sempre em harmonia. É isto que nos livra da depressão, não remédios. Porque antes de buscarmos o bem precisamos estar bem, mas é preciso que também para isto, trabalhemos.

Desacelere, respire, olhe à volta. Leia um livro, brinque com seus filhos, coma algo gostoso e pare para sentir o frio, o calor, uma brisa. Tudo à sua volta está lá para ser aproveitado, da melhor forma possível e não como parte do caminho para o trabalho ou para casa. Muitos fazem planos para o futuro, mas não se perguntam até quando estarão aqui. Como se diz, viva todo dia como se fosse o último e quem sabe um dia você acerta.

Não é um modo fatalista de pensar, mas sim uma compreensão de que por mais correria e competição que haja, ninguém ficará para semente, como diriam os mais velhos. Então, porque juntar milhões somente para si? Você não dará conta de gastar tudo sozinho, é fato! Junte sorrisos, junte amigos, familiares felizes por ter sua companhia e faça coisas agradáveis, porque assim o estresse e a depressão vão embora e você aumenta sua qualidade de vida. Mas lembre-se, assim como no trabalho, o sucesso nesta empreitada rumo a você mesmo, só depende de você!

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Nós

Olho à minha volta e vejo tudo; vejo nada! Tudo parece mudar o tempo todo, sem que eu consiga acompanhar. As coisas acontecem, continuam se alternando; coisas boas, coisas estranhas que não consigo entender. Parece que estou só, busco ajuda aqui, ali, todos se foram. Penso assim, penso diferente, penso do meu jeito, e não parece o bastante, parece que ninguém me acompanha.

Sensação estranha esta! Parece que somos todos diferentes, e somos! Olho as coisas, as pessoas e não me identifico nelas, como se eu não fosse daqui, como se não fossemos do mesmo lugar. Mas e aí? O que fazer se sou tão diferente ou se ninguém se assemelha a mim? É como se eu estivesse solitário na multidão, sem apoio ao redor das pessoas que mais me importam e que mais deveriam se importar comigo.

Orgulho que me consome, me coloca no topo, no centro das atenções como eu acho que deveriam ser. Orgulho inexplicável que não consigo controlar e me consome, que me faz ver que só eu tenho meus problemas e o resto, bom, o resto é resto e não pareço me importar tanto. Assim eu continuo, e vejo todos estranhos, todos pensando diferente, não agindo como eu acharia o certo.

Mas espere; olho à volta. Estranho também, mas parece que começo a ver nas pessoas falhas minhas, ou espelho minhas falhas nelas. Não sou tão forte, não sou tão fraco, começo a me ver mais igual. Problemas? Tenho muitos, mas eles têm também, mas posso me manter distante, achando que são só meus, ou ajudá-los como alguém quer me ajudar. Não estou mais tão só, porque percebo que somos iguais nos obstáculos; barreiras semalhantes mas completamente diferentes.

O orgulho já foi dominado, aparecem amigos, surgem pedidos de ajuda. A solidão se esvai junto com o trabalho, não aquele financeiro, mas o da alma, que ajuda os que precisam sem pedir nada em troca, mas que tras consigo um sorriso às vezes. Sorriso, sorrisos, e meu peito infla, mas não sei explicar. É uma sensação boa que toma conta de mim e me faz esquecer que um dia me achei esquecido e me faz integrar, me tornar parte do todo que sempre fiz parte, mas que não me dei conta.

Somos todos, somos um, cada um cada um, do jeito que consegue ser. Ninguém sozinho, apenas nos fazemos assim, como forma de auto-punição e de auto-orgulho, em uma atitude semelhante à de uma criança que quer atenção. Caminhamos sempre, exercendo nosso papel, sempre à espera, espera às vezes inconsciente, de alguém para ajudar. E podemos, temos como, temos as ferramentas que sempre nos ajudam.

A força? A força está conosco, e somos mais fortes do que imaginamos, mas não podemos nos mostrar fortes, não muito. Somos frágeis também, somos pouco também, porém muito, e assim nos mostramos, ajudando àqueles que precisam como meros ajudantes, sem nos colocarmos no topo. O topo? Aquele altar que o nosso orgulho criou? Abandonamo-lo e crescemos, e nos tornamos grandes e a solidão se foi.

sábado, 27 de outubro de 2007

O poder das palavras

Através delas ergueram-se impérios que figuravam apenas nas idéias dos maiores conquistadores. A força, por maior que seja, nunca consegue atingir a sutileza de alguns bem trabalhados dizeres, estes sim capazes de convencer e conquistar, como quem simplesmente convida para uma caminhada amistosa, sem imposição.

As palavras são a arma mais eficaz jamais inventada, capazes de mostrar a verdade, assim como simular o bem e o mal. Dominá-las, em todas as épocas, significou sempre ter o real poder, aquele que não pode ser outorgado por meios legais, mas que se espalha na velocidade da luz, dando ao seu detentor a capacidade de liderar os que anseiam por uma orientação.

Bem e mal, para os que não se dão o trabalho de pensar, são apenas colocações; termos floreados que levam muitos a seguir o caminho que os leva a uma falsa realização, que em grande parte das vezes não é sequer percebida, porque as palavras, essas armas brancas do homem sábio, elas são corretamente utilizadas e compreendidas por poucos.

Saber falar, saber escrever, expressar-se pelo meio da fala ou da escrita; até os analfabetos fazem isto! Sim, mesmo os analfabetos escrevem, compiladores dos pensamentos alheios. Ter o dom da fala e da escrita vai além, porque é preciso uma base racional, que a muitos inexiste e a outros é de exercício penoso.

O poder dar palavras não vem só, mas para ser alcançado precisa de preparo e de exercício constante. Dominá-lo significa abrir as portas para o inimaginável, criando possibilidades ilimitadas para a realização de sonhos. O pensar, aliado ao refletir, possibilita transformar o simples pincel em ferramenta do belo, fazendo da simples junção de algumas letras o único meio para a ascenção do ignorante ao posto de sábio.

Reflitamos, pois, como temos tratado as palavras, pois podemos ser analfabetos sem o saber. Transformemo-nos em manipuladores e não em manipulados como a massa, porque só assim teremos a chave para empreender grandes feitos. O bem e o mal estarão, assim, ao nosso alcance, cabendo a nós, em nossa então sapiência, entender que o mal é mal não apenas para os outros, mas para todos; para nós mesmos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Momentos

Existe uma "teoria" que preconiza a inexistência do presente. De forma lógica, existem as coisas que já fizemos e as coisas que estão por vir; entre elas um momento quase instantâneo, se considerarmos que à medida que as coisas são realizadas, passam a se incluir no instante passado. Desta forma, o tempo tido presente não passaria de uma ilusão, ou algo tão efêmero que não pode ser tomado como foco principal.

Pensando assim, fica uma conclusão simples: ou vivemos presos ao passado ou presos ao futuro. Levando-se em consideração a lei de causa e efeito, tem-se que o que vemos hoje é resultado das escolhas e atos passados. Desta forma, focando no que se vê, naquilo que nos parece real e imediato, estamos ancorados a tudo quanto fizemos em nossas atitudes que já se foram.

Olhar à frente implica em acreditar no que ainda não chegou, nas coisas que não foram realizadas e que, somente por isto, são incertas demais. Além disto, pensar no futuro nos leva a necessitar de estímulos contínuos, para que consigamos manter os objetivos em coisas que talvez nem tenham sido criadas.

Parece algo meio fora do comum mas, de forma resumida, resta-nos duas possibilidades: aceitar o que já foi ou criar o nosso próprio destino. Simples, não? Nem tanto! A maioria de nós recebeu uma educação que diz que as coisas sempre foram de um determinado jeito e precisam continuar assim. Alguns poucos foram doutrinados quanto à quebra de barreiras, de forma que o futuro, para eles, se torna um universo de possibilidades ilimitadas.

Preconceito, desigualdade, guerras, desemprego, desilusão amorosa e tantas outras coisas negativas são detalhes que já se passaram. Coisas boas também, porque já se foram e novas precisam ser recriadas. Pense o quanto esta "teoria" é positiva, porque torna o futuro responsabilidade apenas nossa, resultado de nossos próprios esforços e das atitudes que venhamos a tomar.

Assim, acaba-se a predestinação, o carma ou qualquer outra denominação que alguém venha a inventar. Passamos a decidir vivermos focados nas construções que podemos empreender no futuro, ou nas coisas, certas ou erradas, que fizemos antes. Podemos seguir em frente ou lamentar o que se foi, mas uma coisa fica certa nesse caminho, que o presente é apenas um conjunto de momentos, tão rápidos e instantâneos que, quando nos damos conta, eles já passaram, e aí fica a dúvida: olhar para trás ou dar o próximo passo?

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Siga o coração

Algumas vezes parece que o mundo gira ao contrário; ou simplesmente não conseguimos acompanhá-lo. As coisas acontecem à nossa volta e não conseguimos fazer algo que nos coloque na roda novamente, no círculo contínuo que nos aproxima dos outros. Nessas horas grande parte de nós se fecha, como uma ostra. Criamos barreiras intransponíveis até para nós mesmos, tornando impossível uma reação.

Nessas ocasiões, por pior que estejam todos ao nosso redor, parece tudo dar certo para eles, o contrário do que acontece conosco. Todos reclamando de suas vidas medíocres e sem sentido, mas para nós parece que eles têm a chave do paraíso. Inexplicavelmente, conseguimos ver soluções claras para todo mundo, menos para nós mesmos! Trabalharíamos, nessas horas, como o melhor dos orientadores profissionais e pessoais.

E aí alguém chega e nos fala que só depende de nós. Mas como? Como acreditar que apenas uma atitude isolada pode movimentar todo um sistema, se ele é formado de partes completamente interdependentes? Difícil assimilar algo tão inusitado. Mas aí começamos a perceber que um "oi" amigável nosso se propaga muito além de seu alvo inicial e que essa interdependência sempre precisa começar em algum lugar, e que este passo pode ser o nosso.

Analisando o sistema como um todo, vemos que exercemos nossa parte nos processos à nossa volta, e acabar com a nossa introspecção pode ser a parte que falta para que alguém deixe de reclamar, conseguindo alcançar tudo o que jamais sonhou. Deixamos, pelo orgulho e egoísmo, de fazer o nosso papel e assim algo deixa de ser realizado, causando problemas, porque tudo se relaciona.

Mas qual passo tomar? Para qual direção recomeçar a caminhada? Um antigo conselho popular, nos diz para que sigamos nosso coração. Nada romântico, se pensarmos que ele é o responsável pelas nossas sensações, por nos dizer se nos sentimos bem ou mal fazendo algo. Há poucos dias vi um músico ex-bancário dizer que mesmo não ganhando o mesmo, se sentia realizado. Dinheiro não é tudo quando se faz o que se gosta.

É preciso saber fazer o que se gosta, e fazer. O tempo vai passar de qualquer jeito um dia, assim como as oportunidades. E aí pensaremos no beijo que tivemos vontade mas não demos, nos chocolates que engordavam, então deixamos de lado, no vento que desarrumava o cabelo no carro, então subimos o vidro, e na decisão que deixamos de tomar, e o tempo passou! Nessa hora entenderemos o que significa "seguir o coração", mas o tempo restante não será suficiente para recuperar o tempo. Então, quando se sentir só, sem saber o que fazer, qual decisão ou direção tomar, simplesmente siga o coração, e faça aquilo que lhe faz sentir bem. Dinheiro, fama, reconhecimento, talvez a pessoa amada? Tudo virá naturalmente, porque seu brilho será visto à distância.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Lágrimas

Existem momentos em que o corpo não consegue assimilar uma determinada emoção, um sentimento, quando o tempo parece congelar e um mero instante se transforma em um conjunto de passado, presente e futuro de aparência infinita, forçando nossa estrutura a um imenso esforço de auto-controle, impotente tentativa de evitar que transbordemos em meio a tamanha intensidade de sensações, causando as lágrimas, expressão máxima da sensibilidade humana.

Lágrimas demonstram fortaleza; expressam nossa capacidade de entender o que nos circunda, captando as impressões do meio, das pessoas e das várias experiências que nos ensinam a ser. Talvez não consigamos compreender, mas o corpo sente e se manisfesta. Por mais que tentemos demonstrar ao mundo que somos imunes às suas belezas e mazelas, acabamos por nos desnudar, frente a uma realidade inevitável de que tudo tem um começo, um meio e um fim, e diante disto tudo continuamos a existir, melhorando-nos a cada novo passo.

Sensações boas, ruins, indiferentes. Existem momentos em que nos desligamos, não entendendo o que deu errado, ou como pode ter dado tão certo. Sentimentos nessas horas são mistos de encantamento, admiração por como as coisas podem ser tão distintas e tão iguais, nos trazendo à tona um passado distante, que insiste em nos mostrar como tudo volta, se não fizermos o que nos cabe.

Fomos, somos e precisamos ser, sob a pena de encontrar encruzilhadas, que inevitavelmente aparecerão, mas nas quais nos colocaremos em posição passiva, de observador, sem condições de dar o próximo passo, até que consigamos nos retirar do transe. Nessas ocasiões as lágrimas nos banharão, continuamente, procurando nos livrar do peso de ser algo que nos incomoda, como ponto de esperança a nos dizer que podemos ser grandes, desde que o sejamos.

Não basta querer, não basta pensar e planejar, porque as coisas vão acontecendo sempre à nossa volta em uma velocidade incalculável, nos causando espanto quando nos permitimos olhar, ver o estágio de tudo, imaginar se poderemos um dia voltar a acompanhar o resto. Mas não precisamos seguir o todo, apenas ser parte importante dele; certeza que vem com o tempo.

Aprendamos com as lágrimas, pois homens humanos choram, demontrando para si e para o mundo que o peso é grande demais, mas que nunca será impossível de ser superado. Choremos nossas tristezas e alegrias, como a criança que aprende e se desenvolve, monstrando agora não ao mundo, mas a nós mesmos, que a maturidade nos virá com certeza e, neste momento, juntos choraremos, banhando o mundo com nossas lágrimas, de emoção pelas vitórias alcançadas, inconsoláveis, admirados diante de tamanha beleza, porque teremos entendido o nosso papel e agora não mais o quanto somos pequenos, mas o quando fomos, e o quanto estaremos, então, incalculavelmente grandes.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Família

Uma família é como uma empresa. Juntam-se dois sócios, resolvem construir algo juntos, surgindo disto algum produto, bom ou ruim. Parece um jeito meio frio de se fazer referência a algo tão importante mas, afinal de contas, tem gente que a chama por instituição. A verdade é que falta a muitos a esperança necessária neste grupo, que ajudaria tanto a corrigir vários dos nossos problemas.

Engana-se quem acha que a educação começa na escola. A criança vai para os bancos letivos quando já tem uns três ou quatro anos, assimilando muita coisa antes disto. Seus conceitos primeiros sobre relacionamento, sociedade, carinho, amizade e tantos outros surgem das impressões que têm daqueles que são seus contatos logo após seu nascimento.

Os pais, assim como os irmãos e outros parentes, têm assim uma responsabilidade fundamental em formar não apenas a base de conhecimento de uma pessoa, mas o seu caráter. Por mais informações que alguém tenha, elas não serão capazes de tornar uma pessoa íntegra, correta, se isto não vier do início. Em alguns casos acontece uma auto-reflexão que gera uma mudança mas, geralmente, o modo de ser é algo transmitido desde o berço.

A família não é algo falido, porque senão já teria deixado de existir. Ainda vemos muitas bem estruturadas, e outras nem tanto, e como nas empresas, o produto fica melhor ou pior fruto desta organização, deste planejamento e do clima melhor ou pior que se instala em função das várias decisões que precisam ser tomadas. Como nas organizações, quando falta dinheiro a coisa pode ficar ruim, desde que haja o despreparo necessário para isto.

Realmente dinheiro não é a causa de tudo. Assim como sexo em um relacionamento, é apenas um termômetro, capaz de testar o preparo dos envolvidos em se manter tão maduros quanto se dizem, mostrando aos que os assistem como lidar com estas situações difíceis. Neste caso, os espectadores são filhos em constante aprendizado, levando para a sociedade as várias lições que tiveram, boas ou não.

Portanto a família é uma escola, sem os bancos e os livros, mas que estimula a ler, a ser e a querer melhorar as coisas. Não só foi, como continua sendo a instituição mais importante da sociedade, cuja base não tem que ser religiosa, como se acreditou muito tempo, mas moral e ética, algo que transcende as crenças dirigidas pelos homens. Assim, quando constituir uma família, tenha a consciência de que vários dependerão de você e de seus exemplos, e tenha a certeza de que eles serão propagados; bons ou ruins.

domingo, 21 de outubro de 2007

Inspiração

Deixe aflorar do coração. Parece um conceito simples, uma instrução meio básica, mas que não conseguimos entender e muito menos seguir, na maioria das vezes. Os sentimentos são ainda muito incompreendidos, daí o fato de muitos não se entenderem, não conseguindo externar em palavras e gestos o que vai por dentro.

Passamos a vida buscando motivação externa, em belezas recomendadas, tristezas comentadas, sem entender porque nos emocionamos nos momentos em que estamos mais desligados. A razão é simples: nestes momentos somos nós. Existem determinadas coisas que não podemos buscar no ambiente que nos circunda, pela simples razão de que dependem do interior.

Nossa educação não nos estimulou a isto. Encontre alguém com uma educação voltada para o desenvolvimento e compreensão de si e certamente se surpreenderá com a capacidade desta pessoa de criar, de construir determinadas coisas que você julgaria impossíveis. Olhe para dentro, pois lá estão armazenadas as melhores inspirações.

Nos foi dado o péssimo hábito de invejar os poetas, os atores e os artistas em geral. Admiramo-nos com sua sensibilidade, com sua facilidade para externar emoções, quase sempre nos auto-impondo a idéia de que nós nunca poderemos fazer algo semelhante. Ledo engano! Somos únicos dentro do todo, mas todos com um potencial ilimitado de criação.

Não busque o sentimento, sinta. Não busque a inspiração, inspire-se. Não ache, por conta do que lhe falam os pessimistas, que somente os momentos ruins nos dão a introspecção necessária para criar coisas profundas, porque poucas coisas são tão intensas quanto o amor, cuja significação positiva não tem tamanho.

Inspiração não é algo que pode ser estimulado de forma externa, por mais que lhe digam que sim. Sentir o meio, deixar que as impressões externas lhe alcancem a plenitude, só é possível quando o interior se desliga de tal forma das convenções que se permite inovar, se deixa entender que algo a mais pode ser inserido em nossa pequenes.

Sente em um banco de uma praça, feche os olhos e sinta o vento, os sons, perceba as cores, as pessoas e a quantidade de beleza à sua volta. Supreenda-se porque nada mudou no ambiente desde que você chegou; você mudou! Agora faça o mesmo com o resto do tempo, em seus relacionamentos, no trabalho, com crianças, animais e tudo. Verá como as coisas ficam mais simples, mais verdadeiras e muito melhores.

Inspiração é algo simples, algo que vem de dentro, que reage com o meio e nos mostra que algo pode ser bom. E quando estamos tristes, permitindo esta mesma abertura, inconscientemente nos deixamos algo bom, uma lição de que essa tristeza é um meio, um caminho para o nosso amadurecimento, que nos deixará mais fortes e mais abertos, para que possamos, sem medo, abrir nosso coração ao meio e, como as crianças e os apaixonados, inspirar-nos.

sábado, 20 de outubro de 2007

Individualidade

Muito se fala sobre o social, pouca atenção ainda se destina ao indivíduo. Apesar de algumas iniciativas, sobretudo comerciais, a preocupação com as diferenças de cada um não é tão grande, o que dá a base para que a cultura de massa permaneça, levando as pessoas a um danoso comportamento padrão, distante de uma reforma pessoal necessária que nos garanta as melhorias necessárias no ambiente e nas pessoas.

O ser humano não pode ser tratado somente como grupo; não o tempo inteiro. Ele é grupo quando reunido para atividades que demandam participação de várias pessoas ou quando analisado regionalmente mas, em todos esses casos, é preciso entender que a participação de cada um não acontece da mesma forma e com a mesma intensidade.

Individualidade é algo que garante a diversidade de nossa raça, seja na aparência, ideais ou nível evolutivo. O fato de não sermos iguais nos garante que nossas idéias sejam distintas, assim como nossos anseios, minimizando o impacto da utilização de recursos, tornando-os, sob vários aspectos, ilimitados.

Se todos pensassem da mesma forma, fossem da mesma forma e, inclusive, fossem tratados da mesma forma, como sugerem algumas teorias sobre completo igualitarismo, não precisaríamos nos preocupar com melhoria de condições, desenvolvimento de novas matérias primas, meio de transporte e toda uma gama de coisas novas inventadas todos os dias. Estando bom para um, estaria da mesma forma para o restante, o que não reflete a realidade.

Assim sendo, é preciso entender que o ser humano não é um conjunto de mentes pensando para a mesma direção, levando-nos à preocupação não apenas com a individualidade, mas com a nossa individualidade. Desta forma, conseguiremos entender as diferenças de raças, credos e formas de convívio, por mais estranhas que nos pareçam e, sobretudo, respeitá-las.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Pedras

Hoje utilizamos um termo que nos remete ao início da civilização: Idade das Pedras. Significa dizer que estamos vivendo no passado, meio atrasados, arcaicos ou algo do gênero. Mas na época foi uma evolução e tanto! Armas, utensílios domésticos e tantas outras coisas já foram feitas de pedras. Mas podem ser pedras no sapato apenas; coisas inúteis.

Como tudo nessa vida, as pedras assumem diversos significados, positivos e negativos. Além disto, participam de vários ditados, como aquele sobre a água, que acaba furando a pedra pela persistência. Pode implicar dureza, mas também uma resistência aparente, porque são feitas de diversos materiais. Interessante notar que em tudo dito até agora, somos semelhantes a elas.

Alguns de nós insistem em não evoluir, em seres frios, duros; resistentes desnecessariamente. Outros se permitem mudar e transformam sua dureza em sustentáculo para si e para os outros, transformando-se em pedras de fundação, formando uma base sólida, tal qual uma rocha sobre a qual se constrói uma casa resistente.

As pedras não são nada sozinhas, tal qual o ser humano. Precisam ser empregadas em algo, conjuntamente com outras pedras e, também, outros materiais. Um diamante sem alguém para avaliá-lo não passa de uma pedrinha; alias, precisa ser alguém que entenda sobre ele. Quantos de nós somos sub-avaliados, porque faltam olhares críticos com conhecimento para nos entender a essência?

Pedras, seres humanos, construções, inatividade. Somos bem parecidos, desconsiderando a parte em que as pedrinhas não pensam na vida enquanto estão paradas. Bom, se analisarmos bem, acho que nós também não. Vemos a água passando, a vida passando, e ficamos lá, parados, esperando que o tempo nos mude em algo útil, ou que alguém nos ache e consiga nos moldar. Ingênuo engano.

As pedras têm esta vantagem, pois não precisam se preocupar com transformações, sendo apenas transformadas. Nós não! Precisamos aprender com o tempo e aprender coisas boas, úteis, que nos façam melhores e mais duros, mas uma dureza de segurança, de confiança e outras coisas que nos dêem base para transformar, para criar, para desenvolver verdadeiras maravilhas com uma simples pedra, como uma casa, um prédio, uma ponte e por aí vai.

A pedra será sempre pedra mas, e nós? Sim, é verdade! Seremos sempre seres humanos em transformação, rumo à perfeição. Isto é fato e não há como fugir disto! Seres dinâmicos que não param à beira da estrada como uma pedrinha que ali observa a paisagem. Seres transformadores que, por isto, precisam exercer seu papel, porque senão algo deixa de ser feito.

Sejamos pedras sim, mas como as dos degraus de uma escada, por exemplo, já transformada e que sustentam a subida de alguém. Sejamos pedras, mas como as de uma barragem, que evitam catástrofes. Sejamos pedras, mas o façamos de tal forma que, quando lembrarem de nós, o farão delimitando o tempo, como uma Idade das Pedras, porque assim, mesmo que nosso tempo passe, teremos deixado nossa contribuição para que o futuro seja possível, porque as coisas acontecem, mas sempre é preciso o primeiro passo antes do segundo, e isto também não muda e não mudará.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Línguas

O termo língua é utilizado no português para definir várias coisas, como uma parte do corpo humano. Também assume uma significação de conjunto de caracteres, idéias, vocábulos e até mesmo a interpretação destes, comuns a um povo, permitindo que as pessoas se comuniquem, se façam entendidas mutuamente.

O termo mútuo pressupõe reciprocidade, ou seja, envolve mais de uma pessoa ou, usando uma expressão popular, uma via de duas mãos. Para que uma língua se faça compreendida, é preciso então que as duas ou mais pessoas envolvidas tenham o necessário conhecimento dela, para que as idéias possam ser transmitidas sem ou com um mínimo de interferência, de forma a evitar o entendimento errôneo da mensagem passada.

Parece meio teórico, mas o problema é que esses ruídos de comunicação acontecem o tempo inteiro, quando falamos a mesma língua, como a portuguesa. Não se trata de diferentes dialetos, como variações regionais, mas de incompreensão por fatores alheios à estrutura formal da língua portuguesa em si.

Já reparou como não conseguimos nos entender em vários momentos de nosso convívio social? Reuniões em empresas, discussões de namorados, amigos e por aí vai. Curiosamente os animais nos entendem, como um cão ou um gato. E olha que nem precisamos usar palavras com eles. Interessante! Analisemos este ponto.

Nos comunicamos com os animais por gestos, olhares e, principalmente, sentimentos. Quando isto acontece, quase sempre não estamos tentando convencê-los de nada, não temos a intenção de impor nosso ponto de vista. E aqui mora o detalhe básico: imposição. Em nossos diálogos corriqueiros, transformados em monólogos egoístas, queremos sempre impor o que pensamos, sem nos preocuparmos com o que a outra parte pensa ou tem a dizer.

Contrariando vários provérbios populares, como aquele que diz que temos dois ouvidos para ouvir mais do que falar, preocupamo-nos apenas em falar, desesperadamente, desligando a parte no nosso cérebro responsável por nos dar a certeza de que não estamos sempre certos e que é meio loucura simplesmente pensar isto.

O problema não é a formalidade da língua, mas sim o nosso lápis e o nosso papel, que escrevem tudo borrado. Pior ainda, precisamos de óculos e de aparelhos auditivos, para corrigir nosso problema de cegueira e surdez frente aos problemas dos outros. Quem foi que disse que precisamos estar sempre certos?

Sentimento. Sentir algo ou alguém dispensa letras. Olhares, gestos, os mesmos que nos fazem comunicar com perfeição com os animais, transformam nossa Babel cotidiana em um paraíso de pessoas de várias nacionalidades, credos e certezas, comunicando-se perfeitamente. A língua? Esta ainda é importante, até que consigamos nos moldar para dispensar as letras.

Mas ainda vai um tempo, porque até que consigamos nos comunicar a contento sem símbolos, precisaremos melhorar muitas coisas, algumas das quais não temos nem o início da compreensão sobre elas. Façamos pois, enquanto isto, uma boa utilização de nossa língua, deixando de lado nossas certezas em estarmos certos, para ouvir, refletir e nos comunicar com perfeição, porque este ato simples nos economiza diversos problemas.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Jardim

Existe uma teoria de que devemos cuidar do nosso jardim, ao invés de sair correndo atrás de borboletas, porque, desta forma, elas virão naturalmente, junto com sabiás, abelhas e todo o resto de criaturas que em conjunto são responsáveis por uma significação de vida dinâmica à nossa volta.

Geralmente, quando se pensa nessa conotação poética das coisas, naturalmente convertemô-la para o lado físico, preocupando-nos em fazer uma dietazinha, malhar um pouco, escolher uma roupa e um perfume adequados. Desta forma, saímos ao mundo com uma superprodução, e uma cara amarrada em função dos outros problemas que carregamos, estragando todo o preparo prévio.

Um belo jardim não começa a ser preparado pelos botões de rosa, porque eles são o fruto de um bom cuidado. É preciso preparar a terra, fornecer água e nutrientes necessários, retirar as ervas daninhas, entre outras coisas, tudo isto antes mesmo de se proceder à semeadura. Tudo floresce no terreno adequado, sob as condições certas. A mais bela rosa murchará, se colocada apenas em um copo com água e deixada lá.

Se voltarmos nossa análise para nós mesmos, veremos que o sorriso é a mais clara expressão da nossa felicidade sendo, portanto, apenas uma conseqüência. É preciso desenvolver determinadas coisas que o tornem possível, de forma espontânea, fazendo-nos belos mesmo com uma gordurinha a mais. Problemas pessoais, profissionais, familiares e tantos outros nos impedem de sorrir ou, na melhor das hipóteses, nos dão um sorriso incompleto.

Mas não é só. Diz-se também que ter inveja, ciúmes, desejar qualquer mal aos outros é comparável a tomar um veneno desejando a morte alheia. Assim, para garantir as flores do nosso jardim interior, precisamos cuidar dos sentimentos que nos fazem mal; eliminá-los aos poucos, de forma gradativa e duradoura, tal qual alguém que faz regime não apenas perdendo peso, mas transformando hábitos, de forma a garantir a permanência das alterações.

Assim, seguindo tais recomendações, conseguiremos preparar nossa terra. A paz interior virá naturalmente, acompanhada inevitavelmente de uma sensação de bem estar que nos trará uma aparência externa suave, fornecendo-nos, com tudo isto, a base necessária para que consigamos não apenas sorrir de forma completa, mas sentir o sorriso e fazer com que os outros sintam.

As borboletas, os passarinhos, as abelhas em busca do nosso mel? Virão todos naturalmente. Os homens e as mulheres? Encontrarão em nós a paz. As crianças e os velhos? Sorrirão conjuntamente conosco, encontrando em nós o porto seguro para uma renovação energética que só encontra a fonte em sentimentos de partilha social, cuja pureza dispensa descrições, pois precisa ser sentida.